1 A NOVA HISTÓRIA CULTURALMILIANDRE GARCIA DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UEL
2 QUESTÕES EM DEBATE Como as elaborações mentais, produtos da cultura, articulam-se com o mundo social, a realidade cotidiana? Como estabelecer correspondências entre todos esses níveis e também objetos de estudo? Que sentidos e significados os homens atribuíam a si próprios e às coisas? Quais os limites das alianças da História com outras disciplinas? (Pesavento, 2005, p. 32).
3 CRISE DOS PARADIGMAS No contexto de crise dos paradigmas explicativos da realidade, a história, sob a ameaça de fragmentação generalizada, empreende um movimento de revisão de suas alianças interdisciplinares, seus conceitos e métodos, seus objetos e objetivos e, sobretudo, seus princípios de inteligibilidade.
4 PROCESSO DE REVISÃO MARXISMO ESCOLA DE ANNALES HISTÓRIA NOVAASSIMILAÇÃO DE FOUCAULT RECONHECIMENTO DA IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM
5 DOS ANNALES MODELO ALTERNATIVO DA HISTÓRIA REGIONAL TOTAL no qual historiadores da 3ª geração dos Annales como Emmanuel Le Roy Ladurie e Pierre Goubert, que não se contrapuseram geração de Fernand Braudel, mas deram menos enfoque às regiões econômicas mundiais, priorizando as regiões do interior da França (Languedoc, Montaillou etc.). PROJEÇÃO DA HISTÓRIA INTELECTUAL E CULTURAL que, se não superou a história econômica, social e demográfica (que correspondia a mais de 50% dos artigos entre ), passou a ocupar o 2º lugar (35% dos artigos contra 11-14% da história política).
6 CONT... REDEFINIÇÃO DO LUGAR DA CULTURA por historiadores da 4ª geração dos Annales como Roger Chartier e Jacques Revel que foram além da hierarquia dos níveis e do conceito de mentalidade e endossaram a teoria de Foucault sobre as “formações discursivas”. Para eles, o terceiro nível não era um nível, mas um determinante da realidade histórica. Como afirmou Chartier, “a relação assim estabelecida não é de dependência das estruturas mentais quanto a suas determinações materiais. As próprias representações do mundo social são os componentes da realidade social” e “as relações econômicas e sociais não são anteriores às culturais, nem as determinam; elas próprias são campos de prática cultural e produção cultural – o que não pode ser dedutivamente explicado por referência a uma dimensão extracultural da experiência” (Apud Hunt, 1992, p. 9).
7 INFLUÊNCIA DE FOUCAULTAo recusar a ideia de qualquer objeto intelectual “natural” (Apud Hunt, 1992, p. 9), analisar a cultura “pelo prisma das tecnologias de poder” (Idem, p. 12) e contribuir para destrinchar o funcionamento das instituições (Estado, escolas, presídios, hospitais etc.) e apesar de não precisar a importância do histórico e afirmar produzir “ficção verídica” (Idem, p. 11), Foucault exerceu grande influência sobre historiadores como Chartier para o qual “a loucura, a medicina, o Estado não são categorias que possam ser conceituadas em termos de universais cujos conteúdos são particularizados por cada época”, tomados como “objetos discursivos”, estão “sujeitos a mudanças” e, por isto, “não podem oferecer uma base transcendental ou universal para o método histórico” (Idem, p. 10).
8 NOVA HISTÓRIA CULTURALO esgotamento dos modelos explicativos globalizantes propiciou o surgimento da nova história cultural ou, simplesmente, história cultural que, nos anos 1980, lançou uma série de dúvidas, inclusive sobre o programa dos Annales (o conceito de mentalidade e a ideia de longa duração), do qual ela pode ser considerada descendente direta.
9 O PREFIXO “NOVA” Utiliza-se a expressão Nova História Cultural para acentuar as diferenças mais significativas com os movimentos anteriores que problematizaram a questão cultural como A HISTÓRIA CULTURAL CLÁSSICA que entendia a cultura como manifestação do espírito humano, domínio das elites, expressão da cultura erudita (em oposição à cultura popular), sendo considerada o “sorriso da sociedade”, voltada exclusivamente à fruição estética. O MARXISMO dividido entre marxismo vulgar que entendia a cultura como integrante da superestrutura e mero reflexo da infraestrutura (Pesavento, 2005, p ) e a história cultural marxista que, apesar de mostrar-se como modelo alternativo à história cultural clássica e ao marxismo vulgar, a história cultural marxista manteve-se num lugar marginal, expostos a críticas de ambos os lados. Para os marxistas tradicionais, eles fugiam dos temas clássicos, do viés econômico. Os historiadores da cultura, por sua vez, temiam que eles submetem os temas da cultura às determinações econômicas (Burke, 2000, p. 243).
10 NOVOS HORIZONTES “Todas essas questões epistemológicas representam mudanças significativas, marcando a entrada em cena de um novo patamar para a reflexão da História. Essa espécie de giro teórico opera como uma espécie de novos óculos para enxergar a realidade, a partir de um corpo articulado de conceitos que passam a explicar o mundo de uma outra forma” (Pesavento, 2005, p. 56).
11 PRECURSORES Numa espécie de arqueologia da História Cultural, Sandra J. Pesavento resgata uma gama de autores que, em grande parte, possuem trajetórias distintas, mas que, no entanto, guardam uma preocupação em comum, qual seja a de resgatar visões de mundo, nem sempre amparada na distinção entre real e IMAGINÁRIO. Lembrando que essa lista é bastante genérica e foi apresentada de outra forma por Peter Burke.
12 CONT... Jules Michelet, p. 19-20 Kant e Hegel, p. 20-21Jacob Burckhardt, p. 22 Leopold Von Ranke, p. 22 Johann Gustav Droysen, p. 22 Wilhelm Dilthey, p. 23 Sigmund Freud, p. 23 Jung, p. 23 Marcel Mauss, p. 24 Émile Durkheim, p. 24 Mikahil Baktin, p. 25 Walter Benjamin, p. 25 Antonio Gramsci, p. 25 Gaston Bachelard, p. 26 Ernest H. Gombrich, p. 26 Erwin Panofsky, p. 26 Paul Ricoeur, p. 27, 35 Roland Barthes, p. 27 Edward P. Thompson, p. 28 Georges Rudé, p. 30 Raymond Williams, p. 30 Michel Foucault, p. 32 Paul Veyne, p. 33 Hayden White, p. 34 Michel de Certeau, p. 35
13 PRINCIPAIS DIVERGÊNCIASA IDEIA DE CULTURA COMO “CIÊNCIA INTERPRETATIVA” DE ACORDO COM CLIFFORD GEERTZ EM A INTERPRETAÇÃO DAS CULTURAS (1973): Enquanto Darnton (1984) assimila as interpretações de Geertz acerca da definição de cultura, validando-a como “ciência interpretativa” fundamentada na decifração dos significados; Chartier (1985) questiona existência de que um sistema que organize as formas simbólicas ou de um “idioma geral” capaz de explicar todas as formas de expressão cultural. Isto implicaria coerência e interdependência entre eles e a existência de um universo simbólico comum e unificado. Além disso, a busca por significado tende a anular as diferenças na apropriação ou no uso das formas culturais e acaba obscurecendo a existência de luta e conflito (Hunt, 1992, p ).
14 CONT... O USO DA LINGUAGEM COMO METÁFORA COMO FEZ DARNTON EM O GRANDE MASSACRE DE GATOS (ANOS 1980): Para Chartier, o “uso metafórico do vocabulário da linguística” elimina a diferença entre ações simbólicas e textos escritos, define “as formas simbólicas de um modo tão amplo que nada fica excluído e considera “os símbolos como fixos em seu significado” (Apud Hunt, 1992, p. 21).
15 REVENDO PRINCÍPIOS GERAISO projeto de uma HISTÓRIA TOTAL que buscava, amparado nos trabalhos de Fernand Braudel, articular diferentes níveis da totalidade social, foi chamado por Chartier “intimidador” (Chartier, 1991, p ); O LIMITE TERRITORIAL dos objetos de pesquisa que identificava, influenciado pela geografia humana de Vidal de la Blache, a descrição de uma sociedade instalada num espaço particular (uma cidade, uma província, uma região) como elemento indispensável à consolidação do projeto de história total, foi considerado por Chartier “particularista” (Idem); O primado do RECORTE SOCIAL que, na História Social, projetava-se sobre outros recortes como capaz de organizar a compreensão das diferenças e das partilhas culturais; na compreensão das práticas e atitudes culturais, é tido por Chartier como “tirânico” (Idem); A ALIANÇA COM A SOCIOLOGIA que paulatinamente perdeu prestígio entre historiadores que, cada vez mais, estreitavam laços com a antropologia (Hunt, 1992, p. 14).
16 RENÚNCIA À TOTALIDADE “Ao renunciar, de fato, à descrição da totalidade social e ao modelo braudeliano, que se tornou intimidador, os historiadores tentaram pensar os funcionamentos sociais fora de uma partição rigidamente hierarquizada das práticas e das temporalidades (econômicas, sociais, culturais, políticas) e sem que fosse dada primazia a um conjunto particular de determinações (fossem elas técnicas, econômicas ou demográficas). Daí as tentativas para decifrar de outro modo as sociedades, penetrando na meadas das relações e das tensões que as constituem a partir de um ponto de entrada particular (um acontecimento, importante ou obscuro, um relato da vida, uma rede de práticas específicas) e considerando não haver prática ou estrutura que não seja produzida pelas representações, contraditórias e em confronto, pelos quais os indivíduos e os grupos dão sentido ao mundo que é o deles (Chartier, 1991, p ).
17 RENÚNCIA AO LIMITE TERRITORIAL“Ao renunciar a tomar as diferenciações territoriais como os quadros obrigatórios de pesquisa, os historiadores franceses afastaram sua disciplina do procedimento de inventário, que provém da escola de geografia humana. A cartografia das particularidades, cuja razão devia ser encontrada na diversidade das condições geográficas, foi substituída pela pesquisa das regularidades – o que significa reatar com a tradição, recusada pelos Annales dos anos trinta, da sociologia durkheimiana e preferir o estabelecimento de leis gerais, como desejava a morfologia social, à descrição de singularidades regionais” (Chartier, 1991, p. 177).
18 RENÚNCIA AO RECORTE SOCIAL“Ao renunciar ao primado tirânico do recorte social para dar conta dos desvios culturais, a história em seus últimos desenvolvimentos mostrou, de vez, que é impossível qualificar os motivos, os objetos ou as práticas culturais em termos imediatamente sociológicos e que sua distribuição e seus usos numa dada sociedade não se organizam necessariamente segundo divisões sociais prévias, identificadas a partir de diferenças de estado e fortuna. Donde as novas perspectivas abertas para pensar outros modos de articulação entre as obras ou as práticas e o mundo social, sensíveis ao mesmo tempo à pluralidade das clivagens que atravessam uma sociedade e à diversidade dos empregos de materiais ou de códigos compartilhados” (Chartier, 1991, p. 177).
19 ALIANÇA COM A ANTROPOLOGIA“Emprega-se uma grande variedade de termos em diferentes lugares e diferentes disciplinas para descrever os processos culturais de empréstimo, apropriação, troca, recepção, transferência, transposição, resistência, sincretismo, aculturação, enculturação, inculturação, interculturação, transculturação, hibridização, creolização, interação e interpenetração de culturais”. Alguns desses novos termos talvez soem exóticos, e mesmo bárbaros. Sua variedade presta eloquente testemunho à fragmentação do mundo acadêmico atual. Também revela uma nova concepção de cultura como bricolagem, em que o processo de apropriação e assimilação não é secundário, mas essencial (Burke, 2000, p. 263).
20 CULTURAS NO PLURAL A polaridade entre sociedades “com cultura” em contraste com as “sem cultura” foi abandonada pelos historiadores da cultura absorveram a noção de cultura no plural dos antropólogos que “não pressupõem que todas as culturas sejam iguais em todos os aspectos, mas se abstêm de juízos de valor sobre a superioridade de algumas em relação a outras, julgamentos feitos inevitavelmente do ponto de vista da própria cultura do historiador, e que atuam como tantos obstáculos à compreensão” (Burke, 2000, p. 246).
21 ESPECÍFICO + GERAL As culturas são definidas em sentido restrito como “artefatos herdados, bens, processos técnicos, ideias, hábitos e valores” (influência de Bronislaw Malinovski), mas também no geral como “as dimensões simbólicas da ação social” (Clifford Geertz). “Estendeu-se o sentido do termo para abranger uma variedade muito ampla de atividades do que antes – não apenas a arte, mas a cultura material, não apenas o escrito, mas o oral, não apenas o drama, mas o ritual, não apenas a filosofia, mas as mentalidades das pessoas comuns” (Burke, 2000, p. 247). “Neste sentido mais amplo, invoca-se agora a cultura para compreender as mudanças econômicas ou políticas que antes se analisavam de maneira mais estrita, interna” (Idem, p. 245). O perigo dessa abordagem vinculada ao conceito de “cultura política”, popular entre os pesquisadores americanos, é elevar a cultura no seu sentido amplo ou reduzi-la ao seu sentido restrito. O ideal é conjugar as duas perspectivas, evitando sobrepô-las.
22 DA IDEIA DE TRADIÇÃO ÀS FORMAS DE REPRODUÇÃO, RECEPÇÃO E APROPRIAÇÃOTRADIÇÃO: A ideia de “tradição” não é mais soberana como na história cultural clássica, a ela agrega-se outras categorias como REPRODUÇÃO: permite entender que a tradição não é passada automaticamente de geração para geração; ainda que possa passar a falsa ideia de cópia exata ou mecânica, RECEPÇÃO: “a característica essencial da transmissão cultural é que tudo o que se transmite muda” (De Certeau), APROPRIAÇÃO: “tudo é recebido, e recebido segundo a maneira do recebedor”. “Em suma, a ênfase transferiu-se do doador para o receptor, com base em que o que é recebido é sempre diferente do que foi originalmente transmitido, porque os receptores, de maneira consciente ou inconsciente, interpretam e adaptam as ideias, costumes, imagens e tudo o que lhes é oferecido” (Burke, 2000, p. 249).
23 NOVOS CAMINHOS Ao lançar uma série de dúvidas, inclusive sobre o programa dos Annales, Roger Chartier propõe novos caminhos à história: Da história social da cultura à história cultural da sociedade; Dá outro sentido à abordagem interdisciplinar, diferente da que era até então proposta pelos Annales; Os saberes eruditos tomados como campo privilegiado da história cultural; As relações de força no interior da sociedade são REPRESENTAÇÕES que fazem de si mesmos e dos outros, às quais Roger Chartier denominou de “lutas de representação”; A atenção do objeto desloca-se para a da recepção, logo, categorias como cultura popular ou erudita são definidas segundo a apreensão dos artefatos culturais e não no suporte ou no texto propriamente dito.
24 RELAÇÃO TRIANGULAR OBRA (texto, canção, filme etc.): “o estudo crítico dos textos, literários ou não, canônicos ou esquecidos, decifrados nos seus agenciamentos e estratégias”. “A primeira hipótese sustenta a operação de construção de sentido efetuada na leitura (ou na escuta) como um processo historicamente determinado de cujos modos e modelos variam de acordo com os tempos, os lugares, as comunidades” (Chartier, 1991, p ). MATÉRIA (suporte, técnica): “a história dos livros e, para além, de todos os objetos que contém a comunicação do escrito”. A segunda considera que as significações múltiplas e móveis de um texto dependem das formas por meio das quais é recebido por seus leitores (ou ouvintes)” (Idem). RECEPÇÃO (público): “por fim, a análise das práticas que, diversamente, se apreendem dos bens simbólicos, produzindo assim usos e significações diferençadas”. Os leitores “manejam objetos cujas organizações comandam sua leitura, sua apreensão e compreensão partindo do texto lido” e “a leitura é sempre uma prática encarnada em gestos, espaços, hábitos” (Idem). “A relação triangular entre o texto do modo como é concebido pelo autor, impresso pelo editor e lido (ou ouvido) pelo leitor lança dúvidas sobre as clássicas concepções da história da cultura, em especial sobre a dicotomia entre cultura popular e cultura erudita ou de elites” (Hunt, 1992, p. 19).
25 SUPORTES “(...) é preciso lembrar que não há texto fora do suporte que lhe permite ser lido (ou ouvido) e que não há compreensão de um escrito (...) que não dependa das formas pelas quais atinge o leitor. Daí a distinção indispensável entre dois conjuntos de dispositivos: os que provêm das estratégias de escrita e das intenções do autor, e os que resultam de uma decisão do editor ou de uma exigência de oficina de impressão”. “Os autores (...) escrevem textos que outros transformam em objetos impressos”. Os suportes “contribuem amplamente para dar feição às antecipações do leitor em relação ao texto e para avocar novos públicos ou usos inéditos” (Chartier, 1991, p. 182).
26 MANEIRAS DE LER “A leitura não é somente uma operação abstrata de intelecção: é por em jogo o corpo, é inscrição num espaço, relação consigo ou com o outro. Por isso devem ser reconstruídas as maneiras de ler próprias a cada comunidade de leitores (...). Uma história da leitura não se pode limitar unicamente à genealogia de nossos modos de ler, em silêncio e com os olhos, mas tem a tarefa de redescobrir os gestos esquecidos, os hábitos desaparecidos” (Chartier, 1991, p. 181).
27 DESAFIO ATUAL UNIDADE/VARIEDADE: O desafio atual da nova história cultural transita entre dois polos: resistir ao processo de fragmentação sem recuar à ideia de totalidade, revelar uma unidade subjacente (ou pelo menos ligações subjacentes) às múltiplas culturas sem negar-lhes a diversidade do passado.
28 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBURKE, Peter. A escola dos Analles ( ): a Revolução Francesa da historiografia. São Paulo: UNESP, 1997. BURKE, Peter. Variedades de história cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. CHARTIER, Roger. A História cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, [s/d]. CHARTIER, Roger. O mundo como representação. Estudos avançados, São Paulo, v. 5, n. 11, p , 1991. DARNTON, Robert. O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1988. DOSSE, François. A história em migalhas: dos “Annales” à “Nova História”. São Paulo: Ensaio; Campinas: UNICAMP, 1992. GEERTZ, Clifford. A interpretação das Culturas. Zahar. Rio de Janeiro, 1973. HUNT, Lynn. A nova história cultural. São Paulo: Martins Fontes, 1992. LE GOFF, Jacques et al. A nova história. Lisboa: Edições 70, [s/d]. PESAVENTO, Sandra. História & história cultural. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. REIS, José Carlos. Escola dos Annales: a inovação em história. São Paulo: Paz e Terra, 2000.