1 A responsabilidade social e a economia social: transparência e sustentabilidadeSeminário Temático no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) Instituto Politécnico do Porto Maria Brízida Faria de Sousa Tomé Porto, 15 de Novembro de 2016
2 Objetivo e estrutura 2 TEMA: Estudo e avaliação dos instrumentos de gestão e de divulgação adequados às exigências atuais divulgação do comportamento socialmente responsável das EES prossecução do interesse geral e zelo pelos princípios orientadores da ES. OBJETIVO: Aferir a adequação destes instrumentos aos requisitos atuais (nível de gestão das organizações e transparência organizacional); Apurar possíveis impactos da transparência sobre a sustentabilidade. DELIMITAÇÃO: Princípios da Responsabilidade Social das Empresas (RSE); Transposição do conceito para o setor da ES: Princípios e valores cooperativos; A Economia Social em Portugal; Evidência da RSE pelas cooperativas; Gestão e Liderança nas cooperativas; Dever de transparência e controlo; Prestação de contas (âmbito / normas / novas práticas contabilísticas). Estudo de caso Múltiplo: metodologia qualitativa, análise de conteúdo (contas de conjunto de cooperativas, seguindo uma proposta de indicadores próprios do relato integrado (triple bottom line).
3 1 – Responsabilidade Social da Empresa (RSE)3 Conceito pouco consensual: contínua evolução, de lata abrangência e grande variabilidade de objetivos. Interligação do conceito da RSE à evolução do papel da Empresa Institucional (Meyer & Rowan, 1977; Dimaggio & Powell, 1983) Stakeholders (Freeman, 1984) Shareholders (Friedman, 1970) Maximização do lucro Legitimação junto dos grupos de interesse (Gestão conciliando interesses das partes) Convergência de atitudes e comportamentos transparentes responsáveis e éticos além do lucro acionista – Mudança paradigma empresarial: abertura à envolvente externa.
4 1 – Responsabilidade Social da Empresa (RSE)4 Objetivos e posicionamentos da empresa face à RSE segundo Jamali & Mirshak (2006) de grande variabilidade, citando estudos de Carroll (1979 e 1991), quanto à hierarquização dos níveis de atuação perante a RSE. Pirâmide de Carroll – modelo concetual RSE Discricionário Ético Legal Económico Nível de atuação Posicionamento Estratégico Defensivo Acomodaticio Proativo Reativo Interno Externo Melo Neto & Froes, 1999 Idêntica hierarquia de motivações para ações RSE – Castelo Branco, 2006
5 1 – Da RSE à Economia social. Princípios e valores.5 Conceito da RSE: “empresas que decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo”. (Comissão das Comunidades Europeias, Livro Verde 2001-http://ec.europa-eu) -> promover um quadro social europeu para a RSE. Objetivos da RSE - política social da UE (Comissão Europeia, Estratégia favorecedora do desenvolvimento sustentável, abrangendo o respeito pelos valores europeus, i.e: Direitos humanos e proteção do trabalho; Aprendizagem contínua e empregabilidade dos trabalhadores com inclusão de grupos mais desfavorecidos; Proteção ambiental; Redução da poluição; Utilização racional de recursos naturais; Inovação socio-ambiental; Melhoria da saúde pública; Foco nos princípios fundamentais da RSE, i.e: Solidariedade, Igualdade, Coesão Social, Justiça e equidade, Transparência e Responsabilidade individual e social partilhada. Ações e Programas: Ação (WBCSD e BCSD, 2013); Agenda 2020 (BCSD, 2013); Visão 2050 (WBCSD, 2013) ; Da Ação à Visão 2050 (WBCSD, 2016), destacando–se o objetivo principal da satisfação das necessidades da geração atual, sem comprometer as opções das gerações futuras.
6 1 – Da RSE à Economia social. Princípios e valores.6 As vertentes da RSE estendem-se a nível económico, social e ambiental (Triple Bottom Line); Impacto da RSE sobre o conceito de empresa, numa perspetiva organizacional: Fator valorizado e reconhecido pelos Stakeholders; Diferenciadora na análise da performance empresarial (afetando tomada de decisões); Condicionadora da obtenção de resultados (capacidade de alavancagem da RSE); A empresa como realidade aberta à envolvente externa -> maiores exigências a nível das competências dos gestores, grau prossecução dos objetivos; A adoção voluntária da prática da RSE posiciona a empresa num elevado patamar de exigência de qualidade e desenvolvimento sustentável.
7 1 – Da RSE à Economia social. Princípios e valores.7 Transposição do conceito de RSE para a Economia Social Conjunto de atividades livremente levadas a cabo pelas EES, desde que prosseguidas mediante os seus princípios orientadores e no interesse geral (LBES, 2013); Nas cooperativas o modo organização e de funcionamento são reflexo dos princípios orientadores, i.e: Primado das pessoas e objetos sociais; Adesão e participação livre e voluntária; Controlo democrático; Conciliação de interesses; Gestão autónoma e afetação de excedentes à prossecução de fins de economia social; Respeito pelos valores da solidariedade, igualdade, coesão social, justiça e equidade, transparência, responsabilidade social. Convergência notória Valores RSE Princípios Identidade Cooperativa
8 1 – Da RSE à Economia social. Princípios e valores.8 Princípios orientadores da ES aos da RSE, demonstram que a RSE integra o ADN das EES. Objeto social : EES prosseguem complementarmente objetivos empresariais e sociais. 2 dimensões : Económica (satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais dos membros); Social (prossecução do interesse geral / Comunidade). Observância dos princípios de ES, nas cooperativas: (art. 3, CCoop; art. 61, nr.2, CRP; ACI) Regime jurídico das cooperativas Adesão livre e voluntária Gestão democrática Autonomia e independência Participação económica dos membros Educação, Formação e informação Intercooperação Interesse pela Comunidade Paradigma da Governação das EES: não restrita às suas relações internas; alinhamento com os princípios fundamentais da RSE, baseada na adoção das melhores práticas (organizacionais, igualdade de oportunidades, inclusão social e desenvolvimento sustentável). RSE não voluntária para as cooperativas. Questiona-se obrigação legal dos órgãos administração de integrar valores RSE na atividade, sujeitos a controlo (interno e externo).
9 1.1 – A Economia Social em Portugal9 ES em PORTUGAL – crescimento (criação de emprego / consolidação da procura): Contas Satélite (2013, reportadas a 2010): Cooperativas em PT: 12 Ramos de atividade Maior concentração geográfica: Lisboa (24,2%), Porto (11,4%), Setúbal (5,9%), Braga (5,0%) e Leiria (4,4%). Saldo demográfico positivo em 2015 (+ 23 cooperativas) vs tendência de 2010 a 2014.
10 1.1 – Cooperativas de Solidariedade Social (CSS)10 CSS = 2ª posição no ranking das cooperativas portuguesas (133un = 15%). CSS (DL 7/98, dd. 15/01): Atividades centradas na intervenção social . Missão /objeto social : suporte de situações de vulnerabilidade económica e social (visando integração profissional, educação, formação, cuidados ocupacionais e residenciais). Regime jurídico tem em consideração esta lógica mutualista: Não distribuição de excedentes pelos membros revertendo para reservas; Extensão às CSS dos direitos, deveres e benefícios das IPSS discriminação positiva. Intervenção social Famílias Crianças e jovens Idosos Incapacitados Desempregados Outros grupos vulneráveis
11 1.2 – Gestão e Liderança nas Cooperativas11 Perspetiva organizacional: A cooperativa é uma realidade aberta à envolvente externa, além da esfera interna => envolvimento com a comunidade valorizado por todos os stakeholders, positiva ou negativamente, com impacto nos resultados (Melo Neto & Froes, 1999) . Acréscimo de competências de gestão / novos desafios à boa governação Conciliação de interesses de todos as partes interessadas e o reforço da comunicação com stakeholders alavancagem organizacional e social; Envolvimento de todas as partes (integração e auscultação) permanente, e consequente avaliação de desempenho ferramenta de gestão estratégica não meramente financeira, com impacto sobre a sustentabilidade da organização ; Reforço da vantagem competitiva / viabilização dos projetos , sem descurar o objeto social respostas de curto prazo, foco na consecução de resultados sustentáveis de médio/longo prazo; Desafios de inovação, gestão da sustentabilidade económica, social e ambiental, inclusão social elevados níveis de qualificação de gestão: nível macro (gestão e liderança) e nível micro (gestão do processo); Novos métodos de gestão organizacional gerida por valores (Barrett, 2013) via técnicas de mensuração distintas das tradicionais alinhamento dos valores individuais com os valores atuais e os esperados no futuro.
12 1.2 – Gestão e Liderança nas Cooperativas12 Capacidades dos Administradores das EES: motivação e disponibilidade pessoal; capacidade de liderança e visão estratégica; alinhamento de valores/princípios da instituição, com a sua Visão / Missão; experiência consolidada na gestão do capital humano; conhecimentos legais, financeiros e contabilísticos; conhecimento do setor da ES, nomeadamente da área em que a ESS opera. Ênfase: Princípios de boa governação (códigos de conduta e de governação); Uso de ferramentas estratégicas de gestão; Avaliação do desempenho. A avaliação, como instrumento não financeiro, promove a sustentabilidade económica da organização, garante da prossecução da missão.
13 1.2 – Gestão e Liderança nas Cooperativas13 Além da gestão dos resultados, exige-se transparência, nomeadamente: Nas interligações setoriais; Nas modalidades prosseguidas; No controlo de processos; Na avaliação dos resultados gerados; Na análise dos benefícios obtidos vs. recursos dispendidos. Informação de Sustentabilidade: maior relevo mas empresas capitalistas, praticamente inexistente nas EES. Gestão socialmente responsável e transparência requeridas (Velasco, 2005 e Roque, 2010) através da prestação de contas, com informação não meramente financeira.
14 1.3 – Dever de transparência e controlo14 Exigência crescente de informação (não somente financeira) transparente e credível, imposta por: Mudança do paradigma empresarial: valoriza o relacionamento com a comunidade e a sustentabilidade dos negócios, além da performance económica; A transparência De extrema importância para: Membros / Beneficiários tomadas de decisão; Terceiros que operam com a entidade; Entidades Públicas controlo mais eficaz da prossecução do interesse geral e dos princípios orientadores- LBES. Discriminação positiva: Princípio da Proteção do Setor Cooperativo e Social (CRP Art.º 80 + LBES Artº 10 e 11) – Obrigatoriedade do fomento das EES por parte dos poderes públicos; EES beneficiam de discriminação positiva (benefícios fiscais, acesso ao crédito), baseada na prossecução de objetivos de interesse geral – Meira, 2013; Acentuada necessidade de controlo interno e externo.
15 Proposta de aplicação de excedentes1.4 – A prestação de contas 15 Principal objetivo da prestação de contas: Elaborar/fornecer informação sobre a gestão e situação patrimonial da cooperativa, estruturalmente contida no relatório de gestão, devendo especificar os critérios de gestão de escopo mutualístico. Regimes contabilísticos Cooperativas (em geral) => SNC (mais abrangente/Soc. capitalistas) Demonstrações financeiras: Balanço e DR Relatório de Gestão (informação não meramente financeira) Proposta de aplicação de excedentes CSS (equiv. IPSS)=> SNC-ESNL Aplicável apenas a CSS com volume Vendas superiores a €/2 anos consecutivos; caso contrário aplicável o regime de caixa. Normas na elaboração de contas: SNC, 2009 – aplicáveis às cooperativas: Pensadas para as sociedades comerciais convencionais ignorando as especificidades das cooperativas. Demonstração de resultados centrada no desempenho económico-financeiro vs desempenho económico-social das cooperativas (fixado na promoção das necessidades dos cooperadores, sem visarem a título principal um escopo lucrativo).
16 1.4 – A prestação de contas Relatório de Gestão Estrutura e conteúdo 16 Relatório de Gestão Estrutura e conteúdo Conhecimento dinâmico da cooperativa Aspetos gerais de gestão Aspetos específicos sobre o seu património. Análise do negócio (evolução e desenvolvimento espectável); Resultados e situação financeira; Principais riscos e incertezas. Aspetos financeiros e não-financeiros: volume de negócios da cooperativa (com membros e com terceiros); Resultados das subsidiárias; Composição e classificação dos ativos; Resultados económicos / angariação e alocação de fundos; Reservas (repartíveis e irrepartíveis); Sustentabilidade económica da cooperativa; Intercooperação e práticas de RSE; Envolvimento em educação e formação cooperativas. O órgão de administração deverá adaptar os requisitos legais às especificidades da cooperativa (dimensão / complexidade da atividade, etc.)
17 1.4 – A prestação de contas: novas práticas17 Mudança de paradigma empresarial, num conceito triple bottom line conduz à evolução de novas práticas de Contabilidade. Novos instrumentos: Relatórios de sustentabilidade Relato integrado Accountability & Sustainability: instrumentos de gestão para desenvolvimento sustentável facilitadores de divulgação da performance da entidade junto do público em geral Relatório Financeiro Obrigatório Limitado a report económico e financeiro Relatório de Sustentabilidade Facultativo Diferente horizonte temporal Visão IIRC Pensamento Integrado Informação Simultânea, Dinâmica Contributo melhoria de gestão / controlo de Sustentabilidade Divulgação da Criação de Valor / conectividade de informação
18 1.4 – A prestação de contas: novas práticas18 Relato Integrado surge como instrumento adequado para assegurar a transparência, evidenciar o grau de prossecução do interesse geral e o cumprimento dos princípios orientadores. Princípios Estruturantes: Indicadores de Desempenho: Flexíveis; Não impostos; Ajustáveis às realidades das organizações; Mensurabilidade variável; Garantindo comparabilidade. Divulgação não especificada. Envolvente Externa Envolvente Interna Estratégia Perfil Organizacional Liderança Ética Integridade Económico Social Ambiental
19 2 – Análise empírica sobre divulgação de RSE nas CSS19 Questões de Investigação: Q1 – A divulgação faculta o nível de satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais dos cooperadores ? Q2 – É reveladora da eficiência económica da cooperativa? Q3 – Pode avaliar-se a qualidade das relações da cooperativa com a Comunidade? Q4 – Principal objetivo: identificação de eventuais impactos que possam resultar da transparência evidenciada pela divulgação / prestação de contas. Metodologia: Qualitativa: Estudo de caso múltiplo – Análise de conteúdo, complementado com proposta de indicadores (IR) Amostra: Base: CASES CSS credenciadas (2015/2016) – restrição aos distritos de maior concentração (50%): Lisboa (29 un = 22%); Porto (22 un = 17%); Braga (15 un = 11%). SABI and Sites institucionais : 65 cooperativas. Notória dificuldade de divulgação: : 83% cooperativas não procedem a qualquer divulgação; 15% apenas publicam o relatório de contas anuais e 2% utiliza o relatório de gestão.
20 2.1 – Estudo de caso 20 Apresentação das 5 CSS escolhidasCERCIFAF – (Fafe)-Braga, desde (CCF) Respostas sociais: Intervenção precoce na infância; recursos para inclusão; formação e emprego; atividades profissionais; desporto e cultura; unidades residenciais. COM RELATÓRIO DE GESTÃO CERCIMARCO – Porto, desde (CCM) Respostas sociais: apoio a crianças, jovens e adultos com deficiência ou problemas de integração sócio-profissional. SEM RELATÓRIO DE GESTÃO CETA SOCIAL – Porto, desde (CET) Respostas sociais: Construção e gestão de equipamentos sociais: Casa para idosos, centro de dia, apoio domiciliário. SEM RELATÓRIO DE GESTÃO
21 2.1 – Estudo de caso 21 NHC (SOCIAL) – Lisboa, desde (NHC) Respostas sociais: 1. habitação social (renda social); 2. Infância: jardim de infância e jardim de infância; 3. Apoio às famílias carenciadas COM RELATÓRIO DE GESTÃO CERCIOEIRAS – OEIRAS (Lisboa), desde (CCO) Respostas sociais: psicologia, serviços sociais, terapias (ocupacional, fono-audiológica e física), educação física e psicomotora. Análise de conteúdo: relatórios de contas 2014,2015 (exceto Cercimarco e Ceta: só 2015). Proposta de indicadores: apropriados à divulgação dos princípios de RSE ((Tomé, Meira & Bandeira, 2015, baseados no IIRC/GRI (GR4), 2013, Moneva, Ortas e Acero (2013), Socias & Horrach (2013)). (S) Solidariedade (I) Igualdade (CS) Coesão Social (FR) Funcionamento Rede Níveis: Económico, Social e Ambiental – divididos em 5 Categorias: Recursos humanos/ Produtos & serviços / Sustentabilidade / Relações com a Comunidade/ Ambiental
22 Indicadores e resultados da análise subsequente:2.1 – Estudo de caso 22 Avaliação (BSC) em 2 passos: 1º avaliação dos resultados da divulgação prosseguida, por indicador pontuação inicial; 2º correlação pontuação inicial/pontuação máxima Classificação BSC Indicadores e resultados da análise subsequente:
23 2.1 – Estudo de caso 23 Nível: Social Nº indicadores: 13Pontuação máx: 26 Resultados evidenciam grau de consecução dos objetivos desta categoria eventual necessidade de reforço da análise, controle e possíveis ações corretivas.
24 Maiores dificuldades nas CSS que não utilizam RG2.1 – Estudo de caso 24 Nível: Social Nº indicadores: 8 Pontuação máx: 16 Maiores dificuldades nas CSS que não utilizam RG
25 2.1 – Estudo de caso 25 Nível: EconómicoNº indicadores: 8 Pontuação máx: 16 Necessidade clara de aumentar a divulgação de alguns indicadores de parâmetros (objetivos) centrados nos princípios da solidariedade e da coesão social; de novo, foco em entidades sem RG.
26 2.1 – Estudo de caso 26 Nível: SocialNº indicadores: 7 Pontuação máx: 14 Grande preocupação com o relacionamento efetivo com a comunidade; As cooperativas que apresentam apenas relatórios financeiros apresentam maiores deficiências de divulgação.
27 2.1 – Estudo de caso 27 Nível: AmbientalNº indicadores: 7 Pontuação máx: 14 Categoria com maiores dificuldades de divulgação, por parte de praticamente todas as CSS.
28 2.1 – Estudo de caso 28 Adicionalmente, procedemos à classificação, seguindo a proposta do IIRC & GRI (2013), relativa a: Envolvente interna e externa, estratégia e perfil organizacional eficazmente relatados; Menos cuidado com a divulgação do seu desempenho em termos de liderança, ética e integridade áreas a exigirem maior atenção. Combinação de todos os resultados Processo de benchmarking! Útil para as entidades relacionarem o seu desempenho entre si, prosseguirem as melhores práticas de gestão e divulgação da RSE.
29 3 – Conclusões Falta consenso doutrinal do conceito e objetivos da RSE29 Falta consenso doutrinal do conceito e objetivos da RSE Notório impacto da RSE sobre o papel da empresa: alargamento dos grupos de interesses. Mudança de paradigma empresarial. Acrescida exigência dos Stakeholders (comportamento socialmente responsável): empresa privilegia o desenvolvimento social, proteção ambiental e dos direitos fundamentais => Vertentes: Económica, Social e Ambiental. Análise dos princípios orientadores da ES (LBES): a RSE faz parte integrante do código genético das EES, transportando-as a níveis de gestão estratégica mais abrangente. Novos desafios de gestão: as cooperativas procuram estrategicamente uma gestão mais inclusiva e atenta às necessidades internas e externas, num conceito triple bottom line. Torna-se exigível a adequação da informação/transparência: aferindo o grau de prossecução do comportamento socialmente responsável e do zelo pelo interesse geral, relevante e útil a todos os stakeholders e à gestão adequada das organizações. A prestação de contas das cooperativas obrigam à apresentação das contas do exercício (Balanço e Demonstração de Resultados, com base no SNC) e ainda do relatório de gestão (RG).
30 3 – Conclusões 30 O RG inclui informação financeira e não financeira, divulgando aspetos gerais de gestão e aspetos específicos da situação patrimonial da cooperativa, promovendo um conhecimento dinâmico da organização concluímos que este demonstra ser um instrumento de gestão e divulgação apropriado. 65 cooperativas analisadas; Estudo de caso múltiplo restrito a 5 cooperativas, revelando as dificuldades de divulgação existentes. O estudo de caso: base: um conjunto de indicadores para evidência do comportamento socialmente responsável, divididos em 5 categorias; a metodologia qualitativa, de análise de conteúdos dos relatórios de contas e de gestão das referidas cooperativas de vários anos, classificados através dum sistema de balanced scorecard (BSC). Resultados: Respostas às questões de investigação sobre o estado de divulgação: Q1 – Grau de satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais dos cooperadores? Q2 – Evidência da eficiência económica da cooperativa? Q3 – Avaliação da qualidade de relacionamento da cooperativa com a Comunidade?
31 3 – Conclusões 31 Concluímos que o RG prova ser um instrumento adequado à divulgação. As Cooperativas que se limitam à apresentação de relatórios de contas anuais (financeiro) não divulgam apropriadamente outros parâmetros. Q4 – Identificação de eventuais impactos resultantes da transparência sobre a sustentabilidade. A interação entre controlo e transparência promovidos pelas EES que utilizam o RG demonstra eficácia de gestão e desenvolvimento sustentável. Os resultados obtidos evidenciam a adequabilidade da informação aos requisitos atuais: internamente, como barómetro à gestão por objetivos e a uma gestão orientada por valores; externamente, aumentará a fiabilidade e credibilidade da organização (informação dinâmica, concisa e comparável). O RG deveria ser obrigatório para as cooperativas em geral.
32 3 – Conclusões 32 A análise comparativa processo de benchmarking, que sugerimos seja implementado pelas cooperativas, (orientador da sua gestão, prosseguindo as melhores práticas, em reforço da sua sustentabilidade). Os resultados económicos das cooperativas analisadas, sustentam a sua capacidade de sustentabilidade económica, em contraciclo com a economia nacional um bom reflexo do impacto social gerado. A medição destes impactos gerados suscita-nos um desafio para futuras linhas de investigação. Salienta-se como principal limitação a dificuldade de acesso a informação, limitativa da amostra e reveladora da dificuldade de divulgação que ainda predomina na maioria das cooperativas portuguesas.
33 Muito obrigada pela atenção