Altruísmo e Cooperação

1 Altruísmo e CooperaçãoDante Lara, Henrique Farinelli e ...
Author: Amadeu Gesser Lobo
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1 Altruísmo e CooperaçãoDante Lara, Henrique Farinelli e Marcel Almeida EAE Leituras Orientadas Profª Ana Maria Bianchi

2 •Altruísmo O altruísmo como um enigma: Por que as pessoas agem de forma altruísta? O conceito Linhas de pesquisa e a Psicologia Econômica Altruísmo, Comportamento Pró-Social e Cooperação Incentivos e comportamento de ajuda

3 • Explicações proximais e últimasComo método de investigação do Comportamento e do Altruísmo Explicações proximais: tratam do “como” Explicações últimas: tratam do “porquê” Uma explicação exclui necessariamente a outra?

4 • Exemplo de Ação AltruístaEx: Um jovem ajuda uma senhora a atravessar a rua. A situação e as explicações proximais e últimas A ampliação do conceito de Altruísmo pela explicação última

5 • A função de comportamentos altruístasO desafio às noções básicas da Teoria dos Jogos Sanções de Terceiros A punição por terceiros têm eficácia? Por que terceiros não interessados arcariam com os custos da punição de não cooperadores?

6 • Punição custosa Estariam as pessoas dispostas a tomar pequenos sacrifícios para punir uma firma/pessoa que se comporta inadequadamente?

7 • Punição custosa → 1º Experimento: Jogo do Ditador Cenário: Em uma sala de aula, os estudantes do experimento t tem a oportunidade de dividir 20 US$ de duas maneiras: A) O estudante pega 18, e os outros 2 vão para outro aluno; B) O estudante reparte a quantia meio a meio (10-10); Obs: O estudante que receberá a segunda parcela é desconhecido

8 • Punição custosa → 1º Experimento: Jogo do Ditador Cenário 2: Em outra sala de aula, os estudantes do experimento se deparam com dois estudantes do cenário anterior(A e B), e tem a seguinte escolha: 1) Dividir 10US$ com o jogador A (5-5); 2) Dividir 12US$ com o jogador B (6-6); → O que você faria?

9 • Punição custosa → 1º Experimento: Jogo do Ditador Expectativa: Notar que as pessoas estão dispostas a pequenos t sacrifícios para punir alguém que acredita ter agido de forma t injusta (No caso, o jogador A). Resultados Primeira Sala: 74% dos estudantes dividiram justamente (B); Segunda Sala: 81% dos estudantes preferiram dividir 10US$;

10 • A Hipótese do Altruísmo CompetitivoAs pessoas altruístas competem entre si? Os Agentes Sancionadores Os testes da Hipótese Os critérios indispensáveis que caracterizam uma ação como pró-social A situação de possibilidade de compensação às vítimas Dados conflituosos e como a punição é vista

11 • Os mecanismos proximais do AltruísmoA empatia em relação ao indivíduo em necessidade; A relação entre culpa e punição. Moldura do indivíduo Comunicação As variáveis disposicionais e situacionais

12 •O Papel das emoções morais na puniçãoRaiva: Caroneiros despertam raiva e esperam emoções negativas dos outros Quanto maior a injustiça maior será a punição Como a punição surge de emoções negativas, e as pessoas sabem que caronas despertam emoções negativas então toda a punição consegue ser imediatamente efetiva. Culpa: Causado pela sensação de responsabilidade da pessoa frente a uma injustiça com outra pessoa. É subjetiva e portanto quanto menos responsabilidade a pessoa sentir menos culpa ela vai sentir.

13 • Preferências SociaisA hipótese de comportamento egoísta não é suficiente, todavia existem indivíduos que são predominantemente egoístas Existem diferentes tipos de preferências sociais, modelos que apresentam visões para comportamentos altruístas Reciprocidade ou Reciprocidade Altruísta Aversão à iniquidade Altruísmo puro Inveja

14 •Reciprocidade Reciprocidade muda a forma como indivíduos egoístas agem, fazendo-os colaborar Ela é a forma dominante de comportamento presente para medidas punitivas e uma das mais importantes para recompensas positivas Comparando reciprocidade em situações onde há ganho reputacional (hipótese do altruísmo competitivo) e quando não há ganho reputacional A existência de comportamento recíproco em situações onde não há benefícios imediatos seria uma ¨regra de bolso¨? Não, existem diferenças significativas entre situações com e sem reputação Indivíduos antecipam os comportamentos punitivos

15 •Reciprocidade na competiçãoQuando a qualidade do produto é definida exogenamente (jogadores não mudam a qualidade do produto): Em um jogo de ultimatum as quantias aceitas pelos jogadores eram significativamente menores que sem competição Quanto mais jogadores menores são as quantias aceitas Isto surge do aumento na dificuldade de punir a pessoa fazendo a proposta Quando a qualidade do produto é definida endogenamente (jogadores podem mudar a qualidade do produto): -Reciprocidade anula os efeitos da competição - Isto surge do medo que oferecer um valor muito baixo reduzirá muito a qualidade do produto

16 •Reciprocidade na cooperaçãoCooperação condicional- Reciprocidade faz com que pessoas cooperem quando as outras vão cooperar e não cooperem quando as outras pessoas não cooperam. Pessoas que tem uma preferência social por reciprocidade tem uma tendência à punir pessoas que pegam carona, reforçando um caráter cooperativo Dilema do prisioneiro - No geral entre 40 e 60 por cento das pessoas escolhem cooperar Molduras e arquitetura do jogo afetam o grau de cooperação Indivíduos egoístas afetam pessoas com preferências sociais de reciprocidade de forma negativa, e mesmo que como minorias podem deteriorar totalmente a cooperação

17 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento: Cenário: Em um grupo de 10 pessoas, cada uma recebe uma quantia de 5 dólares. Cada pessoa pode escolher uma quantia para colaborar com um pote de “bens públicos”. Por fim, a quantia arrecadada será dobrada e redistribuída igualmente para todos os indivíduos.

18 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento: Cenário: Em um grupo de 10 pessoas, cada uma recebe uma quantia de 5 dólares. Cada pessoa pode escolher uma quantia para colaborar com um pote de “bens públicos”. Por fim, a quantia arrecadada será dobrada e redistribuída igualmente para todos os indivíduos.

19 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento: Expectativas: A estratégia racional seria não colaborar com nada. Afinal, se o valor que retorna ao jogador é menor do que a sua contribuição inicial, ele sai no prejuízo. Exemplo: Só 1 jogador contribui com 1US$ → 2US$ são redistribuídos entre os jogadores → Cada jogador recebe 20 centavos de dólar, mas só o que contribuiu termina com menos.

20 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento: Entretanto, se nenhum dos 10 indivíduos contribuírem, eles terminam o jogo com metade do que poderiam ter terminado caso todos tivessem decidido doar toda a quantia (5US$) para o pote. → Dessa forma, qual o resultado esperado?

21 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento: Resultados: Na média, as pessoas contribuíram com metade das suas dotações para o pote de bens públicos. Em um outro experimento, realizado com economistas, o resultado observado ficou em torno de 20%. → Se o experimento fosse repetido várias vezes, qual seria o resultado esperado?

22 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento (Marwell e Ame): Resultados: A taxa de colaboração média cai de 50% para 0. Hipótese: Conforme os jogadores vão jogando, eles percebem que a melhor estratégia é não doar nada (apenas receber), e assim adotam a postura egoísta.

23 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento (J. Andreoni): Resultados: Ao propor o reinício do jogo sob as mesmas condições, percebe-se que as taxas de contribuição voltam ao nível inicial (50%), e não recomeçam do zero, como esperado.

24 • Cooperação e Bens Públicos→ Experimento (J. Andreoni): Conclusão: Isso revela que o jogo não induz o indivíduo a adotar a estratégia egoísta, e sim que o jogo revela que alguns dos indivíduos são egoístas, e dessa forma, nenhum indivíduo gostaria de sair perdendo. Ao perceber que alguns jogadores deixam de contribuir com a mesma quantia, os demais jogadores passam a fazer o mesmo.

25 •Reciprocidade e puniçãoA necessidade e mecanismos sociais para manter a cooperação A eficiência da punição A taxa, ou ``peso das punições´´, reduz com o tempo mas as taxas de cooperação se mantêm altas porque a mera ameaça de punição e a memória emocional negativa em relação a ela é suficiente para manter a cooperação em níveis altos Pergunta: Seria a punição uma medida motivada principalmente por estratégias racionais? Ou seria motivada por reações emocionais?

26 Punição é uma estratégia racional?Comparando reciprocidade em situações onde há ganho reputacional (hipótese do altruísmo competitivo) e quando não há ganho reputacional A existência de comportamento recíproco em situações onde não há benefícios imediatos seria uma ¨regra de bolso¨? Não, existem diferenças significativas entre situações com e sem reputação Indivíduos antecipam os comportamentos punitivos (exemplo de Ultimate Games)

27 Punição é uma estratégia racional?A teoria dos jogos com infinitas interações repetidas não é suficiente para entendermos totalmente a relação da punição Em jogos finitos e com apenas uma rodada punição não estratégica como ferramenta para garantir a cooperação existe Considerações sobre justiça são uma importante força motriz para a decisão. As pessoas quase sempre não vão punir a outra pessoa, mesmo que estrategicamente bom, sem acharem que a punição não é uma resposta justa, ou se temerem retaliações. Em contrapartida, mesmo que a recompensa daquele que punem reduza por causa disso, ainda assim por uma questão de justiça, a punição será realizada

28 •Reciprocidade e puniçãoExperimento para checar se a punição é racional: Punição com grupo de pessoas que vão passar todas rodadas juntos (benefício estratégico em punir) vs Punição com grupo de pessoas que só vão interagir uma vez entre cada um (nenhum benefício para a pessoa que puni já que não vai ver a outra pessoa novamente) As emoções como gatilhos

29 • Bibliografia • THALER, R. Misbehaving: The Making of Behavioral Economics. W. W. Norton & Company, Capítulo 15. p • FEHR, E.; FISCHBACHER, U. (2002): Why social preferences matter: the impact of non-selfish motives on competition, cooperation, and incentives. Disponível em: • FERREIRA, D.; EVANS, E. (2015). Altruísmo, sanções de terceiros e cooperação: Uma introdução à pesquisa em psicologia econômica. In: ÁVILA, F.; BIANCHI, A. (Orgs.)(2015) Guia de Economia Comportamental e Experimental. São Paulo. EconomiaComportamental.org. p

30 • Bibliografia • WINTER, E. (2015). Por que a Economia Comportamental deve investigar mais as emoções e menos os vieses cognitivos. In: ÁVILA, F.; BIANCHI, A. (Orgs.)(2015) Guia de Economia Comportamental e Experimental. São Paulo. EconomiaComportamental.org. Disponível em p • NELISSEN, R. M. A.; ZEELENBERG, M. (2009). Moral emotions as determinants of third-party punishment: Anger, guilt and the functions of altruistic sanctions. Disponível em:

31 • Bibliografia • FEHR, E.; GATCHER, S. (2002). Altruistic punishment in humans. Disponível em: