Aula - Escola Paulista de Sociologia – a questão racial no Brasil; desigualdade; a revolução burguesa no Brasil; dependência.

1 Aula - Escola Paulista de Sociologia – a questão racial...
Author: Mirella Caminha Alencastre
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1 Aula - Escola Paulista de Sociologia – a questão racial no Brasil; desigualdade; a revolução burguesa no Brasil; dependência

2 Como explicar o dinamismo da economia brasileira que mesmo com autonomia continua com seu centro definido externamente? em comparação aos outros países da AL (dinâmica) Porque esse dinamismo mesmo tendo gerado uma base produtiva diversificada reitera a exclusão social? Pobreza, desigualdade regional(estrutura) Como compreender a presença de elementos arcaísmos e modernos na estruturação da sociedade brasileira? (estrutura e dinâmica) Historia + totalidade Dar conta das peculiaridades da formação social brasileira; forma particular de realização do capitalismo

3 Pensamento social brasileiro (1880-1950)O atraso brasileiro em relação à Europa Ocidental. : Determinismo racial (Oliveira Vianna). : Culturalismo: Modernistas, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre. Gilberto Freyre (1936): o mestiço é a síntese do Brasil. Ele traz á contribuição civilizatória do português, somada a contribuição cultural dos indígenas e negros. Esta seria a nossa democracia racial. No Brasil, não haveriam raças mas “etnias”, que se toleram e se misturam sem limitar direitos e oportunidades as “pessoas de cor”. Década de 1950: Nacional-desenvolvimentismo: crença no capitalismo nacional.

4 Principais expoentes 1930-60Expoentes do pensamento social brasileiro pós-1930: Gilberto Freyre, Caio Prado Junior, Celso Furtado, Sergio Buarque de Holanda, Alberto Guerreiro Ramos. Fundadores da Escola Sociológica Paulista:•Florestan Fernandes ( )•Fernando Henrique Cardoso (1931) •Octávio Ianni( ) O atraso como eixo Florestan: razões, perfil e efeitos do atraso: analise diferente, recusa visão dualista, a mudança não supera o atraso – explicação não linear. Os extremos se encontram

5 Padrão teórico=metodológico:Os princípios que orientam o centro não se aplicam mecanicamente a periferia Macrointerpretação e analise de conduta individual: o negro – seu lugar denúncia limites de uma verdadeira participação democrática Limites na constituição de sujeitos políticos em uma sociedade com heranças autocráticas A analise a partir da periferia permite indagar sobre os princípios que articulam o sistema

6 Os Negros como objeto-chave na compreensão totalizante sobre o BrasilAnálise não se restringe somente à questão racial. A Escravidão é tomada como instituição essencial da formação social brasileira Ênfase na integração dos negros na sociedade capitalista brasileira Desprivilegiados pelas desvantagens históricas da escravidão

7 O meio rural como objeto-chave na compreensão totalizante sobre o BrasilIdentificar e interpretar as raízes agrárias da formação nacional “O rural é o ponto nevrálgico que permite perceber o padrão de realização do capitalismo brasileiro” É o estudo do mundo rural que permite mostrar o funcionamento da sociedade como um todo. Relações entre capitalismo e tradicionalismo no Brasil (Weber) Concepção do capitalismo brasileiro > estrutura fundiária > relações de produção no campo > desenvolvimento desigual do capitalismo > relações entre agricultura e indústria > transformações na estrutura produtiva > mudanças na sociedade

8 Tensão social como elemento constitutivo da sociedade brasileiraVisão anterior: tensão social como expressão de anomia (Durkheim), como ameaça à ordem social Escola Sociológica Paulista: a tensão social sempre presente na sociedade brasileira tem valor heurístico, isto é, tem importância para a compreensão do objeto, é parte constitutiva do problema (Marx) A tensão caracteriza a dependência brasileira como uma categoria múltipla, não apenas vinculada à subordinação externa Capitalismo dependente = heteronomia/autonomia polarização A tensão caracteriza a dependência

9 Tese: a rigidez da estrutura social brasileira é impeditiva de um relacionamento social (moderno) fundado em direitos Problemas em diferenciar claramente a esfera pública da esfera privada (corrupção; “jeitinho brasileiro”) Crise social é interpretada como reflexo das tensões existentes Oferece possibilidades ao sociólogo(a) de ver além das aparências Necessidade de distinguir no momento contemporâneo a presença viva e ativa de estruturas fundamentais do passado (“Sociologia da história lenta”)

10 É um desafio para a sociologia brasileira explicar nossa sociedade a partir de modelos e conceitos distintos dos clássicos (europeus, norte-americanos, etc) A construção da nossa sociabilidade se dá através de processos de acomodação, assimilação, adaptação e competição que são particulares ao Brasil A modernidade continha um grande potencial de emancipação humana na sua origem (esperança) Esse potencial não se realizou completamente em nenhum lugar do mundo (desilusão) No Brasil, é preciso entender como esse potencial deixou de se realizar, e Qual é a sociedade resultante desse processo? Quais são suas dinâmicas e estruturas específicas?

11 Debate sobre o mito da democracia racialuma nova geração de cientistas sociais, estudando as relações raciais no Brasil, chegou a conclusões bastante diferentes. Estes cientistas acumularam uma nova quantidade de evidências de que os brancos no Brasil foram preconceituosos e de que os negros, apesar de não terem sido legalmente discriminados, foram “natural” e informalmente segregados. A maioria da população negra permaneceu numa posição subalterna sem nenhuma chance de ascender na escala social. As possibilidades de mobilidade social foram severamente limitadas aos negros e sempre que eles competiram com os brancos foram discriminados. No Brasil, o mito da democracia racial obscureceu as diferenças raciais. Em ambos os casos, a “verdade” das gerações passadas tornou-se o mito da geração atual.

12 Como puderam os brasileiros cultos, fossem eles brancos ou negros, ignorar a discriminação racial quando esta estava claramente demonstrada pelas estatísticas oficiais amplamente divulgadas? É importante explicar não apenas como os brasileiros puderam ser cegos a tais realidades sociais, mas também por que eles intencionalmente definiram o Brasil como uma democracia racial. O que os levou a negar que seriam preconceituosos? Que funções tinha esse mito? Como era usado? A quem beneficiava?

13 Após a Independência, com a criação das formas representativas de governo, a necessidade de a elite controlar o eleitorado deu nova força ao sistema de clientela e patronagem. A relativa expansão do mercado internacional e a abertura de novas carreiras na burocracia, no direito, no jornalismo e na engenharia tiveram o mesmo efeito. A expansão, entretanto, foi limitada e continuou sendo possível à elite manter as tradicionais formas de controle sobre o processo de mobilidade social. No século XX, entretanto, com o incremento da urbanização, o crescimento da população (a população brasileira aumentou de 14 milhões para mais de uma centena de milhões desde 1890) e a relativa distribuição da riqueza, tornou-se difícil para a elite tradicional conservar sua posição. Houve divisões no interior da elite. Setores “progressistas” opuseram-se a grupos tradicionais. As emergentes classes médias urbanas tiveram uma chance de escolher entre permanecer como clientela das oligarquias tradicionais ou seguir os novos grupos. Puderam até mesmo sonhar com o desenvolvimento de uma visão do mundo autônoma e de uma ação política independente.

14 durante esse período que uma série de levantes e conspirações envolvendo militares, setores da classe média e trabalhadores ameaçou a ordem política, culminando numa revolução em 1930, que colocou um fim à hegemonia política das oligarquias tradicionais A geração de Gilberto Freyre foi surpreendida por esse processo de rápidas mudanças. Seus representantes viram o crescimento das novas usinas que substituíam os tradicionais engenhos de açúcar. Observaram um grande número de outras indústrias sendo construídas no sul. Descobriram um novo problema social: a classe operária. Viram os filhos de imigrantes tornarem-se empresários e os membros da “aristocracia” tradicional ocuparem posições insignificantes.35 Confrontaram um novo estilo de vida e de política e não ficaram muito satisfeitos com o que viram.

15 Nada parecia mais oportuno do que falar a respeito da democracia racial brasileira,O problema era que, com a gradual derrocada do sistema de clientela e patronagem e com o desenvolvimento de um sistema competitivo, tornava-se mais difícil para negros e brancos evitar situações em que o preconceito e a discriminação tornar-se-iam visíveis. Se a manifestação de preconceito era basicamente incompatível com o velho sistema de clientela e patronagem, numa sociedade competitiva ela transformava-se num instrumento natural usado pelos brancos contra os negros. Os brancos tornaram-se mais conscientes de suas atitudes preconceituosas, uma vez que tinham que confrontar os negros em lugares que eles raramente freqüentavam antes (clubes, teatros, universidades e hotéis da classe superior) ou em momentos em que tinham que tratar, face a face, com um negro “agressivo”, “arrogante”, que não cumpria seu papel de acordo com as expectativas tradicionais de humildade e subserviência.