Comentários sobre o texto de Jürgen Meisenbach: “Acidentes Envolvendo Máquinas com Dispositivos de Proteção: Erro do Usuário ou de Erro de Concepção?”

1 Comentários sobre o texto de Jürgen Meisenbach: “Aciden...
Author: Rodrigo Palmeira Carneiro
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1 Comentários sobre o texto de Jürgen Meisenbach: “Acidentes Envolvendo Máquinas com Dispositivos de Proteção: Erro do Usuário ou de Erro de Concepção?”

2 Introdução Pensar a segurança desde a fase de concepção da máquina ou dispositivo. Considerar os diferentes usos ou tarefas que o equipamento terá especificando situações de perigo e risco próprias a cada uma. todas devem ser alvo de medidas de prevenção

3 Exemplo do trabalhador alcoolizadoUma das maiores contribuições do texto é o fato de não parar a análise de acidente diante do julgamento superficial que a informação inicial incentiva. põe em relevo a necessidade de reconstruir as circunstâncias operacionais em que surge o comportamento de “bypassar” a proteção existente, ou seja, de desrespeito à norma de segurança vigente Não retoma aspecto do uso do álcool na discussão!

4 Como o comportamento indesejado vira hábito?Comportamento seguro Esforço extra Desvantagem, falha. Mudança de comportamento Comportamento impróprio Vantagem, sucesso. Repetição Comportamento inadequado

5 Comentários Processo seria individualizado, ou seja, centrado na pessoa do operador Esquema é reducionista Nenhum trabalho é realmente isolado. A escolha, a adoção e a consolidação de determinada prática mostram estreitas relações com a história da inserção, do trabalhador que a realiza, no coletivo de pessoas a que se vincula. Comportamentos incluídos no repertório dos sujeitos individuais são aqueles reconhecidos e aceitos pelo coletivo a que pertence.

6 A construção do reconhecimento social da condição de pertencimento do sujeito a um determinado grupo mostra-se associada ao reconhecimento do desenvolvimento de suas habilidades e saberes, enfim de sua competência para lidar de forma útil e prática com as dificuldades vividas no trabalho pelo grupo. Ou seja, sua capacidade de realizar a tarefa, conforme determinações da empresa, mas ao mesmo tempo, considerar seus próprios objetivos ... de trabalho, de desenvolvimento de seu aprendizado, de reconhecimento por parte do coletivo que integra. Isso não significa a anulação do sujeito na situação de trabalho. Mesmo nas situações de hierarquias rígidas os trabalhadores desenvolvem formas particulares de escolher valores e de fazer o seu trabalho de modo que possibilite a expressão de sua individualidade. O trabalhador não se submete passiva e nem totalmente aos imperativos da organização do trabalho.

7 Aspectos não explorados no esquemao contexto, as variabilidades incidentais os constrangimentos de aumento das pressões de tempo e de produção.

8 Norma DIN ISO 1088 A1: 2007: O “bypass” razoavelmente antecipávelNorma não é considerada no texto. “Tampering” é definido como “desativar ou tornar inoperante dispositivo de proteção tendo como resultado o fato de que a máquina passa a ser usada de modo não pretendido pelo seu designer ou sem as necessárias medidas de segurança”

9 Condições que incentivam o bypass:Dispositivos de proteção que não criam embaraços ou dificuldades ao processo de trabalho geralmente não são “bypassadas”. Não há benefício em fazê-lo. Dispositivos de proteção que criam embaraços ou dificuldades ao processo de trabalho incentivam seu próprio “bypass”. A probabilidade de “bypass” de dispositivos de proteção impróprios é diretamente proporcional ao benefício resultante. Os benefícios do “bypass” de dispositivos de proteção dependem da operação a ser realizada no equipamento

10 Terminar o “bypass” não implica em devolver a máquina à sua condução original. No pior dos casos, o dispositivo de proteção que foi “bypassado” pode permanecer nessa condição de modo permanente. Se tarefas tais como a inicialização ou partida (“setup”), não forem consideradas durante a concepção da máquina, o “bypass” de dispositivos de proteção torna-se inevitável, pois não há outro jeito possível para operar a máquina.

11 Check list de possibilidades de bypass.Para cada tarefa a ser realizada, explorar: a) os modos de operação possíveis (manual, automático, “setup”); b) se a operação pode ser realizada sem a desativação da proteção (sim ou não) e; c) se a desativação da proteção traz benefício para o operador (não, pequeno, substancial).. Conclusão: chance de bypass é: Baixa, média, alta. Se alta: não operar máquina sem mudanças!

12 Benefícios possíveis com o bypass da proteçãomaior facilidade ou conveniência, aumento da produtividade ou da rapidez de realização, aumento da precisão, melhora da visibilidade, menor esforço físico, redução de deslocamentos, aumento da liberdade de movimentos, melhora no fluxo de movimentos, evitar interrupções, etc.

13 A norma lida de forma especial com a idéia da adesão do trabalhador a normas ou procedimentos de segurança Considerar como praticamente inaceitável a norma que recomende comportamento cujo desrespeito implica em benefício para o trabalhador (nos termos citados) - quando bypassada

14 Comportamentos intencionais e punições.Texto não discute classificação de comportamentos segundo intenção Usa frase pode ser entendida como defesa a priori da prática de punir responsáveis por comportamentos faltosos Depois de ressaltar que os comportamentos em questão têm origens operacionais e não em características da pessoa do operador Meisenbach conclui de modo aparentemente moralista. É possível, que essa atitude seja influenciada pela leitura individualizante que faz do processo de construção do hábito de desrespeitar a norma.

15 Após aproximar-se da noção de trabalho real com a exploração das “origens operacionais dos comportamentos” em situação de trabalho, ele regride para o receituário tradicional da Engenharia de Segurança.

16 O que significaria ir fundo na busca de origens dos comportamentos?Eexplorar noções como a de condições incubadas na história do sistema que se revelam associadas ou como facilitadoras das origens de comportamentos que participam de acidentes. Buscar as formas historicamente construídas no sistema de lidar com suas variabilidades e que ajudam os trabalhadores a resolver problemas ou superar dificuldades. Mas que, simultaneamente, criam novos tipos de riscos que se revelam então como propriedades emergentes do sistema