EDUDAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A DISTÂNCIA:

1 EDUDAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A DISTÂNCIA:CONEXÃO POSSÍV...
Author: Carolina Lobo Castanho
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1 EDUDAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A DISTÂNCIA:CONEXÃO POSSÍVEL ÂNGELA MARIA DOS S. FARIA – UCSF DENISE MARIA SOARES LIMA - UCB

2 Introdução Este artigo descreve as ações que mobilizaram um grupo de docentes, gestores e técnicos para acrescentar à modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) a Educação a Distância (EaD) na rede pública do Distrito Federal.

3 Considerações iniciaisEm 2004, no campo da EAD, não havia no Brasil nenhuma experiência na rede pública de educação. As experiências no Distrito Federal com o uso das Tecnologias Informação e Comunicação (TIC) para EJA não eram de forma contínua, mas de maneira esporádica, por iniciativas de alguns professores, em projetos isolados com algumas disciplinas. Ao mesmo tempo, a EJA estava sendo reestruturada, momento em que se discutia a mudança a estrutura curricular do ensino presencial, adotando-se grade curricular fechada e presença obrigatória.

4 Considerações iniciaisO MEC estava disponibilizando a Plataforma, e-ProInfo para a implementação de programas de EAD, computadores com internet e ministrando a capacitação inicial para os profissionais envolvidos nos programas, principalmente para docentes. Desta forma, não havia a necessidade de grandes investimentos em recursos materiais pelo governo local, o que viabilizou a proposta economicamente.

5 Montagem A primeira equipe foi formada por processo seletivo simplificado, através de circular enviada para todas as unidades da SEDF. Os profissionais que se inscreveram foram selecionados com base em currículo, experiência em EAD e entrevista. Inicialmente, onze docentes foram selecionados; além destes, integraram-se à equipe: uma coordenadora geral, uma coordenadora pedagógica, uma web designer e um analista administrativo.

6 Finda a composição do quadro profissional, o primeiro semestre de 2005 foi dedicado à construção do planejamento e elaboração dos materiais didáticos virtuais, montagem do espaço físico que abrigaria o Centro de Educação a Distância da SEDF, nomeado como Central de Tutoria, que se estabeleceu no Centro de Educação de Jovens e Adultos da Asa Sul (CESAS).

7 O marco legal da criação da EJA/EAD se dá com publicação da Portaria nO marco legal da criação da EJA/EAD se dá com publicação da Portaria n.º 142 de 19/05/2005, no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), n.º 93. Desta forma, no segundo semestre de 2005, em 01 de agosto, inicia o primeiro curso a distância para o 3º segmento na nomenclatura da EJA, equivalente ao Ensino Médio, com 120 alunos (51 mulheres e 69 homens). Em 2006, foi estendido para o segundo segmento, séries finais do Ensino Fundamental, que corresponde às 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries, pela Portaria n.º 294/2006, publicada no DODF n.º 176.

8 Pesquisa Qualitativa Nesta perspectiva de compreender a construção coletiva de um sistema novo e complexo, optou-se pela escuta de narrativas de cinco docentes, na ativa desde a elaboração do projeto. Quanto ao perfil, todos os participantes são concursados há mais de quinze anos, têm pelo menos o título de especialista e acumulam cursos de formação continuada especificamente para área que atuam, ou seja, tutoria, elaboração de material para EAD e similares. Em relação ao gênero, o grupo feminino lidera com quatro mulheres. Entende-se que este grupo pioneiro, ao aderir a proposta do exercício da docência nesta nova sala de aula, trouxe para si o compromisso de superar paradigmas já estabelecidos em sua práxis.

9 Falas pioneiras O soldado sapator é aquele que trabalha como braçais abrindo caminhos em locais desconhecidos e íngremes, assim como os exploradores dos sertões. Este desbravamento é revelado por um dos participantes: Era uma coisa nova para nós. Tivemos que pesquisar bastante e muitas coisas fazíamos por tentativas e no escuro. Não tínhamos onde pesquisar, pois nem na rede particular tinha EJA/EAD. As únicas referências que tínhamos eram da Educação Profissional ou Graduação. Pegamos os princípios e Legislação de EJA e dos cursos de graduação e pós-graduação e profissionalizantes. E elaboramos a primeira proposta de Educação a Distância para EJA que foi submetida ao Conselho e ao Secretário de Educação. (P1)

10 Falas pioneiras Concomitante a criação e funcionamento da Universidade Aberta do Brasil (UAB), em nível federal; pode-se dizer que o Distrito Federal assumiu a dianteira neste empreendimento. Entretanto, algumas falas revelam que a política governamental deixou a desejar: Em muitos momentos, faltou incentivo da própria Secretaria...(P2) Falta de apoio estrutural da Secretaria de Educação, isto é, falta de pessoal para as atividades administrativas principalmente. Além disso, tivemos muitos problemas de logística como falta de internet, de equipamentos mais modernos. (P3) No nosso projeto, sempre faltou infraestrutura. O local não era adequado, os professores não tinham capacitação. Tivemos que buscar capacitação por nossa conta, tivemos que nos virar sozinhos, fazer de tudo: elaborar material, colocá-lo no ambiente e fazer a tutoria. Sempre faltou suporte operacional. P1)

11 Falas pioneiras  Porém, as dificuldades enfrentadas não foram suficientes para desmobilizar o grupo de professores e equipe de coordenação na luta pela defesa do programa por entender que ele atende a uma parcela da população que de outra maneira não poderiam estudar: Para mim o que mais é relevante na EJA/EAD é a possibilidade de inclusão aos estudos de uma clientela excluída da rotina escolar pela própria necessidade de trabalho ou problemas de saúde como, por exemplo, falta de acesso a alunos com necessidades especiais físicas (cadeirantes, portadores de doenças degenerativas, etc.), alunos que se afastaram da escola por serem alvos de bullying, dificuldades de aprendizagem, dislexia, etc., e não tiveram a devida atenção por parte da escola que frequentavam. (P3) Diante de tantas diversidades da nossa clientela, podemos atender a alunos das mais várias síndromes, desde a do Pânico, fobia social a doenças degenerativas com total comprometimento físico e aqueles com restrições de tempo de frequentar a sala de aula normal, assim como segurança de não ter que sair de casa à noite. (P1)

12 Resultados e DiscussãoOs resultados preliminares indicam que na construção do projeto EJA/EAD houve um componente coletivo que moveu o grupo em direção à uma ação política-pedagógica. Neste sentido, afirma Freire (1996, p. 30): “[...] vamos programar nossa ação político-pedagógica, não importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se de evangelização, se de formação de mão-de-obra técnica”. Assim, o autor entrelaça dois momentos importantes para o educando na construção de quaisquer projetos, convicção e mudança, constituindo-os como saberes fundamentais nesta tarefa.

13 Resultados e DiscussãoAssim, neste caminhar, após a primeira década, o grupo discorre sobre suas principais necessidades, como demonstrado no quadro a seguir, e quais as conquistas mais relevantes: Participantes NECESSIDADES ATUAIS DA EJA/EAD Ampliação do quadro docente Apoio técnico e administrativo Alteração do sistema Planejamento estratégico Divulgação do projeto P1 X P2 P3 P4 P5 Elaboração das autoras.

14 Resultados e DiscussãoNestes 10 anos, mesmo com a continuada reformulação do grupo pioneiro, por aposentadorias e readaptações, a equipe mantém a motivação inicial a fim de garantir o funcionamento institucional, o acesso e a permanência de jovens e adultos na EAD: Pela experiência vivenciada ao longo desses 10 anos em EJA/EAD, após vencidas as dificuldades de adaptação dos alunos à nova modalidade, muitos deles conseguiram se formar na educação básica e deram continuidade aos estudos. Assim acredito que a modalidade de EJA/EAD vem alcançando seus objetivos. (P5) Ao longo de 10 anos já tivemos várias conquistas, hoje temos mudamos para uma plataforma mais dinâmica e fácil para os alunos. Temos um layout melhorado e cada professor agora tem um computador a sua disposição e a conexão da internet melhorou. (P4) As mudanças é ver que está dando certo. Devido ao grande número de alunos que conseguem obter êxito e a grande procura. Pena não termos condições de atender toda a demanda do Distrito Federal, Somos reconhecidos e respeitados pelo nosso trabalho árduo, mas de boa qualidade. (P2) Foi uma batalha que valeu e vale à pena! Relembrar quando começamos e perceber o quanto avançamos e quantas vidas conseguimos mudar a hi. Só tenho a agradecer a oportunidade de desenvolver um trabalho tão prazeroso e gratificante que é a EAD (P1).

15 Resultados e DiscussãoNeste entendimento, o programa da EJA/EAD hoje se encontra mais fortalecido em função do crescimento de número de alunos e procura pelo programa, de modo que os gestores já não podem ignorar este aspecto. Com a mudança para a plataforma Moodle aumenta, ainda mais as possibilidades de acesso, que também pode se realizar através de dispositivos móveis.

16 Conclusão Entende-se que a EJA/EAD passou por avanços e retrocessos, entretanto, as dificuldades salientadas pelo grupo em face das políticas públicas estatais não são atos isolados no Brasil. A EAD ainda é uma conquista recente nos estabelecimentos escolares e a implementação de TIC para o atendimento de grupos excluídos socialmente ainda não é realidade no país, não por acaso, os atuais programas reclamam as mesmas demandas enfrentadas no estudo em questão. Nesta trajetória, estes pioneiros se reconhecem como sujeitos desbravadores, também os alunos que acreditaram numa forma de estudar até então desconhecida para eles, pois foram corresponsáveis na construção e consolidação do programa. As palavras de Darcy Ribeiro revelam o sentimento atual: “Sempre há o que aprender, ouvindo, vivendo e, sobretudo, trabalhando, mas só aprende quem se dispõe a rever as suas certezas”.

17  REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL (ABT). Disponível em: . Acesso em: 02 maio de 2015.  BARDIN, Laurence. Análise do conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2009.  BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação. Disponível em: < Acesso em: 05 maio 2015.  BRASIL. Lei nº , de 9 de janeiro de Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, DF, 9 jan Disponível em: . Acesso em: 03 maio  CAPUTO, Stela Guedes. Sobre entrevistas: teoria, prática e experiências. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.  DISTRITO FEDERAL. Portaria n.º 142 de 19/05/2005, Diário Oficial do Distrito Federal. Brasília, DF, 19 de maio de Disponível em: < Acesso em 20 maio 2015.  FERREIRA, Simone de Lucena; BIANCHETTI, Lucídio. As tecnologias da informação e da comunicação e as possibilidades de interatividade para a educação. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 13, n. 22, p , jul./dez., Disponível em: < Acesso em: 22 maio 2015. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.  LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed 34 Ltda, 1999.  MANZINI, Eduardo José. Considerações sobre a elaboração de roteiro para entrevista semi-estruturada. In: MARQUEZINE: Maria Cristina; ALMEIDA, Maria Amélia; OMOTE, Sadao. (Orgs.). Colóquios sobre pesquisa em Educação Especial. Londrina: Eduel, p  MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 2000.  NONATO, Emanuel do Rosário Santos; SALES, Mary Valda Souza. Hiperleitura e Educação. Hipertextus – Revista Digital, Recife, v. 1, p. 1-10, 2007.  PATTON, Michael Quinn. Qualitative research & evaluation methods. Thousand Oaks, Calif: Sage. 3 trd. edit, c.2002.  PERRENOUD, Philippe. Dez Novas Competências para Ensinar . Porto Alegre: Artmed, 2000.  SCHNEIDER, Henrique Nou. Interface de Software Educacional: a questão da usabilidade. In: CRUZ, M.H.S. Pluralidade dos saberes e territórios de pesquisa em educação sob múltiplos olhares dos sujeitos investigadores. Aracaju: Editora UFS 2008, p

18 Grata!