Estratégias de adubação para mitigar riscos climáticos

1 Estratégias de adubação para mitigar riscos climáticosD...
Author: Neuza Frade Pais
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1 Estratégias de adubação para mitigar riscos climáticosDepartamento de Desenvolvimento de mercado

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3 Investindo em perfil de soloPodemos mitigar riscos climáticos com uso de fertilizantes? Como mitigar riscos climáticos? Investindo em perfil de solo

4 F. Alta Concentração F. Baixa Concentração 1 12 47 61 62 73 90 74 14Profund. (cm) Presença de raiz 1 12 47 61 62 73 90 74 Saturação Al (m%) Água disponível 14 30 21 12 17 18 22 8 Saturação Al (m%) Presença de raiz 13 mm 15 30 45 60 75 90 105 120 20 mm 22 mm 26 mm 28 mm Fonte: Adaptado de Ritchey et. al. (1980) 29 mm 31mm Será que isso tudo que falamos é verdade? Temos aqui um outro estudo mostrando novamente que isso realmente funciona! Foi feito um experimento em que algumas plantas foram adubadas com fosfatados de alta concentração e outras plantas com baixa concetração. Como isso influencia? O pesquisador avaliaou primeiramente o quanto da CTC estava ocupada com aluminio em cada profundidade do solo. O solo que recebeu alta concentração estava com 47% da ctc ocupada com aluminio logo abaixo dos 30 cm de solo, enquanto no solo que foi aplicado fosfatado de baixa o solo apresenta pouco aluminio ocupando a ctc do solo o que proporciona que as raízes desenvolvam sem limitação. Posteriormente foi avaliado até que profundidade se tinham raízes e vejam: a planta adubada com alta concentração tinha raíz até 45 cm enquanto plantas adubadas com fontes que contém sulfato de cálcio tem raízes até 120 cm de profundidade. O que isso implica, além logicamente de maior exploração de solo e absorção de nutrientes? Profundidade de raízes significa AGUA. O que significa uma raiz a 45 e outra a 120 cm de solo? O pesquisador avaliou quanto de água disponivel pra planta tinha em cada de solo que são os numeros da coluna central (13, 20, , 30). Então fazendo as contas: uma planta que tem 45 cm de raíz tem acesso aos mm totalizando 55 mm de água. Quanto uma planta de soja ‘bebe’ de agua por dia? Em torno de 8 mm. Então esta planta tem acesso a 55 mm de agua e bebe 8 mm por dia, ela tem água por sete dias (55/8= 6,875). E a planta com fosfatado de baixa? Esta tem 120 cm de profundidade de raízes, e acesso a agua de outras camadas, que somando tudo na coluna central temos 199 mm de agua disponivel. Consideramos que a planta de soja bebe os mesmo 8 mm de agua por dia e fazendo a conta, esta planta tem reserva para 25 dias (199/8=24,875 dias) de água. Agora relembrando o começo de nossa apresentação, quantos dias de veranico ocorrem o quanto de solo seca vemos que um veranico de 7 dias ocorre 3 vezes ao ano e um veranico de 25 dias ocorre a cada 7 anos. Mais uma vez... A planta nutrida com fosfatado de alta concentração ‘passa sede’ tres vezes por ano enquanto uma planta adubada com fosfatado de baixa concentração ‘passa sede’ uma vez a cada 7 anos. Então esta é a diferença. Colocando fosfatado de baixa concentração se tem raíz em profundidade, que tem mais acesso a agua, que explora maior volume de solo, que absorve mais nutrientes, e que TOLERA MAIS O VERANICO. 30 mm Quantidade de água 55mm 199mm T SP SSP Dias de tolerância sem água 7 dias 25 dias T SP SSP Profundidade da raiz 45cm 120cm T SP SSP Evapotranspiração de soja 8mm T SP SSP

5 Local: Capão Bonito - SPResultados de alta produtividade – CESB Raízes em profundidade = lavoura produtiva Local: Ponta Porã – MS Local: Capão Bonito - SP

6 Resultados de alta produtividade – CESB Raízes em profundidade = lavoura produtivaabaixo de 60 cm

7 Resultados de alta produtividade – CESB Raízes em profundidade = lavoura produtiva

8 Probabilidade de ocorrência de veranicos CPAC Brasília, 1975 adaptado de WolfDias de veranico 8 3 x ano 10 2 x ano 13 1 x ano 18 2 x 7anos 22 1 x 7anos Frequência 40 cm Profundidade do solo que atinge ponto de murcha permanente 50 cm 65 cm 90 cm Solo úmido 110 cm

9 Probabilidade de ocorrência de veranicos EMBRAPA, 2013Dias de veranico 10 1 x ano 15 1 x ano 20 1 x ano 25 1 x ano 30 1 x 2 anos Frequência 50 cm Profundidade do solo que atinge ponto de murcha permanente 75 cm 100 cm 125 cm Solo úmido 150 cm

10 Evolução da probabilidade de ocorrência de veranicos após 38 anosEMBRAPA CPAC, 1975 EMBRAPA, 2013

11 Disclaimer Toda a informação discutida nesta apresentação será baseado no Super Fosfato Simples (SSP) como conceito de linha de produto, ou seja, um fertilizante fosfatado de baixa concentração contendo cálcio e enxofre. A Vale Fertilizantes produz uma linha com as características acima através de uma rota adequada às rochas nacionais , não se enquadrando pela legislação como SSP, embora as garantias de teores de P, Ca e S sejam praticamente as mesmas

12 Fatores e Fundamentos de como mitigar risco através da adubaçãoVamos então entrar em maiores detalhes de como foi evoluída a agricultura, com alguns dados de pesquisadores renomados com alguns CONCEITOS da agronomia. 12

13 Quando falamos em novas tecnologias devemos pensar: por que é um novo produto ele é melhor que o antigo? Será que este meu produto tecnológico está atendendo aos conceitos da minha ação? E neste ponto destacamos algo extremamente tecnológico, usado há muito tempo e ainda não foi descoberto substituto. Estamos falando da roda, que é datada de anos antes de cristo e até hoje usada. Logicamente fomos aperfeiçoando, melhorando... Mas o conceito é o mesmo até hoje e não é por isso que a roda deixa de ser tecnologia. 4000 A.C

14 H2O Entrando na parte de agricultura, temos outro fundamento a respeito de plantas. Nos anos de 1800 a 1900 foram determinados quais eram os nutrientes da planta, separando em macro e micronutrientes, de acordo com a exigência da planta, sendo que todos eles são essenciais e que faltando algum deles a planta não completa seu ciclo. Isso deixa de ser tecnologia? Então vamos em frente.... Ni

15 Liebig, 1840 Outro fundamento agronomico....Lei de Liebig ou “lei do barril”, conhecida por muitos, onde é relatado que o nutriente que mais estiver limitando a produtividade da minha planta é o que vai determinar minha produção. Ou seja, não adianta nada ter todos os nutrientes em um nível ótimo se algum não estiver. O que estiver mais limitando vai determinar minha produtividade. Vemos que ainda hoje isto é novo, é mostrado em eventos, é um CONCEITO da agronomia e da nutrição de plantas. Isto é datado de 1840 e por isso deixa de ser tecnologia? Vamos em frente.... Liebig, 1840

16 Tecnologias substituem o fundamento?4000 a.C. Malavolta, 1979 Liebig, 1840 Temos aqui apresentado as tecnologias anteriores e mais algumas outras, como a disponibilidade dos nutrientes é afetada pelo pH do solo, dado de Malavolta em 1979 e o consumo de fertilziantes em relação ao calcário, que para o Brasil deveria ser me torno de 3 toneladas de calcário para uma de fertilizante, enquanto ainda hoje se tem o consumo de paroximadamente uma tonelada de calcario para uma tonelada de fertilizante. Vemos que embora tenham alguns conceitos e regras para a agricultura no Brasil, muitas delas acabam sendo esquecidas por “tecnologias mirabolantes” que prometem diversos benefícios, mas acabam não cumprindo com todo o conceito agronomico. E o que acontece quando uma tecnologia não cumpre com algum fundamento agronomico? Esta tecnologia pode funcionar por algum tempo, em alguma situação específica mas irá certamente fracassar em longo prazo. Então por isso quando se aparece qualquer tecnologia, CUIDADO. Pergunte-se se esta tecnologia atende a todos os fundamentos agronomicos. Colocamos este slide por terem hoje em dia diversas novas tecnologias que se “esqueceram” dos fundamentos e iremos abordar estes aqui, dando maior foco ao fornecimento de cálcio em subsuperficie e a neutralização do aluminio tmabém nesta camada para que possibilite o aprofundamento do sistema radicular, tornando a planta mais tolerante a adversidades climáticas.

17 Dinâmica do cálcio e do gesso no solo CÁLCIO X RAIZUm estudo feito da década de 90 por Pavan separou a raiz de uma planta em dois compartimentos, tendo a diferença de um compartimento para outro unicamente o cálcio e a resposta foi: onde se tem cálcio, se tem raiz. Isto é um ponto agronomico básico em que sabemos: a raiz não cresce onde não tem cálcio ou onde se tem aluminio. Por isso devemos sempre lembrar no manejo da fertilidade do solo se estamos colocando cálcio no sistema, principalmente em profundidade para que a planta explore maior volume de solo absorvendo mais agua e nutrientes. Onde tem cálcio tem raiz Pavan et al.

18 Dinâmica do cálcio no solo Diferentes ânions na distribuição de Cálcio após 1.200 mm1200 mm 0,5 1,0 1,5 4,0 25 60 90 120 150 225 Ca (cmolc .dm-3) Profundidade (cm) 2000 CO32- SO42- Cl- Kg Ca/ha Fonte Então ocorre o seguinte: Quando se fala em calcio, o produtor pensa em calcário. E como normalmente se faz a calagem o produtor acredita que está tudo OK, mas não é bem assim... Temos aqui um estudo em que estudou diferentes fontes de calcio no fornecimento do calcio no solo. Foi feito um experimento em que se usou calcio na forma de carbonato (que é o calcario), na forma de sulfato (gesso agricola e fosfatado de baixa) e cloreto (usado apenas em hidroponia e fertirrigação) Após 1200 mm de chuva o pesquisador fez a avaliação de onde se estava o cálcio de acordo com a fonte aplicada. Vemos no gráfico que o calcio via carbonato não apresenta mobilidade (como é um conceito da agronomia) e portanto o calcio ficou em superficie. Quando se aplicou calcio na forma de sulfato, o calcio ficou grande parte de 25 a 90 cm de profundidade do solo. Ponto importante. Quando pensamos em ter um ambiente com calcio para que a raiz consiga desenvolver e devemos ter calcio em profundidade, devemos saber que temos que usar o sulfato de cálcio, seja presente no SSP ou no gesso agricola e que muitas vezes vem sendo esquecida pelo produtor. Latossolo Vermelho Escuro Argiloso Fonte: Adaptado de CPAC (1979)

19 Estudo de Caso Estratificação das amostras de solo;Gesso x período de atuação; Consequências do manejo nutricional Vamos fazer algumas análises de fertilizantes concentrados contra os de baixa concentração e uma comparação com o que se fazia na agricultura e como é feito hoje e muitas vezes escondido do produtor. 19

20 Propriedades do Solo 2 anos após aplicação de gessoEste é um estudo feito pela fundação MT, em que se fez aplicação de calcário e gesso na superficie do solo e após dois anos foram feitas análises de solo em profundidade para ver como estavam os nutrientes do solo. Neste experimento foram adicionada doses de gesso, partindo de 0 até 11 toneladas e os resultados estão assim: Teor de cálcio, no primeiro grafico. Vemos que embora tenha sido aplicadas altas doses de gesso, o teor de cálcio não está tão alterado, o que nos indica que este cálcio já saiu do sistema, seja pela descido no perfil do solo, seja pela absorção pela planta. No segundo gráfico (teor de S no solo) vemos que ainda se tem enxofre em bons níveis e que a movimentação do S no solo não é tão elevada, como tem sido pregado por algumas empresas. No terceiro grafico (teor de Aluminio) podemos ver que os níveis de aluminio no solo estão praticamente os mesmos, independente da dose de gesso utilizada. O que nos indica que a ação do gesso já está diminuindo, ou seja, a movimentação do gesso está sendo bem acentuada sendo removido do solo em menos de dois anos. No quarto e ultimo gráfico temos um dado extremamente importante. Quanto da minha CTC (capacidade de troca de cátions) está ocupada com aluminio, que é o valor m%. Vamos dar o maior foco para o m% na profundidade de 20 a 40 cm de profundidade e vemos que, independente da dose, todos os tratamentos apresentam m% maior que 20% nesta profundidade. O que isso nos indica? Independente da dose, lembrando os principios de quando eu recomendo gessagem (m% >20%), seria necessário eu refazer a gessagem no meu solo, mesmo tendo aplicado 11 toneladas de gesso dois anos atrás. Conclusão: independente da dose de gesso, a movimentação deste no solo é elevada e em menos de dois anos se faz necessario aplicar novamente. Devemos então ter em mente que precisariamos de fazer, todo ano o fornecimento de cálcio ao sistema e o cálcio que irá movimentar para subsuperficie é o sulfato de cálcio, presente no SSP e no gesso. Zancanaro, 2014

21 Aplicação de Calcário e Fósforo em SuperfícieResultado da aplicação superficial de Fósforo e de Calcário em Sistema Soja /Milho ao longo do tempo Prof. pH (CaCl2) P K Ca Mg Al MO SB CTC V% m% 0-20 4,7 7,6 0,19 2,3 0,9 0,2 3,4 9,2 37 6 Prof. pH (CaCl2) P K Ca Mg Al MO SB CTC V% m% 0-2,5 5,5 19,8 0,37 5,4 1,5 4,1 7,3 10,6 69 2,5-5,0 5,2 13,7 0,27 3,8 1,2 4 5,3 10,3 51 5,0-7,5 4,6 12,4 0,21 2,4 0,8 0,3 3,4 9,8 35 8 7,5-10 4,5 8,4 0,14 1,9 0,7 3,5 2,7 9,5 29 10 10-12,5 3,9 0,12 1,7 0,6 0,4 3,7 9,6 25 14 12,5-15 4,4 1,1 0,5 3 8,2 21 19 15-17,5 4,3 1,4 0,10 1,0 6,4 16 17,5-20 0,2 2,2 6,2 11 42 0-20 4,7 7,6 0,19 2,3 0,9 9,2 37 6 Outro ponto a ser levantado é a atual pratica de adubação em superficie e como isto afeta a fertilidade do meu solo em profundidade. Este solo foi adubado em superfície e se fez uma análise de solo de 0 a 20 cm de profundidade (resultado da ultima linha da tabela). Vendo esta ultima linha vemos que os teores estão interessantes, olhando para cálcio com 2,3, para aluminio com 0,2 e para o m% com 6%. Vendo uma análise desta iriamos imaginar que o solo está otimo. Todavia o pesquisador separou (estratificou) a análise de solo a cada 2,5 cm e se fez a análise de cada camada separadamente. E ai o resultado nos impressiona. Pode ser observado que a fertilidade está concentrada nas camadas mais superficiais e que nas camadas abaixo de 15 cm o solo já tem grandes restrições ao desenvolvimento das plantas. Podemos ver isso principalmente pelo teor de cálcio que abaixo de 0,5 é classificado como muito baixo e o aluminio na camada de 17,5 cm já tem o aluminio acima de 0,5 que passa a ser toxico as plantas. Todavia o dado mais importante é o m% sendo que na camada de 15 cm praticamente 30% da ctc está ocupada com aluminio e na camada de 17cm 42% da ctc é ocupada com aluminio. Sabemos que em m% acima de 20% a planta já tem dificuldade de desenvolver raízes, e agora imagine se uma planta consegue desenvolveer seu sistema radicular tendo mais de 40% da CTC ocupada com aluminio. De modo geral a tabela nos mostra que: a fertilidade do solo quando adubada em superficie concentra os nutrientes nas camadas mais superficiais de solo e também reforça a importancia de se usar fontes que consigam ‘construir’ a fertilidade do solo em profundidade, sendo estas as fontes que contenham sulfato de cálcio (SSP e Gesso). Zancanaro, 2014 Zancanaro, 2014

22 Dinâmica de Ca++ com uso de Pastilha de Enxofre ElementarANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 S elementar ► 20 40 60 80 100 120 Calcário SO4 nutricional não realiza trocas na CTC não lixivia bases Deficiência Ca++ E se optarmos pela aplicação de enxofre elementar, como tem sido muito adotado no Brasil, em que o produtor muda a formulação dos fertilizantes, saindo dos formulados obtidos com fosfatados de baixa concentração para os fosfatados mais concentrados? Aí o produtor faz a conta apenas para fornecer o enxofre contido nos fosfatados de baixa concentração e acaba esquecendo do cálcio. O que isso irá implicar? Vamos ver no primeiro ano: Novamente colocamos sempre a camada de 0-20 cm com cálcio, sendo este advindo calcário e como fica o solo abaixo dos 20 cm? Colocando enxofre elementar, este tem a capacidade (se tiver) apenas de fornecer o enxofre as plantas. Mas este enxofre elementar tem cálcio? Ele consegue levar cálcio para abaixo de 20? NÃO!!! Caso o enxofre elementar seja oxidado ele apenas irá fornecer enxofre mas não irá levar nada de cálcio para subsuperfície e por isso as raízes irão ficar concentradas apenas na parte superficial do solo. E quando vier um veranico? Esta planta irá sofrer e muuuuiiiito com a seca pois todas as suas raízes estão superficiais. E num segundo ano? E no terceiro ano? Quarto? Quinto? NUNCA o enxofre elementar irá construir perfil de solo! SEMPRE o enxofre elementar irá manter as raízes superficiais Enxofre elementar não aprofunda raíz Não acredite que o enxofre elementar substitui o sulfato de cálcio. Sulfato de cálcio não só fornece cálcio e enxofre mas fornece cálcio em profundidade e possibilita o crescimento de raízes em profundidade. Deficiência Ca++ Deficiência Ca++ Deficiência Ca++ Deficiência Ca++

23 Dinâmica de Ca++ com uso de FosmaisANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 Fosmais 20 40 60 80 100 120 Calcário Deficiência Ca++ Deficiência Ca++ E se eu optar pelo fosfatado de baixa concentração, fornecendo fósforo, cálcio e enxofre (na forma de sulfato de cálcio)? Em um primeiro ano o sulfato de cálcio do fosfatado de baixa vai a 50 cm de profundidade e possibilita o crescimento das raízes até ai. Num segundo ano esse cálcio continua descendo, mas aí você aplicou novamente e o que aconteceu? O sulfato de cálcio que voce aplicou desce, o que estava no solo desce e você tem cálcio até a profundidade de 80 cm. E num terceiro ano usando fosfatado de baixa? O calcio que estava no solo desce mais um pouco, o calcio que voce aplicou desce também e se tem um perfil de solo até os 110 cm de solo com cálcio. E num quarto ano? O calcio continuou descendo e você colocou mais calcio na superficie. Agora você fez um perfil de solo com cálcio e que proporcione a raíz crescer em profundidade. Agora sim voce tem uma planta com grande resistencia a veranicos e explorando grande volume de solo, absorvendo grande volume de água e nutrientes. Num quinto ano em diante? Este sistema se perpetua.... Usando os fosfatados de baixa você constrói e mantém um solo fertil, com bons níveis de cálcio, que permitam a raíz crescer. Lembrando que isso foi o que sempre se fez no Brasil, para a maioria das culturas. Os formulados levavam bastante quantidade de fosfatados de baixo e o produtor construiu o solo, sem saber. Depois de feito isso, vem alguem e fala: “agora vamos fazer o fosfatado concentrado (MAP) por conta da parte operacional” e o produtor pensando no operacional muda. O que isso implica? Ele para de colocar sulfato de cálcio no sistema. O cálcio que está no sistema continua descendo, e ai? Ele começa a ter num gradiente de cálcio na camada abaixo de 20 cm de solo. Todo o solo que ele construiu foi destruido em um ou no máximo dois anos, as raízes voltam a ficar superficiais novamente. A planta volta a sofrer por veranico que nunca antes tinha sofrido. Isto é o que aconteceu na agricultura com quem optou unicamente pelo operacional e esqueceu deste FUNDAMENTO da agricultura: é preciso o fornecimento de cálcio constante e um cálcio que possibilite o aprofundamento das raízes. Já se tem diversos produtores que enxergaram isto e tem voltado para os fosfatados de baixa concentração ou voltaram a usar o gesso, mas o produtor que está usando apenas alta concentração, este está fadado a ter grandes quebras de produtividade em anos de veranicos. Deficiência Ca++ Deficiência Ca++ Deficiência Ca++

24 F. Alta Concentração F. Baixa Concentração 1 12 47 61 62 73 90 74 14Profund. (cm) Presença de raiz 1 12 47 61 62 73 90 74 Saturação Al (m%) Água disponível 14 30 21 12 17 18 22 8 Saturação Al (m%) Presença de raiz 13 mm 15 30 45 60 75 90 105 120 20 mm 22 mm 26 mm 28 mm Fonte: Adaptado de Ritchey et. al. (1980) 29 mm 31mm Será que isso tudo que falamos é verdade? Temos aqui um outro estudo mostrando novamente que isso realmente funciona! Foi feito um experimento em que algumas plantas foram adubadas com fosfatados de alta concentração e outras plantas com baixa concetração. Como isso influencia? O pesquisador avaliaou primeiramente o quanto da CTC estava ocupada com aluminio em cada profundidade do solo. O solo que recebeu alta concentração estava com 47% da ctc ocupada com aluminio logo abaixo dos 30 cm de solo, enquanto no solo que foi aplicado fosfatado de baixa o solo apresenta pouco aluminio ocupando a ctc do solo o que proporciona que as raízes desenvolvam sem limitação. Posteriormente foi avaliado até que profundidade se tinham raízes e vejam: a planta adubada com alta concentração tinha raíz até 45 cm enquanto plantas adubadas com fontes que contém sulfato de cálcio tem raízes até 120 cm de profundidade. O que isso implica, além logicamente de maior exploração de solo e absorção de nutrientes? Profundidade de raízes significa AGUA. O que significa uma raiz a 45 e outra a 120 cm de solo? O pesquisador avaliou quanto de água disponivel pra planta tinha em cada de solo que são os numeros da coluna central (13, 20, , 30). Então fazendo as contas: uma planta que tem 45 cm de raíz tem acesso aos mm totalizando 55 mm de água. Quanto uma planta de soja ‘bebe’ de agua por dia? Em torno de 8 mm. Então esta planta tem acesso a 55 mm de agua e bebe 8 mm por dia, ela tem água por sete dias (55/8= 6,875). E a planta com fosfatado de baixa? Esta tem 120 cm de profundidade de raízes, e acesso a agua de outras camadas, que somando tudo na coluna central temos 199 mm de agua disponivel. Consideramos que a planta de soja bebe os mesmo 8 mm de agua por dia e fazendo a conta, esta planta tem reserva para 25 dias (199/8=24,875 dias) de água. Agora relembrando o começo de nossa apresentação, quantos dias de veranico ocorrem o quanto de solo seca vemos que um veranico de 7 dias ocorre 3 vezes ao ano e um veranico de 25 dias ocorre a cada 7 anos. Mais uma vez... A planta nutrida com fosfatado de alta concentração ‘passa sede’ tres vezes por ano enquanto uma planta adubada com fosfatado de baixa concentração ‘passa sede’ uma vez a cada 7 anos. Então esta é a diferença. Colocando fosfatado de baixa concentração se tem raíz em profundidade, que tem mais acesso a agua, que explora maior volume de solo, que absorve mais nutrientes, e que TOLERA MAIS O VERANICO. 30 mm Quantidade de água 55mm 199mm T SP SSP Dias de tolerância sem água 7 dias 25 dias T SP SSP Frequência de veranicos 3 x ano 1 x 7anos T SP SSP Profundidade da raiz 45cm 120cm T SP SSP Evapotranspiração de soja 8mm T SP SSP

25 Conclusão Cálcio Móvel é a chave para a sustentabilidade da atividade agrícola Veranicos mais intensos e frequentes As temperaturas médias estão em elevação A aplicação de Ca e S devem ser periódicas, para manter o sistema suprido e formar o perfil do solo Fosmais é fonte de P e condicionador de solo Concluindo então temos que: O cálcio móvel é a chave para a sustentabilidade da atividade agrícola, pois este promove o desenvolvimento das raízes em profundidade. As mudanças climáticas estão alterando as temperaturas médias e a regularidade das chuvas Os veranicos estão cada vez mais constantes e severos em regiões antes sem problemas É imprescindível promover o aprofundamento do sistema radicular das plantas As aplicações de cálcio e enxofre devem ser periódicas, para manter o sistema suprido e formar um perfil de solo fertil Com uso de fosfatados concentrados e adubação a lanço a fertilidade fica concentrada nas camadas superficiais de solo A concentração dos nutrientes em superfície deixa o sistema radicular superficial

26 Gerência de Desenvolvimento de MercadoMarco Araujo (11) (11)