Geopolítica da água ao longo do tempo.

1 Geopolítica da água ao longo do tempo.Bacias hidrográfi...
Author: Adelina Laranjeira Chagas
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1 Geopolítica da água ao longo do tempo.Bacias hidrográficas em disputa na África, Ásia, Américas e Europa.

2 Geopolítica da água A água é elemento vital para o desenvolvimento da vida e das atividades socioeconômicas das sociedades e, por esta razão, ao longo da história, o recurso sempre foi usado em guerras para minar a capacidade de reação e de vitória nos diversos conflitos. Países promoveram desvio de rios, para prejudicar o opositor, envenenamento de lagos e outros mananciais.

3 Geopolítica da água Atualmente, pressão populacional sobre os mananciais e as mudanças climáticas são fatores que podem desencadear conflitos por posse de nascentes de rios e aquíferos. Vários geopolíticos e analistas econômicos vem alertando o mundo para a possibilidade do aumento de conflitos com o objetivo de dominação de mananciais – os hidroconflitos. As áreas de escassez de água associada à pressão demográfica e à multinacionalidade das reservas do recurso, tanto em superfície quanto em profundidade transforma muitas bacias hidrográficas e aquíferos em áreas de emergência de conflitos. O século XXI poderá ser o séculos dos hidroconflitos.

4 Norte da África, Sahel e Oriente MédioNorte da África, Sahel ou orla do Deserto do Saara e Oriente Médio são regiões que apresentam em comum: Escassez de água Pressão demográfica crescente sobre mananciais Bacias hidrográficas e aquíferos multinacionais, ou seja, abrangendo dois ou mais países.

5 Escassez de água São várias as regiões do mundo que vivenciam situação de escassez de água, que segundo a Organização das Nações Unidas pode ser de dois tipos: física e econômica. A escassez física ocorre quando falta água, ou seja, os recursos hídricos disponíveis em uma região são intensamente usados e atingem os limites da sustentabilidade, pois mais de 75% das reservas superficiais ou subterrâneas são usadas no consumo agrícola, industrial e doméstico. A escassez econômica ocorre quando a população de uma região não tem acesso à agua em função da carência de infraestrutura para captação, tratamento e distribuição do recurso.

6 Conflitos na África. 1 – Rio Nilo – 2 – R. Okavango 3 – R. Volta4 – R . Rufigi - pastores 5 – Quênia, Uganda e Somália – pastores. 6 – R. Zambeze – UHE e agricultores. 7 – Darfur – Sudão. 8 – R. Níger – Vingadores do Delta do Níger.

7 Bacia do Rio Nilo É multinacional e abrange: Tanzânia, Quênia, Uganda, Ruanda, Burundi; Etiópia, Sudão, Eritreia e Egito. Em 2010, um acordo (River Nile Basin Cooperative Framework ou Quadro Cooperativo Bacia do Nilo) foi assinado por cinco desses países – Etiópia, Ruanda, Uganda, Quênia e Tanzânia e Burundi, porém as tensões continuam em função do aumento da demanda. A Etiópia não aceita o argumento do Egito de que o uso da água em território etíope e nos territórios dos outros países é responsável pela escassez de água em seu território, contra argumentando que o Egito usa a água do Nilo com baixa eficiência e desperdícios dos recursos do rio.

8 Bacia do Rio Okavango Bacia do Okavango conta com a Comissão Permanente das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Okavango criada em 1994 e que evoluiu através de anos por meio da cooperação e na construção de consenso entre os três países (Angola, Botsuana e Namíbia).  A bacia do Okavango possui ecossistemas com áreas úmidas semelhantes ao nosso Pantanal e o rio possui um delta interior dispersando-se no deserto de Kalahari. As secas, no entanto, fizeram a Namíbia reativar projetos com o objetivo de fazer um encanamento da água para fornecimento à capital. Drenar é letal para o delta em Botsuana, diminuiria o volume de água, com risco de encolhimento dos pântanos, comprometendo a biodiversidade e o turismo na região.

9 Bacia do Rio Níger Novo conflito no delta do Rio Níger desencadeado pelo grupo denominado de Vingadores do Delta do Níger. O grupo alega que a extração de petróleo destrói o ambiente deltaico, contaminando solos e prejudicando a atividade agrícola e, por esta razão quer promover o separatismo dos nove estados da região.

10 Bacia do R. Tigre e EufratesBacia do Rio Eufrates e do Rio Tigre – Os rios nascem na Sudeste da Turquia banha a Síria, o Iraque e deságua no Golfo Pérsico no Canal Chat el Arab na fronteira Iraque Irã. A Turquia vem desenvolvendo desde 2008 um projeto para aproveitamento das águas dos rios Tigre e Eufrates, tanto para geração de energia, quanto para irrigação. Em 2009, 70% do projeto já havia sido concluído, fato que promoveu a diminuição do volume de água na Síria e no Iraque, causando protestos nos dois países, pois os colocou em situação de intensificação da escassez de água.

11 Bacia do Rio Jordão 10 – Bacia do Rio Jordão – Parte das nascentes do Rio Jordão estão situadas nas Colinas de Golã na Síria. O rio drena Israel, o território da Cisjordânia e a Jordânia e deságua no Mar Morto. Na Guerra dos Seis Dias de 1967, Israel ocupou as Colinas de Golã e passou a controlar Rio Jordão da nascente até a foz. Israel se recusa a fazer acordos para a devolução das terras ocupadas da Síria para não perder o controle sobre as águas da região. A realização de acordos fica cada vez mais distante, pois em 2015, Israel anunciou a descoberta de significativas reservas de petróleo nas Colinas de Golã.

12 B. Do R. Amu Darya e Syr Darya11 – Bacia dos Rios Amur Daria e Syr Daria na Ásia Central – os dois desaguam no Mar de Aral e a sobre utilização de suas águas para irrigação, diminuíram o volume de água, fato que promoveu o recuo das águas do mar – desertificação. Atualmente as bacias voltam a ser foco de tensão, pois o Cazaquistão e Uzbequistão dependem dos vizinhos Tadjiquistão e Quirguistão, duas ex-repúblicas soviéticas pobres da Ásia Central, para se abastecer de água. Os dois países estão construindo hidrelétricas em rios que cortam os seus territórios, cujos lagos podem comprometer o abastecimento de água para cazaques, uzbeques e turcomenos.

13 Bacia do Rio Brahmaputrao Rio Brahmaputra nasce no Tibet atravessa os Estados indianos situados a nordeste do país, antes de percorrer Bangladesh e desaguar no Rio Ganges. A China pretende construir barragens no rio e, pretende também canalizar parte de suas águas para irrigação em território chinês. Os dois projetos chineses são fontes de preocupação para a Índia e Bangladesh, pois podem comprometer o fluxo de água do rio nos dois países. A Índia também prejudica Bangladesh se situa no baixo curso do Rio Ganges, visto que as atividades econômicas e grande contingente populacional indiano usam intensamente as águas do rio.

14 Bacia do Rio Indo 13 – Bacia do Rio Indoo Rio Indo atravessa a Caxemira, antes de entrar em território paquistanês. A região é alvo do conflito entre os dois países desde 1947, porém, na atualidade, o Paquistão acusa a Índia de usar abusivamente a água no alto curso do rio, prejudicando os projetos de irrigação no Paquistão.

15 China e Tibete Região do Tibete –A China aumenta a pressão política contra o separatismo do Tibete. A região é estratégica para o País visto que abriga as nascentes de grandes rio chineses como: Huang ho ou Rio Amarelo o Yang tsé Kiang ou Rio Azul

16 Conflitos pela água: Américas15 – Nos EUA, o aquífero de Ogalalla que se estende por oito estados no meio oeste americano teve um rebaixamento de 35 metros ao longo de cinquenta anos de uso, fato preocupante, pois a água contida nele é fóssil e a região tem dificuldades em realimentá-lo em função da carência de chuvas. 16 – Na fronteira entre o México e Estados Unidos: as cidades gêmeas de El Paso e Cidade Juarez usam água subterrânea do aquífero Huéco Bolson, que entrou em esgotamento.

17 Bacia do Uruguai 17 – Bacia do Rio Uruguai, em 2005 houve um conflito entre Argentina e Uruguai, (a crise papeleras) decorrente da instalação de uma fábrica de papel no último país às margens do rio Uruguai. A solução desse problema foi tomada fora da América do Sul, em 2010, na Corte Internacional de Justiça em Haia, nos Países Baixos, pois falta instrumentos de solução de controvérsias regionais. Instalação de indústrias de celulose na cidade de Fray Bentos, às margens do rio Uruguai. Do outro lado do rio, na cidade argentina de Gualeguaychú e proximidades, moradores e grupos ambientalistas, incitados pelo poder público, retaliaram com protestos e bloqueios à ponte internacional San Martín, que une a Argentina ao Uruguai. A alegação era de que as papeleras causariam danos ambientais irreversíveis além de prejuízos econômicos aos argentinos. 

18 Aquífero de Guarani 18 – Sistema Aquífero Guarani (SAG) – o problema do aquífero não se relaciona com a falta de água, mas com a regulamentação do seu uso para evitar contaminação. Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai estabeleceram um acordo de cooperação que regula as relações quanto ao uso da água subterrânea antes que uma situação de tensão apareça. Espera-se que tal acordo sustente ações de cooperação ainda mais intensas entre esses países.

19 Tensões pelo uso da água na Europa19 – Bacia do Danúbio – conflito entre a Hungria e a Eslováquia, pois os húngaros rejeitaram o acordo de uso compartilhado da água do Danúbio, visto que a construção de duas represas na fronteira entre os dois países geraria problemas ambientais.

20 20 – Rio Reno - O Rio Reno nasce nos Alpes suíços, percorre a França, a Alemanha e a Holanda e se dirige ao Mar do Norte. Seu comprimento é de 1.320km, dos quais 880 km são navegáveis. Altamente poluído por produtos químicos e dejetos, o Reno atingiu o auge da poluição no anos 60 e 70. Porém em 1986, um incêndio no depósito de produtos químicos da Sandoz na Suíça, promoveu a morte do rio. Os países do Reno implantaram um programa de recuperação do rio em 1987 e, atualmente, o rio se encontra recuperado e limpo.

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