I. Formação das melodias gregorianas

1 I. Formação das melodias gregorianasHoje não se pode ma...
Author: Luís Almada Braga
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1 I. Formação das melodias gregorianasHoje não se pode mais negar o parentesco do Canto Gregoriano com o Canto Judeu: certas melodias hebraicas foram retomadas, sem dúvida, pelos primeiros cristãos. A mesma observação vale para o Canto Sírio ou Bizantino. Isso se passou assim porque a maioria dos primeiros convertidos ao cristianismo eram judeus e de origem modesta e esta “arte musical”, em seu começo não sendo obra de profissionais, recebeu a influência de simples melodias populares locais. Somente no século VI a soma de conhecimentos musicais adquiridos na Antiguidade atingiu o mundo da Igreja, quando esta iniciou sua longa missão educativa. Assim, vamos chegar a Santo Agostinho (De Musicae) para encontrar o primeiro teórico cristão da música e Boécio ( ) como primeiro a descrever a música grega.

2 II. Razões de ser O Canto Gregoriano é a embocadura musical da liturgia cristã católica. Mas, por que esta música se tornou um instrumento do culto católico? Porque, desde os primórdios, ela foi considerada um ornamento indispensável à liturgia. 2. Por ser tida como um meio de aperfeiçoamento moral, na linha da antiga tradição também pagã. 3. Por estar intimamente ligada ao texto literário, o qual tem importância transcendental nas peças gregorianas.

3 III. Repertórios latinosO canto litúrgico pode se revestir de aspectos variados conforme as áreas geográficas e houve “repertórios paralelos” que se conservaram por longo tempo. São eles:  Canto Romano-Franco (Gregoriano propriamente dito): antes de substituir a maioria dos outros, se difundiu na região entre o Loire (França) e o Reno (Alemanha), onde se encontram Metz, Saint-Gall e Chartres. Canto Beneventano (de Benevento, sul da Itália): ficou em uso até o século IX, quando foi substituído pelo gregoriano. Mais pobre em fórmulas melódicas, conhece apenas duas cadências diferentes.

4 Continuação ... Canto Galicano: teve centros de importância como Narbonne, Toulouse, Lyon e Tours. Desapareceu diante do Canto Gregoriano nos idos do século VIII. Seus textos, em geral, são mais longos e mais eloqüentes. Canto Hispânico (impropriamente chamado de mozarábico ou visigótico): esteve em uso até a segunda metade do século XI, na Espanha. Ele se aproxima muito da Liturgia Oriental. Os monges de Silos o estudaram bem. Canto Milanês ou Ambrosiano: cantado ainda em nossos dias, em Milão, norte da Itália. Canto Velho-Romano: repertório da liturgia romana antiga, que desapareceu no século XIII. Parece menos variado que o gregoriano em seus timbres e menos centonizado. Note-se porém, que suas melodias são diferentes do gregoriano, embora os textos sejam quase os mesmos.

5 IV. Constituição das melodias gregorianasO repertório se desenvolve obscuramente até 313 com o Edito de Milão, promulgado por Constantino, a partir de quando o cristianismo passa a ter liberdade de culto. Até o século IX, contudo, tanto os textos quanto as melodias são transmitidos de forma oral. Os séculos VI, VII e VIII são considerados de ouro para o gregoriano; pois , sem dúvida, nesta época apareceram as mais numerosas e mais desenvolvidas melodias gregorianas. No entanto, se as peças do Próprio da Missa foram fixadas no século VIII, as peças do Comum ainda não estavam bem fixadas. Mas ,a partir do século IX, o repertório gregoriano evoluiu em sua interpretação, apresentação e uso.

6 V. Evolução e decadênciaFatores da evolução: 1. Diastemia (distâncias entre os intervalos naturais): os primeiros neumas, escritos “in campo aperto”, de maneiras diversas segundo as regiões ou centros de notação, formam o acervo dos mais antigos manuscritos disponíveis hoje para estudo. No final do século X, os copistas passaram a dispor os neumas em torno várias linhas, era o início da indicação dos intervalos entre os tons. Esta inovação evidentemente fixou as notas para a posteridade com sua altura absoluta, imprecisa no repertório primitivo. Mas esta fixação diastemática deformou as melodias, especialmente em matéria de ornamentação (melismas), tornando-as menos precisas quanto ao ritmo e expressividade.

7 Continuação... 2. Polifonia: nascida igualmente no século IX, aparece a notação métrica no século XIII aplicada pouco a pouco a todos os repertórios, inclusive o gregoriano: notas com valores diferentes – longas e mais breves -, compassos e medidas, variações melódicas com bordaduras e muitas notas de passagem. 3. Tropos e drama litúrgico: adaptação de textos sobre as notas de grandes melismas, sobretudo do Aleluia, para facilitar a memorização. Até o século XVI multiplicam-se o número de Tropos e Seqüências, até sua proibição no Concílio de Trento em Nesta época, por ocasião das festas mais solenes como a páscoa, desenvolve-se o hábito da dramatização de textos tropados.

8 Continuação... Transformações: