1 Leitura Documentária A leitura: uma prática cultural, de Pierre Bourdieu e Roger Chartier Estratégias de leitura em documentação, Ana M. M Cintra
2 A leitura: uma prática culturalDebate entre Pierre Bourdieu e Roger Chartier
3 “Menard (porventura sem querer) enriqueceu por meio de uma técnica nova a arte estagnada e rudimentar da leitura: a técnica do anacronismo deliberado e das atribuições errôneas.” BORGES, Jorge Luis. “Pierre Menard, autor do Quixote” Aline - considerações inicias
4 Pierre Bourdieu Ana - apresentação dos autores e introdução
5 Roger Chartier Foto: Marina Piedade Ana
6 Sobre a escrita como forma de “traduzir” as expressões culturaisTópico 1 Sobre a escrita como forma de “traduzir” as expressões culturais Maura
7 Todas as coisas foram feitas para serem lidas? Cruzar as abordagens conduzidas em termos de crítica literária e termos históricos. Para debater a compreensão das práticas culturais, o exemplo da leitura é ideal! Para Bourdieu, a palavra leitura pode ser substituída por “toda uma série de palavras” que designam toda espécie de consumo cultural. Relação “auctor” x “lector”: o primeiro é quem produz a obra, o lector é o indivíduo que faz a leitura da obra e é capaz de analisá-la e refletir sobre ela. Todas as coisas foram feitas para serem lidas? Somos todos lectores – então por isso corremos o risco de investir um conjunto de pressupostos à essa posição em nossas análises de leitura, dos usos sociais, da relação com a escrita e das escritas com a prática. Maura
8 Existe uma escrita das práticas culturais. Etnológos ao descreverem rituais como se se tratassem de escritos. Ler um ritual, uma dança como se se tratasse de um discurso altera sua essência. Relação dos historiadores com os textos como sendo a única relação historicamente possível. Leitura estruturalista: ler o texto de maneira interna - compreendendo os aspectos formais, mas abstraindo o contexto em que ele está inserido: Maura
9 Tópico 2 Sobre a intencionalidade do autorAline
10 Bourdieu salienta o modo de emprego do texto: a forma como o texto é escrito adequa-se a seu objetivo e a seu público-alvo detalhes do grafismo. Chartier cita a evolução da organização textual dos livros. Aline
11 Exemplos: https://www.buzzfeed.com/rafaelcapanema/aspas-mal-empregadas?utm_term=.al68MMjo7d#.uw7gmmYN6P
12 Versão original: Mas tal não agradou ao coração do Atrida Agamêmnon; e asperamente o mandou embora, com palavras desabridas: “Que eu te não encontre, ó ancião, junto às côncavas naus, demorando-te agora ou voltando nos tempos próximos, pois de nada te servirá o cetro e a fita do deus! Não libertarei a tua filha. Antes disso a terá atingido a velhice em minha casa, em Argos, longe da sua pátria, enquanto se afadiga ao tear e dorme na minha cama. Vai-te agora. Não me encolerizes: partirás mais salvo.” Versão infanto-juvenil: Mas Agamêmnon o tinha mandado embora com palavras agressivas, dizendo-lhe com violência: — Que eu nunca mais volte a vê-lo aqui, ó ancião! Não volte nunca mais, pois de nada lhe servirá ser sacerdote de Apolo. Não libertarei sua filha. Ela ficará aqui comigo; e comigo irá quando eu voltar para a Grécia. Retire-se imediatamente! Não me encolerize, para partir são e salvo. Faça como eu digo, para que nenhum mal aqui lhe aconteça.
13 Tópico 3 Sobre a necessidade da leituraBruno
14 Bourdieu observa que que há uma maior quantidade de leitura em ambientes onde tem maior número de leitores Chartier destaca que é a escola quem determina o papel privilegiado da leitura como prática de aprendizado. Bruno
15 Tópico 4 Sobre o monopólio da leitura e do status socialMaura
16 A apropriação de determinadas leituras atendem a interesses monopolizadores;O suposto poder transformador não está depositado no livro, mas no ato da leitura. Maura
17 Estratégias de leitura em documentação Anna Maria Marques CintraInício - Ana
18 No texto “Estratégias de leitura em documentação”, de Anna Maria Marques Cintra, doutora em linguística pela Universidade de São Paulo há elucidação dos processos interativos leitor/texto e fatores básicos para sua legibilidade e de como estes afetam o processo de documentação na prática bibliotecária. Ana
19 Todo texto tem um público-alvo e que este só é suficiente quando o autor estabelece uma “relação cooperativa” com seus leitores. Ruptura nessa relação: A leitura documentária não é normalmente levada em consideração pelo emissor, sendo assim, o bibliotecário não é contemplado como um receptor. Ana
20 O bibliotecário tem contato com diversos tipos de textos, escritos de diferentes formas para públicos distintos com estruturas discursivas e léxicos próprios para atender a determinadas exigências. Cabe-lhes dominar as estratégias de leitura e deter conhecimentos prévios que auxiliem a análise do material. Ana
21 O bibliotecário é quem faz o papel de leitor intermediárioO bibliotecário é quem faz o papel de leitor intermediário. Lança mão de seu conhecimento prévio para compreender o texto. A leitura não é “neutra”, uma vez que a linguagem faz parte de um contexto cultural-ideológico. Ana
22 O entendimento do texto se baseia na noção de “esquemas” que são um acúmulo de experiência sobre os padrões recorrentes da linguagem, que permitem ao leitor identificar esses mesmos padrões no texto a fim de decodificá-lo com maior agilidade. José
23 cognitivas e metacognitivas.Outros fatores que influenciam as estratégias de leitura: concentração, grau de novidade do assunto e o interesse do leitor. Dois grupos de estratégias de leitura: cognitivas e metacognitivas. José
24 2) o princípio da coerência do textoEstratégias de Leituras Cognitivas são processos mentais automáticos e inconscientes, de interpretação das palavras e sentenças do texto: 1) o princípio da canonicidade (identificação de estruturas de sintaxe e semântica) 2) o princípio da coerência do texto José
25 EU TE AMO Nível lexical Nível frasal Nível sintático O CACHORRO ME...De acdoro com psquiesas, nssoo cébrero vê as parvlaas cmoo uma igámem úicna, e não cmoo uma sieuqcêna de lrteas. O CACHORRO ME... José
26 Os documentalistas precisam realizar um input visual do documento a ser analisado e, com base em uma ‘espécie de quadro de referências’ (múltiplas unidades conceituais) de conhecimento armazenado em sua memória, reconhecer uma superestrutura no documento avaliado. José
27 A leitura se dá pela conjunção de estratégias cognitivas e metacognitivas.Quanto mais metacognitiva for a leitura, mais difícil é o texto para aquele leitor. Podemos observar estas diferenças entre as estratégias citadas nos exemplos a seguir: Mirian
28 Quando uma pessoa leiga põe-se a ler um texto de medicina, ela usará mecanismos metacognitivos para compreender o seu sentido, haverá um esforço consciente para o entendimento. Esse leitor poderá se delongar em determinadas frases e poderá ter a necessidade de reler alguns trechos. Já um médico experiente é detentor dos “esquemas” recorrentes em um texto de sua área, e conseguirá fazer grande parte da leitura de forma cognitiva, pois está habituado a determinados padrões textuais recorrentes; Mirian
29 Uma pessoa que não tem conhecimento de componentes químicos, ao ler a bula ou o rótulo de um determinado medicamento ou produto de higiene pessoal para tentar descobrir se o produto tem componentes químicos nocivos à saúde, pode ter dificuldade de compreender por não dominar a linguagem usada, mas por meios metacognitivos tentará entender e relacionar os produtos químicos listados com outros produtos que ele já teve contato ao longo da vida, como, por exemplo, o LSS (lauril sulfato) - presente em shampoos. Já um químico não teria dificuldade em interpretar a informação e fazer a leitura dos componentes prejudiciais à saúde. Miriam
30 Um adolescente ao ver uma placa de sinalização de trânsito pode ter dificuldade na leitura da placa, mas se valerá de meios metacognitivos para tentar entender a mensagem que a placa está transmitindo. No entanto, um adulto habilitado pelo centro de formação para condutores fará uma leitura de forma cognitiva, por já dominar a linguagem em questão; Bruno
31 Um pichador reconhece automaticamente uma determinada linguagem quando a observa escrita na parede, enquanto um advogado, por exemplo, usa de esforços metacognitivos para conseguir decifrar a mensagem ali contida. Utilizando os mesmos personagens, um advogado compreende de forma cognitiva a linguagem jurídica de um contrato, algo que uma pessoa que não possui conhecimento nessa área teria dificuldades. Bruno
32 O bibliotecário deve fazer uso ativo dessas duas estratégias, especialmente as metacognitivas:identificação dos segmentos de relevância do texto e estabelecimento de relações de sentido e referência, garantindo dessa forma a eficácia de sua tarefa. Aline
33 Referências BORGES, Jorge Luis. “Pierre Menard, autor do Quixote”. In: ___________. Ficções. Rio de Janeiro: Globo Editora, p BOURDIEU, Pierre; CHARTIER, Roger. A leitura: uma prática cultural. In: CHARTIER, Roger (org.). Práticas da leitura. São Paulo: Estação Liberdade, ed. p CINTRA, A. M. M. Estratégias de leitura em documentação. In: SMIT, J. W. (Org). Análise documentária: a análise da síntese. 2. ed. Brasiília: IBICT,1989. BRIGNOLI, Joice. Revisão Bibliográfica da Obra de Roger Chartier sobre Prática e Representação. Santa Catarina: Universidade Regional de Blumenau. Disponível em: