Literatura Brasileira VI

1 Literatura Brasileira VILiteratura e História ...
Author: Cláudio Malheiro Palhares
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1 Literatura Brasileira VILiteratura e História

2 “Como a própria vida, a história se nos aparece como um espetáculo fugidio, movediço, feito do entrelaçamento de problemas inextricavelmente misturados e que pode tomar, alternadamente, cem aspectos diversos e contraditórios. Como abordar e fragmentar essa vida complexa, para poder apreendê-la ou ao menos apreender alguma coisa nela?” (Fernand Braudel, Escritos sobre história, p.22)

3 “... a mímesis não é uma adequação – uma imitatio – mas um processo que, independente do real, contudo contrai, absorve, deforma as formas como o real historicamente aparece para o autor e o leitor.” (Luiz Costa Lima, Mímesis: desafio ao pensamento, p.398)

4 “... mimesis é muito menos decisivo no sentido de imitação, matiz de significado de fato nele contido, do que no sentido fundamental de representação, de fazer.” (Käte Hamburger, A lógica da criação literária, p. 3)

5 “As fontes têm poder de veto“As fontes têm poder de veto.” (Reinhart Koselleck, “Ponto de vista, perspectiva e temporalidade – Contribuição à apreensão historiográfica da história”, Futuro passado, p.188)

6 “... o externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando-se, portanto, interno.” (Antonio Candido, Literatura e sociedade, p.4) “... o hors-texte, o que está fora do texto, está também dentro dele, abriga-se entre as suas dobras: é preciso descobri-lo e fazê-lo falar.” (Carlo Ginzburg, Relações de força, p.42)

7 Antônio Vieira ( )

8 “[a retórica] Tornou-se-nos estranha. [...]No mundo de nossa educação, a retórica não tem lugar.” (Ernst Robert Curtius, Literatura europeia e idade média latina, p.99)

9 “... a desvalorização da retórica no século XIX é a consequência necessária da teoria da produção inconsciente do gênio.” (Hans-Georg Gadamer, Verdade e método, p.119)

10 “. toda boa poesia é o transbordar espontâneo de poderosos sentimentosWilliam Wordsworth (prefácio às Baladas líricas)

11 “... no tempo de Antônio Vieira, o sermão era um discurso falado; hoje, é um texto lido. A sociedade de Vieira está extinta e o presente da leitura do sermão é o tempo de outra história, a nossa. Assim, quando torna imaginariamente presente a cena do tempo morto dos atos de fala do sermão, produzindo um Vieira e um século XVII, entre os muitos possíveis, hoje o leitor enfrenta o desafio de entender adequadamente a razão histórica – ou a causa, a regra, a forma e o fim – desses atos.” (João Adolfo Hansen, “Maria ou a eternidade no tempo”, Obra completa Padre António Vieira, tomo II, vol. VII, p.9)

12 “A oratória sacra assim praticada não recusa, pois, o ornato dialético ou o conceito engenhoso como procedimentos artísticos inadequados em si, apenas submete-os à conveniência específica da parenética, de maneira que a sua má aplicação não impeça que o sermão frutifique.” (Alcir Pécora, “Sermões: o modelo sacramental”, p.17)

13 “Jesuíta, conselheiro de reis, confessor de rainhas, preceptor de príncipes, diplomata em cortes europeias, defensor de cristãos-novos e com igual zelo missionário no Maranhão e no Pará, Vieira traz em si uma estatura e um horizonte internacional.” (Alfredo Bosi, Dialética da colonização, p.119)

14 “... a definição do corpo místico não se restringe ao edifício eclesial ou ao sacerdócio militante. A pedra fundamental da Igreja [...] prolonga-se naturalmente até o organismo do Estado católico.” (Alcir Pécora, “Sermões: o modelo sacramental, p.23)

15 “Porque todos aqueles escravos que servirem a seus senhores como a Deus, não são os senhores da Terra os que os hão de servir no Céu, senão o mesmo Deus em Pessoa o que os há de servir. Quem se atrevera a dizer, nem imaginar tal cousa, se o mesmo Cristo o não dissera? Bem-aventurados aqueles escravos a quem o Senhor no fim da vida achar que foram vigilantes em fazer sua obrigação. E como lhe pagará o mesmo Senhor? Ele mesmo o diz, e afirma com juramento. Mandará assentar os escravos à mesa e Ele como escravo cingirá o avental, e os servirá a ela.” (“Sermão vigésimo sétimo do Rosário”, Essencial Padre Antônio Vieira, p.562-3)

16 “A moral da cruz-para-os-outros é uma arma reacionária que, através dos séculos, tem legitimado a espoliação do trabalho humano em benefício de uma ordem cruenta. Cedendo à retórica da imolação compensatória, Vieira não consegue extrair do seu discurso universalista aquelas consequências que, no nível da práxis, se contraporiam, de fato, aos interesses dos senhores de engenho.” (Alfredo Bosi, Dialética da colonização, p.148)