Mal Estar e Amor Durante mais de meio século, fui influenciado pelos modelos de pensar da História,da Antropologia,da Sociologia, da Economia,da Psicologia,da.

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Author: Iago da Silva Carvalhal
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1 Mal Estar e Amor Durante mais de meio século, fui influenciado pelos modelos de pensar da História,da Antropologia,da Sociologia, da Economia,da Psicologia,da Psicanálise.da Teologia,da Psiquiatria, e várias outras disciplinas, Sempre citei autores destas disciplinas para alicerçar meus artigos ou livros. Jorge W.F.Amaro

2 Mal Estar e Amor Ao completar três quartos de século dei-me o direito de seguir o meu modelo de pensar.Não há nada de novo,pois o novo é o velho transformado.Creio que nesta fase de minha vida posso dar-me o direito de ousar colocar minha experiência e minha maneira de conceber Mal Estar e Amor. Jorge W.F. Amaro

3 Mal Estar e Amor Usar sempre os modelos velhos institucionalizados pelo establishment é não desenvolver a INDIVIDUAÇÃO. O mal estar pode ser físico,psíquico e espiritual. Aqui cabe colocar nossa posição sobre o que queremos dizer com o termo espiritualidade.Nos textos clássicos e em alguns dicionários o termo espiritualidade está ligado à noção de divino,de religião e de Deus. Nós usamos o termo espiritualidade como uma função humana que promove a vida contra os mecanismos destrutivos oriundos de fora ou de dentro do próprio homem.Não tem nenhuma ligação com o divino.Esta vida pode estar contida em si próprio,nos seus entes queridos e amigos como pode estar nos aspectos universais da vida de nosso planeta como por ex.a Ecologia do Planeta,os Direitos Humanos e o Ecumenismo Religioso

4 Mal estar e Amor O contrário de espiritualidade seria a promoção da destruição e da morte.Esta morte pode ser no contexto biológico, psicológico,espiritual e social . O amor é uma função do amadurecimento humano.A criança necessita muito porém ainda não ama.Tem um potencial de desenvolver amor que, se estimulado, irá brotar como uma flor porém se não for estimulado pelo meio ambiente irá deteriorar .As pessoas imaturas necessitam mas não amam.Amor é função exclusiva da parte amadurecida da personalidade e nada tem haver com conceito de sexo como querem alguns autores.

5 Mal Estar e Amor Assim como a Linguagem surge inata como potencial e só se desenvolverá se a cultura a estimular;o amor é um potencial inato da humanidade que pode se desenvolver pela influência do meio ambiente. Antropólogos, no passado encontraram povos que cultivaram, nas crianças, o carinho, a tolerância, a compreensão, a fidelidade ao cuidar dela, enfim ingredientes do amor e que eram povos mais pacíficos, menos violentos, menos rivalizadores . Povos onde ocorria o contrário, no trato e desenvolvimento destas crianças, apresentaram-se como violentos, rivalizadores e guerreiros .

6 Mal Estar e Amor A Antropologia nos mostra que os ingrediente do amor necessitam ser cultivados para que seu potencial desabroche. A importância da maturidade não se limita à plenitude do indivíduo,mas também à sociedade como um todo.Uma sociedade pode estar política,econômica e espiritualmente imatura em face de seus problemas e empreendimentos.Ela terá prazo indefinido para o seu amadurecimento.O indivíduo,entretanto,terá um prazo definido,que é relativamente curto,sob pena de a velhice o surpreender em plena infância mental.

7 Mal Estar e Amor A imaturidade nos distancia da realidade e do amor.A maturidade mais avançada é uma maturidade relativa,que ocupou um certo espaço da imaturidade sem a pretensão de eliminá-la pois isto seria falsa maturidade e sim maturidade onipotente. A maturidade ideal é um ponto de referência ,um caminho a trilhar e não um objetivo de posse total.A posse total da maturidade ideal é a onipotência do bom e portanto uma patologia

8 Mal Estar e Amor Assim também o amor que é fruto da maturidade não é e não pode ser onipotente. Uma característica importante da maturidade é a independência crítica e emocional.Esta independência não pode ser total,dado que o homem vive em sociedade e também necessita de afeição e apoio,contudo,não como uma criança que,devido a estas necessidades,muitas vezes impede o desenvolvimento de seus próprios valores e pensamentos ou seja sua INDIVIDUAÇÃO.

9 Mal Estar e Amor O homem maduro desenvolveu uma função neutra de observador e curiosidade de conhecimento que se contrapõe com suas outras áreas adultas e infantis que são aprisionadas por desejos ,emoções e memórias que o induzem a pensar e agir por estruturas aprisionantes. A História,a Antropologia,a Psicologia,a Psicanálise,a Sociologia etc.nos forneceram informações de que a mente infantil do indivíduo permanece o resto de sua vida arquivada nos registros cerebrais como um software enraizado no Hardware.

10 Mal Estar e Amor Usando uma imagem metafórica podemos dizer que o cérebro mantém arquivos e programas que foram estruturados em épocas pretéritas e com recursos imaturos e irracionais. O amadurecimento irá construir novos diretórios e arquivos que nos colocam com a possibilidade de observar e viver experiências e emoções de uma maneira diferente e, portanto com uma reação diferente.

11 Mal Estar e Amor É importante salientar-se que os diretórios e arquivos da mente primitiva são constituídos não só de experiência s positivas e negativas do desenvolvimento inicial do indivíduo,mas também de um potencial do acervo humanístico que ele herdou do desenvolvimento do Homo sapiens. Há, pois um inconsciente pessoal e um inconsciente coletivo de características universais.

12 Mal Estar e Amor Desde o início da história da humanidade,podemos constatar,pelos relatos históricos e textos sagrados religiosos,a existência de sentimentos que se manifestam como funções emocionais próprias do espírito humano,tais como:inveja e gratidão;egoísmo e generosidade;vingança e perdão;intolerância e tolerância; possibilidade de renúncia e submentimento,fidelidade e infidelidade;arrogância e humildade;omnipotência-omnisciência-omnipresença e relativismo;pulsões de destruição e de construção;impulsividade e contenção;fidelidade na busca de um bem maior e mais abrangente e busca de um prazer imediato mesmo em detrimento desta fidelidade na busca de um bem maior e mais abrangente etc

13 Mal Estar e Amor Os animais apresentam o instinto maternal onde a fêmea cuida e protege seus filhotes.Pesquisadores observaram que ratas virgens na mesma gaiola com ratos recém nascidos, não se comportavam com maternagem e muitas vezes canibalizavam os ratos recém nascidos. Aplicando injeções de oxitocina nas ratas virgens, estas mudavam o comportamento no sentido de promover maternagem em relação aos ratos recém nascidos.

14 Mal Estar e Amor O substrato da maternagem tem componentes instintivos e bioquímicos.É o lado imanente da maternagem. É aí que se inicia o desenvolvimento de certas funções como:tolerância,renúncia,fidelidade etc. No ser humano estas funções são usadas não só para um aspecto físico como é o caso de um recém nascido mas também para os aspectos imaturos e irracionais da criança que existe dentro de todos nós.

15 Mal Estar e Amor Nestas condições não estaria só a serviço do instinto e da perpetuação da espécie mas também para o desenvolvimento do lado transcendente do ser humano,de seu amadurecimento espiritual e do amor. É o amor mais simples pois é um amor pessoal.Nele a mãe renuncia muitas vezes necessidades próprias para cuidar do recém nascido; perdoa sua irracionalidade; é fiel no seu objetivo etc.

16 Mal Estar e Amor Numa relação adulta e adulta é necessário que esta maternagem esteja presente para que ambos possam ser continentes das crianças recíprocas e ajudá-las a crescer mantendo a vida do relacionamento e entrando em contato com a verdadeira intimidade do par em relação. É comum ouvirmos a expressão “foi fazer amor” como sinônimo de relação sexual.Ao nosso ver sexo nada tem a ver com amor e nada tem haver com a verdadeira intimidade.

17 Mal Estar e Amor Amor é o resultado de todas aquelas funções que já enumeramos como:tolerância,humildade,gratidão,generosidade,noção de limites(um não á omnipotência);capacidade de ser continente da criança que existe dentro de todos nós;etc. Sexo é um impulso biológico que nos induz a aproximarmos do sexo oposto e obter prazer(na origem animal do homem tem também raízes de perpetuação da espécie).

18 Mal Estar e Amor Intimidade é a possibilidade de dois seres humanos poderem entrar em contato com a criança e sua estruturação dentro da própria cabeça e da cabeça de seu interlocutor. Há casais que viveram juntos por muitos anos e não conheciam intimamente as crianças recíprocas.Não tiveram intimidade.

19 Mal Estar e Amor A grande maioria dos conflitos reside aí.A curiosidade e a necessidade de observar são funções existentes no homem desde o seu nascimento. A criança usa estas funções a serviço do prazer e do desejo e posteriormente da memória de suas experiências.Nestas condições por falta de uma observação neutra,sem desejos e memória ,a estruturação dos valores,dos sentimentos e de sua forma de sentir e pensar está contaminada pelo método.

20 Mal Estar e Amor A memória e o desejo derivam da experiência adquirida através dos sentidos;são evocações de sentimentos de prazer ou dor,promovendo formulações e teorias a serviço do prazer ou desprazer. A disciplina destas funções promove a liberdade da função de observação.

21 Mal Estar e Amor A criança continua a existir dentro do adulto e nestas condições em uma relação a dois, para haver a verdadeira intimidade, é necessário descobrir como esta estruturação foi feita e os dois adultos em relação, com muito diálogo,com muita maternagem , ajudarem-se a diminuir a parte imatura da personalidade.

22 Mal Estar e Amor Como sabemos a religião é uma entidade desde os tempos primeiros e está intimamente enraizada nas pessoas. Existem três formas de usar uma religião:1)tipo meio;ou seja, aquelas pessoas que usam a religião por um status social,para obter aceitação em uma comunidade etc.;2)tipo fim;ou seja, aquelas pessoas que usam os dogmas e os escritos dos livros, ditos sagrados, como a finalidade de viver e de se comportar;3)tipo busca;ou seja, pessoas que são religiosas porem tentam aperfeiçoar sua própria religião não tendo nos livros, ditos sagrados, verdades inquestionáveis

23 Mal Estar e Amor Este grupo,tipo busca, são dialogáveis e disponíveis para evoluir em sua religiosidade enquanto que os de tipo fim não são dialogáveis pois tendem a ser fanáticos.Há uma omnipotencia do bem e do bom nas formulações dos escritos dos livros sagrados segundo os religiosos do tipo fim.Ao nosso ver terão dificuldade de amadurecer sua espiritualidade

24 Mal Estar e Amor Os do tipo busca tem uma religião mais humanística e os do tipo fim uma religião autoritária. Os Mitos, como sabemos, podem fornecer esclarecimentos sobre aspectos humanos profundos. Usando um enfoque simbolista, podemos decifrar códigos que nos fornecem informações preciosas.

25 Mal Estar e Amor Se usarmos o enfoque funcionalista, podemos investigar funções sociais do homem e da mulher expressados no Mito. Um outro enfoque do Mito poderia ser o estruturalista, onde pesquisaríamos o elemento simbólico,estrutural e o elemento funcionalista na estrutura do Mito.

26 Mal Estar e Amor Para o nosso intento, neste artigo, procuraremos usar o enfoque simbolista, tentando decifrar os códigos dentro do Mito. Muitos Mitos são narrados nos textos clássicos, porém vamos ilustrar com apenas dois Mitos: O Mito de Narciso e Eco e o Mito de Édipo

27 Mal Estar e Amor No Mito de Narciso observamos que Eco, a Ninfa dos Bosques, amou ardentemente o belo Narciso, que só tinha olhos para si mesmo. Esta forma de amar consumiu, pouco a pouco, a vida de Eco, que por fim, se transformou em rochedo. A sua voz, que era somente o que lhe restou de vida, só respondia aos que a chamavam. Narciso por sua vez, insensível a tudo e a todos, diante da beleza do seu rosto, que via no reflexo da água, permaneceu assim, extasiado até a morte.

28 Mal Estar e Amor No Mito de Édipo surgem várias personagens. Laio, rei de Tebas, e Jocasta sua esposa, consultaram o oráculo de Delfos. Apolo era o Deus da verdade.O oráculo de Delfos recebia informações do Deus Apolo sobre a verdade do futuro

29 Mal Estar e Amor Nestas condições informou a Laio que teria um filho que viria a matar o pai e casar com sua mãe e causar portanto, muito luto e sofrimento. Quando mais tarde, Jocasta deu a luz a um menino, mandaram expô-lo às feras na montanha.

30 Mal Estar e Amor Um servo incumbido desta missão desumana, apiedou-se da criança e entregou-a a um pastor de Corinto, o qual levou a criança a Pólibo, seu rei. O menino tinha os pés magoados das cordas com que o haviam atado. Por isso, recebeu o nome de Édipo, isto é, Pés Inchados e foi criado pelo rei Pólibo como um filho seu.

31 Mal Estar e Amor Já adulto, Édipo ouviu alguma alusão a sua condição de filho adotivo. Foi a Delfos consultar o oráculo e em resposta, foi expulso do templo acusado de ser um assassino do pai e esposo da própria mãe. Assustado com este presságio não quis voltar para junto de seu pai Pólibo e tratou de afastar-se de Corinto

32 Mal Estar e Amor Numa encruzilhada, encontrou Laio e pequena comitiva, que o tratou descortesmente. Édipo reagiu e massacrou Laio com seus acompanhantes. Seus passos o levaram na direção de Tebas. Perto da cidade, defrontou –se com a Esfinge. A Esfinge era um monstro que tinha rosto e peito de mulher, corpo de leão, garras e asas de águia.

33 Mal Estar e Amor A todos os passantes que por ali passavam a Esfinge propunha enigmas e devorava os que não os decifravam. Incontáveis tebanos já tinham sido suas vítimas. Creonte, no poder desde a morte de Laio, ofereceu o reino e a mão da rainha viúva a quem livrasse Tebas daquele monstro.

34 Mal Estar e Amor À Édipo a Esfinge perguntou que animal anda de manhã sobre quatro pés, sobre dois durante o dia e sobre três à noite. Ele respondeu que era o homem, pois engatinhava na infância, andava erecto nos dois pés na vida adulta e quando velho, se apoiava a um bordão. Destruía assim, o poder do monstro, que se precipitou num despenhadeiro e morreu.

35 Mal Estar e Amor O enredo do enigma nos mostra a necessidade do homem conhecer e descobrir os mecanismos da evolução, ligados aos valores mais universais. Quando isto não ocorrer haverá deterioração e morte do desenvolvimento destes valores mais universais. Levado à cidade, Édipo assumiu o trono e cumprindo as previsões do oráculo, desposou Jocasta.

36 Mal Estar e Amor Por muitos anos o casal Édipo e Jocasta viveram felizes. Parecia então que o presságio vindo de Apolo seria falso. Quando seus dois filhos já estavam crescidos Tebas foi atingida por uma terrível praga, praga esta que destruía não só vidas humanas como as plantações. Édipo incumbiu o irmão de Jocasta para ir Delfos consultar os oráculos

37 Mal Estar e Amor Creonte, o irmão de Jocasta, voltou com a informação de que Apolo, o Deus da verdade, pressagiou de que a praga terminaria após a punição do assassino do rei Laio. Édipo então com muita disposição queria saber, a qualquer preço, quem era o assassino do rei Laio.

38 Mal Estar e Amor O velho profeta cego, chamado Tirésias era muito reverenciado e foi por Édipo chamado para informar quem fora o assassino de Laio. Durante este diálogo Tirésias tenta demover Édipo desta busca desenfreada do autor do crime. Édipo altivamente e insistentemente queria a verdade a todo custo.

39 Mal Estar e Amor Finalmente, após acusações de Édipo contra Tirésias este revela que o assassino de Laio é o próprio Édipo. Ao ouvir isto Édipo acusa Tirésias de estar louco e o expulsou.

40 Mal Estar e Amor Posteriormente Édipo, através de diálogos com Jocasta e com o único sobrevivente do extermínio de Laio e sua comitiva, constatou que ele fora o assassino do seu pai e que casara-se com sua mãe, tendo filhos que eram ao mesmo seus irmãos e filhos e uma esposa que era esposa e mãe.

41 Mal Estar e Amor Posteriormente ao procurar por sua esposa, que era sua mãe, a encontrou na cama morta. Quando esta verdade ficou clara para ela, Jocasta suicidou-se. Logo após, Édipo cegou-se, trocando a luz pela escuridão. A cegueira com o mundo escuro foi sua escolha

42 Mal Estar e Amor No Mito de Narciso observamos que a mensagem nos informa que o amor incondicional, sem limite, onipotente destrói a nossa personalidade, a nossa identidade, a nossa individuação e até a nossa vida. É uma patologia que o ser humano tem que combater para proteger o verdadeiro amor saudável que é não só voltado para o outro ser humano, mas também para si mesmo

43 Mal Estar e Amor Ao amarmos o nosso próximo devemos simultaneamente proteger o amor por nós mesmos. Narciso representa pessoas narcísicas em que toda a verdade, todo o bom,todo o conhecimento estão em si mesmos e o outro deve existir somente para admirá-los e servi-los servilmente

44 Mal Estar e Amor Os narcísicos gozam com suas próprias idéias e não desfrutam prazer através da interação humanística. Muitas vezes alguns dogmas religiosos pregam o amor incondicional. Ao nosso ver é uma patologia para quem vive na realidade deste mundo no qual vivemos

45 Mal Estar e Amor No Mito de Édipo vários códigos nos informam funções humanísticas globais. Assim, a Esfinge que propõe enigmas é um aspecto do próprio ser humano que necessita descobrir os enigmas dos aspectos formais e aparentes da relação humana os quais possuem no seu conteúdo informações preciosas para o desenvolvimento humanístico deste mesmo ser humano.

46 Mal Estar e Amor Se de um lado, o aspecto imanente nos aprisiona aos instintos, às necessidades animais básicas, de outro o nosso lado transcendente nos impele a buscar, no conhecimento, uma maior libertação ( e nunca total libertação) do nosso lado imanente. As pessoas que por ali passavam, uma após outras eram devoradas pelo monstro. As pessoas representam o nosso lado mais universal que é destruído se não aperfeiçoarmos o nosso conhecimento e decifrando os enigmas e códigos de nossa mente primitiva.

47 Mal Estar e Amor A descrição do Ego como representante do indivíduo e o Eu como representante de seu componente universal já foi exaustivamente apontada por diferentes autores.

48 Mal Estar e Amor O Ego no seu componente imanente nos leva a buscar sua satisfação individual.O Eu no seu componente transcendente também nos leva a buscar satisfação porém de características universais..O caminho do meio é a possibilidade de integrar estas duas necessidades e quando não possível na encruzilhada da incompatibilidade, a hierarquia de valores de cada um dará a opção.

49 Mal Estar e Amor Como o bom ou bem absoluto é uma entidade virtual ,potencial e nunca atual e real precisamos de um bom ,um bem operacional que seria um bem ou um bom relativo porém maior em contraste à um bem menor também relativo porém atual.A consciência e a admissão de que este bom ou bem maior (evidentemente em relação à um bem menor) é de natureza relativa e não absoluta, lhe confere o potencial de mudança,de reformulações e aperfeiçoamento

50 Mal Estar e Amor Proponho então para o nosso modo de pensar: “NOS INÚMEROS E DIFERENTES MOMENTOS DAS ENCRUZILHADAS E ATITUDES NA VIDA,EM QUE O BEM MAIOR E O BEM MENOR SE NOS APRESENTAM,É NECESSÁRIA A INTRANSIGENTE FILIAÇÃO Á FIDELIDADE AO BEM MAIOR. AO CONSTATAR O ERRO DA ESCOLHA DO ENTÃO APARENTE BEM MAIOR, É NECESSÁRIA A INTRANSIGENTE FIDELIDADE Á CORAGEM DE RETROAGIR, ASSUMINDO A DOR DO TEMPO PERDIDO,PARA NOVAMENTE INICIAR O CAMINHO DA BUSCA DO BEM MAIOR PERDIDO E NÃO ESTAGNAR A CORRENTE DA EVOLUÇÃO.” Jorge W. F. Amaro

51 Mal Estar e Amor A Psicanálise clássica enuncia que há sempre uma repressão de impulsos pulsionais. Tanto a pulsão sexual quanto a pulsão da agressividade tem que ficar reprimidas. Tudo isto a serviço de um ideal de ego. A sublimação é vista como um mecanismo de troca de objetivo sexual original por outro, muitas vezes, de valores socialmente valorizados como mais nobre.

52 Mal Estar e Amor A Constituição inata de cada um determinaria o quanto este indivíduo poderá sublimar. Em nosso modo de pensar a repressão não é só de impulsos pulsionais que ofenderiam o ideal do ego e daí a necessidade de repressão. Há concomitantemente a repressão de necessidades mais universais e que já existem em potencial e ainda não foram desenvolvidas

53 Mal Estar e Amor A consciência prematura da destruição destas necessidades mais universais poderia desencadear sentimentos de culpa com profundas necessidades de auto destruição; uma vez que perdoar é uma das funções do amor que pode ainda não estar desenvolvido

54 Mal Estar e Amor Apolo, o Deus da verdade, é a expressão de um código,de um símbolo que representa as verdades e os bens mais universais da humanidade e que deverão ser decifrados para proteger a vida, o desenvolvimento humanístico e espiritual do ser humano e não ficarmos aprisionados pelo nosso lado imanente

55 Mal Estar e Amor O relato do drama de Édipo, apresentado como uma fatalidade, apenas mostra nosso lado imanente que muitas vezes, inconscientemente, na busca de um prazer mais imediato, destrói, neste caminho, valores mais elevados que são incompatíveis naquele contexto social e histórico com aquele referido prazer e desejo.

56 Mal Estar e Amor Não precisa ser exclusivamente prazer sexual, mas sim, qualquer prazer ou desejo que seja incompatível com valores mais universais e que poderão, se atuados, promover destruições graves.

57 Mal Estar e Amor A felicidade aparente de Édipo e Jocasta durante os primeiros anos era o que chamamos de defesa maníaca, onde os valores humanísticos mais universais estão inconscientes e a destrutividade negada

58 Mal Estar e Amor Ao aperfeiçoarmos o nosso bom e o nosso bem, por meio de uma psicanálise, corremos riscos, pois o desvendar da verdade nos mostra dia a dia que corrompemos valores mais elevados pelo nosso egoísmo, pelo nosso narcisismo, pela nossa rivalidade, pela nossa infidelidade aos bens mais universais, pelo nosso vício de adesão à necessidade do gozo mais imediato, pela nossa intolerância, pela nossa inveja, pela nossa sede de vingança, etc, corremos o risco, como dizíamos, de ter que enfrentar a culpa pela destruição deste valores mais elevados

59 Mal Estar e Amor A praga que dizimava a população de Tebas seriam os valores mais elevados morrendo. A consciência disto gerando culpa pode levar o indivíduo a não suportá-la (suicídio de Jocasta e auto-cegamento de Édipo).

60 Mal Estar e Amor O ser humano tem que desenvolver a capacidade de perdoar-se e lenta e progressivamente, a possibilidade de, ao conscientizar-se destes enigmas e desta destruição destes valores mais elevados,neutralizar a necessidade de castigar-se e consertar os rumos de sua vida.

61 Mal Estar e Amor Às vezes um analisando de uma maneira altaneira e arrogante, como o fez Édipo, quer saber de toda a verdade. Se não estiver preparado com poderosas forças de humildade, de perdão, de renúncia ao perfeccionismo estéril, etc, poderá criar muitos mecanismos de autocastigo.

62 Mal Estar e Amor A verdade é que nas nossas mais profundas entranhas temos valores universais que necessitam ser desenvolvidos, como é o caso por exemplo, da difícil tarefa da busca dos direitos humanos, da ecologia do planeta e do ecumenismo religioso.

63 Mal Estar e Amor Há casos em que a alienação destes valores mais universais do Eu ficam ocultos e há uma inflação nos valores do Ego(como por exemplo nas personalidades paranóides) e nestas condições haverá estagnação do crescimento humanístico

64 Mal Estar e Amor Citaremos apenas um caso clinico para podermos ilustrar nosso pensamento acerca das afirmações relatadas no nosso artigo sobre Mal Estar e Amor

65 Mal Estar e Amor Trata-se de um profissional liberal,recém formado,sem filiação à nenhuma religião, que se apresenta à análise com queixas de pensamentos obsidentes que surgem quando se aproxima de manchas pretas,negras no chão por onde deve passar.

66 Mal Estar e Amor Não pisa nelas pois a idéia obsidente é que sua mãe morreria. Pula o espaço onde está a mancha preta.Não pode pisar nestes espaços pois a angústia que o persegue é que sua mãe morreria.Racionalmente não acredita muito nesta idéia porém emocionalmente sente o perigo e tem que desviar-se da mancha preta.

67 Mal Estar e Amor Outra queixa é que apresentou crises esporádicas de impotência sexual, embora todos os exames médicos o coloquem como normal e saudável, em termos sexuais. Apresentava também aversão por coroas de flores roxas que lembravam a ele a presença da morte.

68 Mal Estar e Amor Embora educado em família cristã,não se filiava em nenhuma religião institucionalizada. Pesquisadores da História das crenças e das idéias religiosas já apontaram que desde que os primórdios da humanidade o ser humano apresenta duas formas de conceber o mundo:a sagrada e a profana

69 Mal Estar e Amor .Na forma profana o ser humano se relacionava com a natureza de maneira natural e simples.Na forma sagrada a natureza,o espaço, a coisa em si se transforma qualitativamente sendo vivida com poderes sobrenaturais. Frente ao sagrado uma complexidade estrutural aparece como os mitos,ritos,símbolos,figuras divinas etc.

70 Mal Estar e Amor Esta função de sagrado está situada em um determinado momento histórico e social.O sagrado revela a função transcendente no homem. Na bíblia encontramos alusão ao espaço sagrado: “Não te aproximes daqui,disse o Senhor a Moisés,descalça as sandálias porque o lugar onde te encontras é uma terra sagrada “

71 Mal Estar e Amor As funções do sagrado e da omnipotência do pensamento foram descritas e observadas por meio da História da Civilização,das Pesquisas sobre as crenças e as idéias religiosas,também observadas pela Psicanálise,pela Antropologia etc.

72 Mal Estar e Amor Neste nosso caso clinico observamos uma forma rudimentar de elaborar as funções de sagrado e da omnipotência do pensamento.O espaço natural do chão,com manchas pretas,torna-se qualitativamente diferente pois apresenta, para o nosso analisando, um espaço sagrado que não pode ser pisado pois um mal muito grande ocorreria(sua mãe morreria).

73 Mal Estar e Amor De outro lado sua omnipotência de pensamento atribue ao espaço profano e inocente o poder de levar sua mãe à morte. O rito se estabelece ao andar de maneira sistemática e ritual não estabelecendo contato com as manchas pretas.De outro lado não pisando na mancha preta salva sua mãe da morte.

74 Mal Estar e Amor O bandido é a mancha preta e o mocinho é o nosso analisando.Em psicanálise é uma posição esquizo-paranóide com uso maciço de identificações projetivas. Seu lado de herói,de salvar sua mãe da morte já era uma forma inconsciente de desenvolver suas forças de vida e de seus valores mais universais reprimidos

75 Mal Estar e Amor Por outro lado suas necessidades mais imanentes ,principalmente suas pulsões de morte,de destruição também estavam reprimidas da consciência e projetadas na inocente mancha preta.

76 Mal Estar e Amor Desde o início de sua psicopatologia sua intenção,seu objetivo era nobre ou seja de preservar a vida de sua mãe.O problema é que os meios utilizados não favoreciam a finalidade pois colocar fora de si suas forças de morte:incapacidade de tolerar frustrações,egoísmo,violência,inveja,etc..impediam de atingir seus objetivos.

77 Mal Estar e Amor Por outro lado cortar o vínculo,não pisar era um meio irracional e patológico de proteger sua mãe. Assim também cortar o vínculo,por meio de crises de impotência,ao se relacionar sexualmente com figuras femininas, era um meio irracional e que promovia a si próprio sofrimento pela vivência de incapacidade sexual bem como de desfrutar uma sexualidade normal.

78 Mal Estar e Amor Com o desenvolvimento da análise ficou claro que o problema não era sexual ,não era orgânico, era apenas falta de desenvolvimento do único antídoto eficiente:o amor.Não havia desenvolvido ainda funções como tolerância à frustração,generosidade,renùncia em favor de um Bem Maior,gratidão,humildade,etc.

79 Mal Estar e Amor A repressão não era apenas da consciência de suas pulsões de morte mas também a repressão de suas necessidades mais universais reprimidas,do amor pessoal e do amor mais universal

80 Mal Estar e Amor Somente combater a repressão dos impulsos de morte irá levar um indivíduo a ser um sociopata quanto à sua conduta. A repressão perde sua necessidade quando surge o amor. Quando há amor ele serve como elemento moderador e neutralizador de nossas forças de morte.

81 Mal Estar e Amor Neste caso clínico podemos observar:1)o bem e o mal estão separados(posição esquizo-paranóide) sendo o bem identificado com o analisando e o mal com a mancha preta; 2)A mente do analisando sente que tem poderes omnipotente de transformar as inocentes manchas pretas em depositárias das pulsões de morte e destruição;

82 Mal Estar e Amor 3)Cortar o vínculo,não estabelecer vínculo foi o método encontrado para evitar o contato com sua parte imatura e destrutiva; 4)O analisando ao sacralisar um espaço profano,ao dar-lhe uma qualidade diferente e sobrenatural, já estava tentando elaborar, de maneira primitiva, as funções de sagrado e de sobrenatural;

83 Mal Estar e Amor 5)Os ritos por ele usados de pular,de não pisar manchas pretas,bem como o corte do vínculo ofereciam por meio destes rituais um apaziguamento da culpa gerando sofrimento ao analisando(culpa persecutória-castigando-se); 6)não havia uma verdadeira reparação e integração(culpa depressiva).

84 Mal Estar e Amor A mente primitiva usa o prazer como um antídoto de experiências de frustração e de morte. A mente amadurecida usa o amor como antídoto. Nós, psicoterapeutas, temos o dever de, como parteiros da alma, ajudar o nosso analisando a parir seus potenciais mais universais que, em geral, estão reprimidos

85 Mal Estar e Amor Combater exclusivamente as forças destrutivas que estão reprimidas da consciência e expressadas por sintomas somáticos e psíquicos, apenas enfraquecendo a repressão, sem concomitantemente, desreprimir as forças construtivas universais poderá levar o indivíduo a condutas sóciopaticas.

86 Mal Estar e Amor A história nos mostrou que a humanidade após a consciência de momentos de elevada auto destruição, como foi na primeira e na segunda guerras mundiais esboça uma tentativa de buscar o interesse comum e mais universal dos povos.

87 Mal Estar e Amor Foi assim criada a Liga das Nações após a Primeira Guerra Mundial e Organização das Nações Unidas após a Segunda Guerra Mundial. A intenção seria promover a paz internacional e regular a vida internacional. Teoricamente a intenção era buscar interesses comuns e valores mais universais.

88 Mal Estar e Amor Na prática valores individuais, incapacidade de atingir interesse comum, o não desenvolvimento de valores mais universais tem demonstrado a falência deste objetivo.

89 Mal Estar e Amor Nós psicoterapeutas não podemos mudar o grande mundo sociológico, porém podemos, numa relação em escala minúscula, promover, na relação psicoterápica, o desenvolvimento desses valores mais universais, pois somente através dele atingiremos a possibilidade de promover interesse comum, paz, respeito às diferenças , convivência e, se não possível, pelo menos uma co-existência pacífica. Jorge W.F.Amaro