1 Marcos Antonio Barbosa da Silva JuniorProfa. Dra. Simone Rosa da Silva Profa. Dra. Roberta de Melo Guedes Alcoforado Outubro, 2016 AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE MICRODRENAGEM VISANDO À SUSTENTABILIDADE DE ÁREA URBANA COM PROBLEMAS DE ALAGAMENTOS E INFLUÊNCIA DAS MARÉS
2 1. INTRODUÇÃO O processo de urbanização acelerado e não planejado das cidades tem apresentado grandes mudanças no meio ambiente, acarretando sérios problemas para a infraestrutura urbana. Um dos impactos decorrentes deste desenvolvimento acelerado está relacionado à drenagem das águas pluviais, caracterizado pelos alagamentos nos centros urbanos na ocorrência de chuvas. Yannopoulos (2013) enfatiza que este processo produz o aumento e a aceleração do escoamento superficial das águas pluviais, além de diminuir a capacidade de infiltração da água no solo. Essa situação se agrava principalmente nas planícies costeiras, como é o caso da cidade do Recife, que teve seu processo de ocupação urbana de forma desordenada e possui um sistema de drenagem altamente vulnerável às oscilações de maré, podendo provocar sérios problemas de alagamentos em períodos de chuvas intensas combinados com maré alta (SILVA JÚNIOR, 2015).
3 2. OBJETIVO Diante das peculiaridades urbanísticas e geográficas apresentadas pela cidade, atualmente o Recife apresenta 159 pontos de alagamentos, catalogados pela EMLURB (Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana), como os mais críticos. Com base neste cenário, o presente trabalho consiste em avaliar o sistema de microdrenagem de um destes pontos de alagamento, identificando as principais causas associadas ao problema e propondo melhorias para adequação da rede de drenagem local.
4 ARTICULAÇÃO COM O ORGÃO GESTOR DA DRENAGEM URBANA DO RECIFE3. METODOLOGIA ARTICULAÇÃO COM O ORGÃO GESTOR DA DRENAGEM URBANA DO RECIFE REUNIÕES E VISITAS TÉCNICAS À SECRETARIA DE INFRAESTRUTURA E SERVIÇOS URBANOS – EMPRESA DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANA (EMLURB). DEFINIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO AQUISIÇÃO DOS DADOS NECESSÁRIOS CADASTRO TÉCNICO DA MICRODRENAGEM DA ÁREA DE ESTUDO. RELATÓRIOS E PLANOS DE DRENAGEM DO RECIFE E RMR. INFORMAÇÕES RELEVANTES DA ÁREA EM ESTUDO, A PARTIR DE CONVERSAS COM TÉCNICOS E REPRESENTANTES DA EMLURB.
5 3. METODOLOGIA VISITAS DE CAMPO PERÍODO SECOForam identificados, fotografados e mapeados os principais elementos de drenagem com interferência direta ao ponto crítico de alagamento PERÍODO CHUVOSO Foi acompanhado no seu momento mais intenso de precipitação, observando as alturas de lâmina d’água e a extensão do alagamento provocado em decorrência do evento de precipitação considerado.
6 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESESTUDO DE CASO DIAGNÓSTICO DA REDE DE DRENAGEM EXISTENTE REFLEXOS DE UM EVENTO DE PRECIPITAÇÃO INTENSA NO PONTO CRÍTICO ESTUDADO CONSIDERAÇÕES SOBRE A TOPOGRAFIA LOCAL CONSTATAÇÕES VERIFICADAS NA REDE DE GALERIAS DA ÁREA EM ESTUDO
7 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESESTUDO DE CASO: CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DA ÁREA N PONTO CRÍTICO DE ALAGAMENTO ESTUDADO Bairro da Soledade Cruzamento da Rua Joaquim Felipe com a Av. João de Barros
8 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESESTUDO DE CASO: ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO AO PONTO DE ALAGAMENTO N Legenda: Área de contribuição ao ponto de alagamento Área de contribuição ao ponto de alagamento: Área: 5,42 ha. Perímetro:1.231 m. Encontra-se situada na RPA 01. A área de contribuição ao ponto de alagamento encontra-se situada na ZUP 01 (Lei nº /96). PONTO CRÍTICO DE ALAGAMENTO ESTUDADO
9 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESESTUDO DE CASO: PRINCIPAIS CARACTERISTICAS FÍSICAS DA ÁREA Encontra-se situada na RPA 01. A área de abrangência do estudo contempla outros bairros vizinhos ao bairro da Soledade (Boa Vista e Santo Amaro). Em 1988 surgiu o bairro da Soledade, cuja área pertencia ao bairro da Boa Vista. Em 1996, o bairro da BOA VISTA possuía a SEGUNDA MAIOR ÁREA CONSTRUÍDA DO RECIFE ( m2) e o bairro de SANTO AMARO a QUARTA MAIOR ÁREA CONSTRUÍDA ( m²). Em 2003, o bairro de Santo Amaro apresentou um crescimento de 49% de área construída e o bairro da Boa Vista um crescimento inferior a 20% (PCR, 2014). O bairro da Soledade é predominantemente residencial (1.257 imóveis), 477 imóveis não residenciais, além de 352 terrenos (IBGE, 2000). De acordo com a Lei de Uso e Ocupação do Solo da Cidade do Recife (Lei nº /96), a área de contribuição ao ponto de alagamento encontra-se situada na ZUP 01 (Zonas de Urbanização Preferencial), possibilitando alto poder construtivo. It = 62, ,77.e-3,282t
10 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESESTUDO DE CASO: PROCESSO DE URBANIZAÇÃO NA ÁREA DE MONTANTE AO PONTO CRÍTICO N N 1974 2007 Fonte: Ortofotocartas (FIDEM) Ponto crítico de alagamento estudado It = 62, ,77.e-3,282t
11 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESESTUDO DE CASO: REGISTROS FOTOGRÁFICOS DOS ALAGAMENTOS NO LOCAL ESTUDADO “Rua Joaquim Felipe, no bairro de Santo Amaro”. Alagamento provocado pela chuva do dia 15/07/2013. “Na João de Barros, alagamento causa transtorno para quem passa no local”. Alagamento provocado pela chuva do dia 05/06/2013. “Situação do cruzamento da Rua Joaquim Felipe com a Avenida João de Barros visto do prédio da Celpe”. Alagamento provocado pela chuva do dia 24/04/2013. Fonte: FolhaPE, 2013; LeiaJá, 2013; JConline, 2013. It = 62, ,77.e-3,282t
12 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESDIAGNÓSTICO DA REDE DE DRENAGEM EXISTENTE BOCA DE LOBO OBSTRUÍDA RESÍDUOS NA BOCA DE LOBO PRESENÇA DE FOLHAS SECAS EM BOCAS DE LOBO ÁRVORES PRÓXIMAS ÀS BOCAS DE LOBO DRENAGEM DE PRÉDIO LIGADA AO ELEMENTO DE DRENAGEM DA VIA PRESENÇA DE ESGOTO NA REDE DE DRENAGEM Fonte: O Autor, 2014. It = 62, ,77.e-3,282t
13 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESMAPEAMENTO DOS PRINCIPAIS ELEMENTOS DE DRENAGEM EXISTENTES Fonte: O Autor, 2014. It = 62, ,77.e-3,282t
14 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESREFLEXOS DE UM EVENTO DE PRECIPITAÇÃO INTENSA NO PONTO CRÍTICO ESTUDADO Evento: 22:00 horas / dia 25 – 18:00 horas / dia ,6 mm PERÍODO 66,80 mm a 10 h MARÉ 0,30 m :45 h It = 62, ,77.e-3,282t
15 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESREFLEXOS DE UM EVENTO DE PRECIPITAÇÃO INTENSA NO PONTO CRÍTICO ESTUDADO PERÍODO SECO PERÍODO CHUVOSO Momento da Fotografia: Horário: 09:54 h - havia precipitado 73,20 mm (68% do total precipitado neste evento). Maré: Baixa 14 cm It = 62, ,77.e-3,282t
16 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESREFLEXOS DE UM EVENTO DE PRECIPITAÇÃO INTENSA NO PONTO CRÍTICO ESTUDADO Área de Alagamento: 1300 m² Volume de inundação: 182 m³ It = 62, ,77.e-3,282t
17 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESCONSIDERAÇÕES SOBRE A TOPOGRAFIA LOCAL PONTO CRÍTICO DE ALAGAMENTO ESTUDADO It = 62, ,77.e-3,282t
18 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESCONSTATAÇÕES VERIFICADAS NA REDE DE GALERIAS DA ÁREA EM ESTUDO Galeria da Avenida João de Barros com a Rua do Príncipe: Irregularidades na Rede It = 62, ,77.e-3,282t
19 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESCONSTATAÇÕES VERIFICADAS NA REDE DE GALERIAS DA ÁREA EM ESTUDO Principais consequências da irregularidade na rede de drenagem local: Retenção do fluxo das águas pluviais no P4 (Local do Estudo). Acúmulo de sedimentos, provocando a diminuição da seção hidráulica da tubulação deste trecho. Possíveis causas da irregularidade na rede de drenagem local: Recalque da estrutura (Poço de Visita) Ocorrência de solo mole It = 62, ,77.e-3,282t
20 4. RESULTADOS E DISCUSSÕESCONSTATAÇÕES VERIFICADAS NA REDE DE GALERIAS DA ÁREA EM ESTUDO GALERIA DIÂMETRO POÇOS COTA FUNDO POÇO (m) DESNÍVEL (m) EXTENSÃO DA GALERIA (m) DECLIVIDADE (%) Galeria 1 0,40 P1 4,12 0,32 92,57 0,35 P4 3,80 Galeria 2 -0,24 7,30 -3,29 P5 4,04 Galeria 3 -0,13 9,50 -1,37 P6 4,17 Galeria 4 -0,07 16,00 -0,44 P8 4,24 Galeria 5 0,34 12,70 2,68 P9 3,90 Galeria 6 -0,23 23,60 -0,97 P10 4,13 Galeria 7 -0,02 5,70 -0,35 P11 4,15 Galeria 8 0,00 9,40 P12 Galeria 9 0,02 11,90 0,17 P13 Galeria 10 0,06 10,90 0,55 P14 4,07 Galeria 11 35,00 0,49 P15 Galeria 12 -0,10 4,83 -2,07 P16 4,00 Galeria 13 -0,01 25,00 -0,04 P17 4,01 Local do ponto crítico 24 cm -3,29%
21 5. CONCLUSÕES Ações necessárias para o ponto crítico de alagamento estudado: CONTROLE EFETIVO DA URBANIZAÇÃO, evitando a impermeabilização excessiva das poucas áreas de solo exposto ou com vegetação; Identificação dos TRECHOS OBSTRUÍDOS da rede de drenagem; LIMPEZA das ruas e calçadas; Incentivo ao USO DE GRELHAS COM MANUTENÇÃO SISTEMÁTICA, em substituição as bocas de lobo convencionais; Evitar o BOMBEAMENTO IMEDIATO DA ÁGUA de drenagem dos prédios situados na Rua Joaquim Felipe, no momento em que está chovendo, recorrendo às técnicas de retenção da água; e Uso de MICRORRESERVATÓRIOS DE DETENÇÃO EM NÍVEL DE LOTE, visando à redução dos picos de cheia e consequentemente alagamentos, podendo servir como acumulador de águas pluviais para posterior reuso. It = 62, ,77.e-3,282t
22 6. REFERÊNCIAS ALHEIROS, M. M.; MENEZES, M. F.; FERREIRA, M.G. (1990). Carta Geotécnica da Cidade do Recife, Sub-Área Geologia / Geologia de Engenharia, Relatório Final de Atividades. FINEP / UFPE, 81 p. FOLHAPE. Chuvas provocam retenções e alagamentos em vários pontos do Recife. Disponível em:http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cotidiano/noticias/arqs/2013/07/0015.html. Acesso em: 10 dez IBGE. Censo Demográfico de Disponível em:
23 Contato: [email protected]OBRIGADO! Contato: AGRADECIMENTOS: