Misticismo e sensualidade

1 Misticismo e sensualidadeARTE INDIANA Misticismo e sens...
Author: Jorge Sampaio Antunes
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1 Misticismo e sensualidadeARTE INDIANA Misticismo e sensualidade

2 A Arte Indiana é cheia de misticismo e simbologiaA Arte Indiana é cheia de misticismo e simbologia. Ao Ocidente, a cultura Oriental pode parecer exagerada e sensual, liberdade de expressão não habitual. A arte da Índia pode ser compreendida e julgada no contexto das pretensões e necessidades ideológicas, estéticas e rituais da civilização hindu. A visão hindu-budista do mundo depende da resolução do paradoxo central de toda a existência, segundo o qual a mudança e a perfeição, o tempo e a eternidade, a imanência e a transcendência, funcionam como partes de um único processo.

3 Assim, não se pode separar a criação do criador e o tempo deve ser entendido como uma matriz da eternidade. Este conceito, aplicado à arte, divide o universo da experiência estética em três elementos distintos, ainda que relacionados entre si: os sentidos, as emoções e o espírito. Estes elementos ditam as normas para a arquitetura, como instrumento para fechar e transformar os espaços, e para a escultura, em termos de volume, de plasticidade, de modelagem, de composição e de valores estéticos.

4 No lugar de representar a dicotomia entre a carne e o espírito, a arte hindu, por meio da sensualidade , funde ambas, através de um complexo simbolismo que, por exemplo, transforma a carnalidade de um corpo feminino num mistério perene de sexo e de criatividade, no qual a momentânea esposa se revela como a mãe eterna.

5 Deve-se entender como arte indiana aquela que se manifestou não apenas na Índia, mas também na Caxemira, Ceilão, Nepal, Tibete e Indonésia. O modelo, entretanto, foi forjado no país que lhe dá o nome e difundiu-se a partir do reino vizinho, o Khmer, pelos demais. As origens da arte indiana remontam às invasões dos arianos, que depois de devastar a civilização do vale do Indo impuseram sua língua, o sânscrito, e seus escritos religiosos: Os Vedas.

6 Com a dinastia dos Mauryas começou um período de esplendor culturalCom a dinastia dos Mauryas começou um período de esplendor cultural.O budismo, apesar de posterior ao bramanismo e contemporâneo do jainismo, estabeleceu os princípios da arte indiana ao longo de toda a história, desde seu surgimento. A necessidade de difusão desse movimento religioso levou à adoção de determinados parâmetros de representação, que depois foram estendidos às outras religiões. A arte indiana também recebeu influência persa, principalmente nas cortes, sob o reinado de Asoka ( a.C.).

7 O artista hindu utiliza de forma acertada alguns motivos, como a figura feminina, a árvore, a água, o leão e o elefante numa composição determinada. Ainda que o resultado seja às vezes inquietante no tocante aos conceitos, no que se refere à vitalidade sensual, ao sentido do terreno, à energia muscular e ao movimento rítmico permanecem inconfundíveis. Todos os elementos que formam a pintura indiana — como a forma do templo hindu, os contornos dos corpos dos deuses hinduístas, a luz, a sombra, a composição e o volume — são encaminhados para glorificar os mistérios que resolvem o conflito entre a vida e a morte, entre o tempo e a eternidade.

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9 O principal objetivo da arte da Índia é aproximar o povo de seus deuses, para que possam ser venerados. Contornos, luz, sombra e volume tentam revelar o que há entre a vida e a morte, entre o tempo e a eternidade, e sendo assim, a arte indiana busca elevar os sentidos, as emoções e o espírito.            Sobre a religião muçulmana não houve muitas influências, já que esta proíbe a representação da figura humana, justificando-se assim a decoração com motivos geométricos.

10 A arte indiana manifestada na arquitetura, na escultura, na pintura, na joalheria, na cerâmica, nos metais e nos tecidos estendeu-se por todo o Oriente com a difusão do budismo e do hinduísmo e exerceu uma grande influência sobre as artes da China, do Japão, da Birmânia, da Tailândia, do Camboja e de Java. As duas religiões, com suas ramificações, predominaram na Índia até que o islamismo tomou força entre os séculos XIII e XVIII. A religião muçulmana proíbe a representação da figura humana nos contextos religiosos, motivo pelo qual a decoração passou a representar motivos geométricos.

11 Arquitetura A primeira mostra de arquitetura indiana foi a construção de edifícios de tijolos, ao tempo que se levantavam estruturas de madeira. Embora estas últimas tenham desaparecido ao longo dos séculos, foram imitadas por construções de pedra que ainda estão de pé. A arquitetura islâmica da Índia vem desde o século XIII até os nossos dias. A ela pertencem o famoso mausoléu de Gol Gundadh (1660), em Bijapur, estado de Mysore; a torre Qutb Minar (século XII), com cinco andares de pedra e mármore, em Delhi, capital; e a mesquita de Jami Masjid (1423), em Ahmadabad. A fase mongol do estilo indo-islâmico, entre os séculos XVI e XVIII, fomentou o uso de materiais luxuosos, como o mármore. O exemplo culminante desse estilo é o mausoléu do Taj Mahal.

12 O Taj Mahal, mausoléu da esposa de um imperador mongol do século XVII, foi construído por cerca de trabalhadores de 1631 a 1648 em Agra, cidade no norte da Índia. Este enorme edifício rematado com cúpulas foi construído em estilo indo-islâmico, onde se usou mármore branco e gemas incrustadas. Em cada esquina há um minarete e as paredes exteriores são adornadas com passagens do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Os corpos do imperador e de sua esposa jazem em uma cripta.

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15 Escultura A partir do século II a.C., e com a chegada do Budismo, a escultura completava a arquitetura monumental em pedra. Destacam-se neste época os capitéis com formas de animais, as varandas em mármore e as portas da Grande Stupa de Sanchi (séc. II a.C.), de relevos delicados e minuciosos trabalhados em marfim. Os relevos primórdios se tratavam apenas de simples linhas gravadas numa superfície plana, não havia profundidade. Com o passar dos tempos, e sob influência dos romanos, os relevos apresentaram maior profundidade e arredondamentos, muitas vezes confundindo os relevos com uma escultura plena.

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21 Nos século I e II começam a aparecer primeiras representações de Buda e seus antigos símbolos. O período Gupta (por volta dos anos 320 à 600), o Buda surge com linhas e contornos claramente definidos, além de ser representado envolto em vestes coladas aos corpo, como se estivessem molhadas. No mesmo período, a escultura hindu se desenvolve: talham-se relevos para adornar os santuários escavados nas rochas.

22 Pintura             Basicamente religiosa, as pinturas serviam como a forma mais fácil de aproximar as pessoas de seus deuses. Esta forma de arte teve momentos serenos e espirituais, assim como energéticos e voluptuosos.             A pintura era baseada sempre nas iluminuras dos manuscritos de textos sagrados. O principal tema das pinturas eram as epopéias hindus tradicionais, sobretudo a vida do deus Krishna. E suas superfícies geralmente eram em estandartes, tapeçarias e paredes e muitas vezes nos próprios manuscritos.

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