Motivação para aprender línguas estrangeiras

1 Motivação para aprender línguas estrangeirasParte I – d...
Author: Aníbal Miranda Lobo
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1 Motivação para aprender línguas estrangeirasParte I – definição do construto – Climene Parte II – evolução teórica do construto – Raquel Belo Horizonte, 09 de março de 2017

2 PARTE I Pela definição do conceito formal de motivação >> O que dizem os teóricos?

3 Origem da palavra ‘motivação’Palavra derivada do verbo movere, de raiz latina, que significa se mover, implicando assim ação.

4 Definições de MotivaçãoWilliams & Burden (1997, p. 120) propõem a seguinte definição, de caráter cognitivo: “um estado de excitação cognitiva e emocional, o qual leva a uma decisão consciente de agir, e dá origem a um período de esforço físico e/ou intelectual continuado, a fim de alcançar objetivo (s) previamente estabelecido (s).”

5 Gardner (2005, p. 03) afirma: “motivação refere-se às escolhas que as pessoas fazem no sentido de quais experiências ou objetivos irão abordar ou evitar, e ao grau de esforço que irão realizar nesse sentido.” (caráter psicológico)

6 Oxford & Shearin (1994) e Dörnyei (2001, 2014) relacionam motivação para a aprendizagem de línguas a crenças e à expectativa de sucesso. Os autores (ibid.) afirmam que a motivação para aprender a língua inclui crenças dos estudantes a respeito de que a aprendizagem da língua os levará a conseguir algo a mais, tal como: “promoção na carreira, satisfação, maior tolerância cultural ” (p. 19), atribuição de significado e valor aos resultados de aprendizagem. (caráter sócio-dinâmico)

7 Dornyei (2001, 2014) sugere para geração de motivação inicial: cultivar nos estudantes crenças realísticas sobre aprendizagem e sobre sua própria capacidade de aprendizagem de línguas, bem como, aumentar a expectativa dos aprendizes sobre sucesso na aprendizagem. Outras ações recomendadas por Dörnyei (2014): aumentar seus valores e atitudes em relação a L2, promover a orientação aos seus objetivos, elaborar material pedagógico relevante para os aprendizes.

8 Segundo Dörnyei & Ushioda (2011), centrais na pesquisa e teoria sobre motivação são as seguintes perguntas: o que move uma pessoa a fazer determinadas escolhas, a engajar-se em ações a e persistir nelas? (caráter sócio-dinâmico)

9 (Arruda, 2014) Defino motivação como mola propulsora para ação que mobiliza objetivos pré-estabelecidos e a consequente seleção de ações para alcançá-los, sustentada pelo emprego de esforço durante a atividade. A motivação de um indivíduo parte de interesse pessoal e de crenças, individuais e coletivas, já que essas guiam ações; dependente do contexto situado e também o influencia, ou seja, a motivação é mediada pelo contexto.

10 PARTE II Pelo conhecimento das correntes teóricas que definiram o conceito atual de motivação e a forma como ele é aplicado e investigado na Linguística Aplicada Dörnyei & Ushioda (2011)

11 Período sócio-psicológico (1959-1990)Gardner (1960) contexto: Canadá (bilingue) aculturação: melhor qualidade de vida – exercício de cidadania Wallace Lambert & Robert Gardner (1972) pioneirismo: enfatizaram fatores afetivos (não cognitivos), dentre eles a motivação, como causa significativa da variação do sucesso de aprendizagem de línguas

12 Período sócio-psicológico (1959-1990)Gardner (1985) – motivação tem 3 componentes: intensidade ou esforço desejo de aprender a L2 atitudes direcionadas para aprender a L2 Motivação: intrínseca ou extrínseca Orientação: integrativa ou instrumental

13 Período sócio-psicológico (1959-1990)Relação entre motivação e orientação (= objetivo): “the role of orientations is to help arouse motivation and direct it towards a set of goals.” Dörnyei & Ushioda (2011, p. 41) Crítica recente ao conceito de orientação integrativa (Gardner & Lambert, 1959), a partir dos anos 90

14 Período cognitivo situado (anos 90)Caracterizado por duas tendências: necessidade de atualizar a pesquisa segundo a revolução cognitiva da época desejo de focar em análises mais situadas da motivação, levando em consideração as especificidades de cada contexto de aprendizagem investigado >> atenção direcionada para a motivação dentro da sala de aula (preocupações e necessidades do prof.)

15 Período cognitivo situado (anos 90)“In short, the cognitive-situated period represented a shift in focus rather than a rejection of the important social psychologica dimension of language learning, which continues to engage attention today.” Dörnyei & Ushioda (2011, p. 47)

16 Período processual (1994-2005)Foco: apresentar os processos motivacionais na medida em que ocorrem ao longo do tempo Williams & Burden (1997) – motivação para aprender e motivação durante a aprendizagem. Proposta de estágios do processo de motivação: Reasons for doing something Deciding to do something Sustaining the effort, or persisting

17 Período processual (1994-2005)Foco no tempo – Ushioda (1998): motivação deriva da experiência e direcionada para o alcance de objetivos futuros até o final dos anos 90: pesquisas orientadas por abordagens quantitativas – uso de bateria de testes, grandes amostras de participantes, foco em quesitos objetivos com objetivo e generalização, escala likert, estatísticas etc. esse período problematizou a forma de se pesquisar motivação

18 Período processual (1994-2005)Modelo processual de Dörnyei & Ottó (1998) fase pré-acional (choice motivation) fase acional (executive motivation) fase pós-acional (assessment and replanning)

19 Período sócio-dinâmico (2005 em diante)motivação não se mantém constante – varia o tempo todo Dinâmicas de mudança motivacional passam a ser o foco das pesquisas em dois níveis: Nível micro: ex – motivação na realização de atividades em sala de aula Nível macro: motivação ao longo de um curso, al longo da história de aprendizagem de L2 de uma pessoa, ao longo da vida de uma pessoa

20 Período sócio-dinâmico (2005 em diante)Complexidade da inter-relação entre os fatores motivacionais abolição dos relacionamentos lineares Integração da motivação com o contexto social Surgimento da motivação integrativa global Pesquisa assume o paradigma dos sistemas dinâmicos