1 O PASSE Requisitos Morais
2 REQUISITOS MORAIS ESTUDO CONTÍNUOEspíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: "Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade." - O Espírito de Verdade. (Paris, 1860.) No capítulo VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec ressalta a importância do estudo contínuo do Espiritismo através desta mensagem (acima). No caso do passe, é importante ter conhecimento especializado de sua natureza, seus mecanismos, seus efeitos. Ausência de estudo significa estagnação, em qualquer setor de trabalho. O estudo metódico do Espiritismo em grupos desperta nas pessoas o desejo de amar, perdoar sempre, de incorporar em suas almas as virtudes evangélicas, essenciais para uma vida feliz.
3 REQUISITOS MORAIS André Luiz conta em Nos Domínios da Mediunidade que num trabalho mediúnico se comunicou o Espírito José Maria, altamente perturbado, inferior. A médium que o serviu foi Celina, que era qual ‘harpa delicada’ nas mãos dos Benfeitores, pelos seus dotes morais. André Luiz estranhou que justamente ela fosse a intérprete de tão perversa criatura. O Instrutor Áulus explica, porém: “Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não precisamos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga e desintegra”. De fato, a ação do bem irradiado por Celina desintegrou os fluidos perniciosos de José Maria. Se a médium não estivesse preparada os danos seriam inevitáveis. Assim também ocorre no passe. É da lei que o bem dilua o mal.
4 REQUISITOS MORAIS Quem pode aplicar o passe? O conhecimento da natureza e dos mecanismos do passe nos possibilita inferir que todas as pessoas sadias poderiam, em princípio, aplicar o passe. Todas possuem fluidos, em várias gradações, naturalmente, que podem ser mobilizados pelo amor na direção do semelhante que sofre. Mas para efetivamente nos qualificarmos como bons servidores do passe, precisamos muito esforço, muita vontade ativa, muita disciplina para irmos adquirindo certas condições mínimas. Emmanuel ressalta a influência da pureza dos sentimentos de Jesus na promoção da cura, acrescentando que o mesmo se aplica aos nossos esforços na aplicação do passe, embora ainda estejamos imensamente distantes da condição do Cristo. Se pretendes, pois, guardar as vantagens do passe que, em substância, é ato sublime de fraternidade cristã, purifica o sentimento e o raciocínio, o coração e o cérebro. Segue-me – Emmanuel – Capítulo ‘O Passe’ – Pág. 134
5 REQUISITOS MORAIS O missionário do auxilio magnético, na Crosta ou aqui em nossa esfera, necessita ter grande domínio sobre si mesmo, espontâneo equilíbrio de sentimentos, acendrado amor aos semelhantes, alta compreensão da vida, fé vigorosa e profunda confiança no Poder Divino. Cumpre-me acentuar todavia, que semelhantes requisitos em nosso plano constituem exigências a que não se pode fugir, quando, na esfera carnal, a boa vontade sincera, em muitos casos, pode suprir essa ou aquela deficiência, o que se justifica, em virtude da assistência prestada pelos benfeitores de nossos círculos de ação ao servidor humano, ainda incompleto no terreno das qualidades desejáveis. Missionários da Luz – André Luiz – Cap. 19
6 REQUISITOS MORAIS O passe é um trabalho de equipe. É comum que os colaboradores encarnados mostrem maior soma de deficiências que os desencarnados, em geral mais conscientes de seus deveres e da delicadeza da tarefa. Não podendo os serviços serem prejudicados, já que é o bem do próximo que está em jogo, tais deficiências podem ser supridas pelos Espíritos, quando de nossa parte houver boa vontade e desejo sincero de ajudar. Meditando nisso, vemos como precisamos lutar por nossa melhoria integral! Ainda mesmo que o operário humano revele valores muito reduzidos, pode ser mobilizado? — Perfeitamente (...). Desde que o interesse dele nas aquisições sagradas do bem seja mantido acima de qualquer preocupação transitória, deve esperar incessante progresso das faculdades radiantes, não só pelo esforço próprio, senão também pelo concurso de Mais Alto de que se fez merecedor. Missionários da Luz – André Luiz – Cap. 19
7 REQUISITOS MORAIS Quer dizer que numa casa como esta (um centro espírita) há colaboradores espirituais devidamente fichados, assim como ocorre com médicos e enfermeiros num hospital terrestre comum? — Perfeitamente. Tanto entre os homens como entre nós, que ainda nos achamos longe da perfeição espiritual, o êxito do trabalho reclama experiência, horário, segurança, responsabilidade do servidor fiel aos compromissos assumidos. A Lei não pode menosprezar as linhas da lógica. E os médiuns (Clara e Henrique)? São invariavelmente os mesmos? — Sim; contudo, em casos de impedimento justo, podem ser substituídos, embora nessas circunstâncias se verifiquem, inevitavelmente, pequenos prejuízos resultante de natural desajuste. Missionários da Luz – André Luiz – Cap. 19
8 REQUISITOS MORAIS Preparam-se, os nossos amigos (Clara e Henrique), à frente do trabalho, com o auxilio da prece? — Sem dúvida. A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai. Por ela, Clara e Henrique expulsam do próprio mundo interior, os sombrios remanescentes da atividade comum que trazem do círculo diário de luta e sorvem do nosso plano, as substâncias renovadoras de que se repletam, a fim de conseguirem operar com eficácia a favor do próximo. Desse modo ajudam e acabam por ser firmemente ajudados. Missionários da Luz – André Luiz – Cap. 19
9 DISCIPLINA Com o trabalho disciplinado, o espírita encontra tempo para cumprir todos os seus deveres e ser mais assíduo e pontual nas tarefas assumidas no centro espírita. Deve-se lembrar que as tarefas espirituais não são mecânicas. O operário chega na indústria, liga as máquinas e tudo começa a funcionar. As atividades espirituais, porém, precisam de preparo íntimo, meditação, asserenamento físico e mental para serem desenvolvidas a contento. O respeito à programação estabelecida para os trabalhos do passe é indispensável. Faltar ou chegar atrasado desorganiza o ritmo harmônico das atividades.
10 PACIÊNCIA A paciência é uma virtude imprescindível a quem se dispõe a acolher os irmãos necessitados e aflitos, que muitas vezes chegam ao centro espírita em franco destrambelho psíquico, podendo causar irritação a quem não se lembre de que é alguém que enfermou do espírito. A afabilidade e a doçura são filhas diletas da paciência. Ouvir com paciência aquele que está em desequilíbrio, ou que desconheça os mecanismo espirituais, já é um avanço no tratamento de muitos males. O bom trabalhador espírita deve adquirir o excelente hábito de ouvir mais do que falar. Que ‘fale’ sobretudo com o coração, pelas emissões do bem.
11 VIVÊNCIA CRISTÃ É muito bom termos ímpetos generosos; mas é melhor ainda que a generosidade seja constante em todas as nossas atitudes através da vivência da Lei de Amor, Justiça e Caridade. Nos momentos floridos é muito fácil assumir atitudes cristãs. Na hora dos testemunhos expiatórios, dos testes com pessoas difíceis, familiares problemáticos, porém, o grito de cólera, a critica contumaz, os pensamentos menos nobres invadem o nosso ser, ainda próximo da irracionalidade. Como conseqüência, surgem os distúrbios incômodos da depressão, do desânimo, do suicídio, dos processos obsessivos cruéis. Nestas circunstâncias o trabalhador deve se privar da doação do passe.
12 PRÁTICA DA CARIDADE Caridade como entendia Jesus: Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas. → Benevolência: Boa vontade para com alguém; complacência; afeto. Dic. Aurélio → Indulgência: Pronto a perdoar; tolerante. Dic. Aurélio A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, mas abrange todas as relações com nossos semelhantes. Ela nos manda ser indulgentes, porque temos necessidade de indulgência e nos proíbe humilhar o infortúnio. O Livro dos Espíritos – Questão 886 Amar o próximo como a si mesmo e fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós, é a expressão mais completa da caridade. O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI, 4 Fora da caridade não há salvação. O Evangelho Segundo o Espiritismo -, Cap. XV
13 EQUILÍBRIO EMOCIONAL O equilíbrio emocional um requisito bastante difícil, mas que pode ser conquistado. Para essa conquista é preciso que não nos desgastemos com mágoas excessivas, paixões, ressentimentos, temores, nervosismo, etc. São estados doentios que expressam a falta de fé nos desígnios divinos. A oração e o serviço ao próximo são notáveis recursos para o equilíbrio emocional. Devemos abster-nos de dar passe quando em desequilíbrio emocional, pois os fluidos ficam como que ‘poluídos’. Emoção sob controle significa sentimento proporcional às circunstâncias. Podemos ter pouco ou nenhum controle sobre as emoções, mas podemos ter controle sobre a duração duma emoção. A tristeza, preocupação ou raivas habituais passam com o tempo, mas quando as emoções negativas são intensas e persistentes podem causar distúrbios físicos e psíquicos sérios.
14 FÉ E ORAÇÃO Devemos ter confiança absoluta na misericórdia e justiça de Deus, lembrando que é dela que provêm os recursos terapêuticos do passe. A prece, a meditação, estabelecem nossa ligação com os emissários divinos, criando um clima excelente para o êxito do trabalho espiritual. A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Primeira Carta de Paulo a Timóteo 5, 22
15 OBSESSÃO Nos casos de obsessão o passe pode contribuir para desligar o(s) obsessor(es) do psiquismo do obsidiado. Mas esse desligamento não constitui terapêutica de base. Obtida assim uma ‘trégua’, é necessário que o hospedeiro das influências maléficas seja orientado a buscar os recursos do Evangelho e da Doutrina Espírita para a sua libertação definitiva, transformando seu padrão mental e moral.
16 NO MUNDO ESPIRITUAL O passe é também usado como tratamento abençoado para os Espíritos sofredores do mundo espiritual. Isso pode ocorrer quando a pessoa encarnada que recebe o passe está intimamente vinculada a um Espírito, que então se beneficia igualmente dos recursos fluídicos. O passe pode também ser ministrado por um Espírito sobre outro, no Mundo Espiritual, como se relata, por exemplo, nos capítulos 22 a 25 do livro Os Mensageiros, de André Luiz.