1 Organizar direitos sociais em nome dos mais pobres na era do PTBritta Baumgarten, CIES IUL, Lisboa
2 Queria entender como os movimentos socias que lutam pelos direitos sociais a favor dos mais pobres lideram com as mudanças sócio-económicas e políticas Trabalho de campo 39 entrevistas + conversas informais entre março e junho 2013 Belém, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador de Bahia e São Paulo militantes de movimentos e organizações que lutam pelos direitos sociais em nome dos mais pobres
3 Desorientação: a necessidade de novas estratégias e oponentesAbertura a participação Participação em arenas institucionalizadas Contacto direito com políticos e instituições do estado Militantes de movimentos sociais nas instituições do estado Consequências para o militante Consequências para a organização interna dos movimentos Consequências para a relação entre movimentos sociais e o estado Financiamento
4 Desorientação: a necessidade de novas estratégias e oponentes“como é que eu vou exercer oposição a algo que ajudei a construir. E você entende a dificuldade de tentar articular o movimento social e movimento partidário, tem essa crise. Eu acho que a base é perceber que Governo é Governo e movimento social é movimento social, têm olhares diferenciados” (Caritas, Salvador).
5 Abertura a participação“Eu acho que isso é um fator, não podemos negar que ah, toda a deceção que nós temos em relação ao PT ainda é um partido que representa esse anseio popular, não é, então sempre que tem um representante do PT no poder nós acreditamos que pode haver participação popular. As vezes nos enganamos, mas não custa sonhar, não é, e agora neste momento nós estamos vivendo isso e isso motiva também essa organização” (Rede Rua São Paulo).
6 “O Movimento Sem Terra hoje, ele está bastante dividido porque tu tem as pessoas lá da génese, que lutaram, que fizeram e que hoje começaram a assumir cargos ou pelo Estado ou também começaram a organizar tipo cooperativas de crédito, começaram a mexer com dinheiro, começaram a ascender um pouco mais e também começaram a criar uma forma um pouco mais cómoda, assim mais capitalista assim de ver os movimentos. E existe aquela parcela do movimento que está fiel assim à revolução, está ainda calcado aquela questão de subverter essa política latifundiária, agrária, que no Brasil é muito forte” (MST, POA).
7 “Então aqui, aconteceu muito forte, depois que a direita ganhou a prefeitura de Porto Alegre, cada vez que a gente ia para frente para pressionar eles, eles diziam “vão pró OP, é lá que vocês têm que brigar, não é aqui. Porque que nós vamos privilegiar vocês, tem tanta gente se organizando no OP, vão pra lá disputar, não é aqui”. Então eles usavam esse tipo de argumento para desmobilizar a organização das pessoas e canalizar para um espaço que eles estavam dominando que já não era propriamente um espaço de democracia direta mas de domínio da participação popular, uma participação controlada, então os governos direita é bem difícil” (MTD, POA).
8 “Então a Superintendência de Juventude do Estado de Rio de Janeiro é parceiro do Observatório e da ESPOCC. Porque a pauta que a gente tem é a mesma. Existe um entendimento do governo na superintendência de que os jovens negros são as principais vítimas de homicídio do Rio de Janeiro. E eles querem reduzir isso. Eu não sei enquanto eles estão dispostos a mudar as suas práticas para isso. Nos queremo-los radicalizar. Mudar coisas até onde eles quiserem andar. E aí a gente vai mostrando onde está as contradições. Vamos ver os limites deles. a gente tem uma expressão aqui de favela que é "juntos e misturados" Já ouviu esta expressão? Então com o estado não estamos juntos, estamos misturados” (ESPOCC, Rio).
9 Militantes de movimentos sociais nas instituições do estadoConsequências para o militante: a incompatibilidade de ser militante e trabalhar pelo estado Consequências para a organização interna dos movimentos Consequências para a relação entre movimentos sociais e o estado
10 “É muito complicado isso. Então um tipo de divorcio“É muito complicado isso. Então um tipo de divorcio. Eu sou uma liderança popular, sindical, capacitada, o governo me chamou para assumir uma secretaria, ok. Mas aqui é um administrador. É um burocrata. É que o divorcio entre essa pessoa e o movimento. [...] Ele é funcionado, ele tem tarefas, ele tem chefe, e tem coisas para fazer. E a volta? E os interesses do seu grupo, da sua família? Tem muitos exemplos. Não é fácil resolver isso […] As estruturas não se muda fácies, o jogo de mudar estrutura não é fácil. Empiricamente ele dar sempre a maquina. As estruturas são muito pesadas” (CPT, Belém).
11 “Você quer acabar com o movimento“Você quer acabar com o movimento. Então vou cooptar alguém na tão, vou botar-la para trabalhar na gestão na prefeitura e o movimento vai morrer. Então você aí perde a liderança, perde a luta, perde a força, perde a política. Porque foi trabalhar na gestão a gestão acaba e ele não tem mais onde vou. Esse trabalho mais não dar força para você continuar no movimento” (MNPR, São Paulo).
12 “A gente continua reivindicando melhorias“A gente continua reivindicando melhorias. Isso não foi um facilitador para nós, ao contrário, em muitas situações para nós prejudicou. Se não fosse um aliado, a gente talvez fosse lá bater tanto e não sei o quê e a cara podia ter esse… então, como a gente acha que as pessoas que conhecem nos vão atender, chega lá e fecham a porta para nós” (Caritas, São Paulo).
13 “O MST. Muitos militantes de MST construíram o PT também como o seu instrumento de participação política na esfera estatal. Então muito difícil você falar que o dirigente de MST que ocupou poste do ministério, um cargo de governo, ele foi cooptado. Cooptação é uma palavra que tem a ver com a mudança do lado. Uma pessoa que permanece a mim e remete você está lutando um indeterminado campo aí recebe dinheiro e aí muda de lado na posição” (ABONG, São Paulo).
14 Financiamento “A dez anos para cá a cooperação internacional foi se retirando no Brasil hoje há praticamente inexistente e o governo de esquerda assumiu. E aí com as limitações eles conseguiram preencher esse vazio que foi deixado pela cooperação internacional com as suas limitações” (Economia Solidária, Salvador). “Eu acho que esse é um dos problemas. Quando você tem financiamento privado, estrangeiro se tem uma liberdade de atacar, fazer o seu papel de cobrança, de pressão de forma que nos temos feito pressão no governo Dilma” (MDH, Brasília)