1 Pesquisa Qualitativa METODOLOGIA DE PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃOUniversidade de São Paulo - USP Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – FEA Programa de Pós-Graduação em Administração – PPGA Metodologia de Pesquisa Aplicada à Administração – EAD Profa. Bernadete de Lourdes Marinho
2 Pesquisa Qualitativa CARACTERÍSTICASParte de questões amplas, definidas durante o desenvolvimento do estudo. Pressupõe contato direto entre pesquisador e objeto de pesquisa. Visa à compreensão do fenômeno segundo a perspectiva dos participantes. Entendimento do contexto social e cultural é elemento importante na pesquisa. Utiliza predominantemente métodos indutivos. Amplamente utilizada na ciências humanas, sociais e biológicas, (quando o fenômeno em estudo é complexo, de natureza social e não tende à quantificação). Pesquisa qualitativa é apenas uma classificação criada para identificar pesquisas que tem um grupo de características comuns. Há uma confusão conceitual na literatura. Por exemplo, Godoy especifica que a pesquisa qualitativa não procura enumerar ou medir eventos estudados, nem emprega instrumental estatístico na análise de dados. Essa afirmação é contraditória com Rodrigues Pereira, que trata especificamente de análise de dados qualitativos e considera que é muito recomendável a abordagem quantitativa no estudo de eventos qualitativos. A inclinação é pelo conceito de Rodrigues Pereira, que separa bastante claramente o tipo de pesquisa dos métodos e técnicas que podem ser utilizados no desenvolvimento da pesquisa. Ele afirma inclusive que só é justificável não utilizar uma abordagem quantitativa quando não há conhecimento algum sobre o fenômeno, o que é raro na atualidade. Essa afirmação também esquece que algumas pesquisas simplesmente não tem dados quantificáveis e trabalham somente com conceitos, como por exemplo uma pesquisa sobre comunicação e análise de discurso. Godoy afirma que a pesquisa era dominada pelos métodos quantitativos e que a partir da década de 70 a pesquisa quantitativa está ganhando espaço. Ele mesmo cita que antes era mais restrita aos campos da sociologia e antropologia e agora aparece muito na administração. Parece mais adequado, até pelo ponto de vista de que o problema é que determina o método, que o que está ocorrendo é um aperfeiçoamento da pesquisa em áreas como a administração, que requerem essa abordagem e um consequente amadurecimento dos métodos qualitativos. Não se trata de valorização ou credibilidade maior de uma ou outra abordagem. Cada uma tem suas limitações que são conhecidas. Também é pouco explorado no material que trabalhamos, o fato de que estamos somente qualificando a pesquisa. O tipo de pesquisa e os métodos e técnicas a serem empregados são determinados muito mais pelo problema do que pelas preferências do pesquisador. A melhor forma de conceituar a pesquisa qualitativa é destacar as características que a diferenciam. Os nomes pesquisa de campo e naturalista são nomes para identificar que a pesquisa se dá no ambiente onde ocorre o fenômeno. O uso de métodos indutivos é resultado da necessidade de generalizar conclusões sobre um todo a partir do estudo e da observação de elementos individuais de um grupo. Nas ciências biológicas é onde mais aparece a mistura de abordagens quantitativas e qualitativas. Uma classificação doente e não doente está vinculada a uma contagem de microorganismos.
3 Tipos de Pesquisa QualitativaQUANTO ÀS CONDIÇÕES DE REALIZAÇÃO: HISTÓRICA ETNOGRÁFICA ESTUDO DE CASO Pesquisa-Ação Grounded Theory Não há consenso na literatura a respeito de classificação de pesquisas. Optamos por criar uma hierarquia entre grandes categorias de pesquisa de acordo com suas condições de realização e técnicas utilizadas nessas pesquisas, de forma isolada ou combinada.
4 Tipos de Pesquisa QualitativaPESQUISA HISTÓRICA Estudo de fenômenos não contemporâneos através de materiais coletados, com o objetivo de realizar inferência sobre o contexto de ocorrência do evento. PESQUISA ETNOGRÁFICA Descrição dos eventos que ocorrem na vida de um grupo, com foco no comportamento dos indivíduos enquanto membros do grupo, com o objetivo de interpretar o significado dos eventos para a cultura do grupo Documentos primários Produzidos por pessoas que vivenciaram diretamente o evento em estudo. Documentos secundários Coletados por pessoas que não estavam presentes na ocasião da ocorrência do evento em estudo. Documentos Jornais, revistas, diários, obras literárias científicas, técnicas e artísticas, cartas, notas, memorandos, relatórios, documentos oficiais, documentos comerciais e governamentais, estatísticas, imagens, fotografias, filmes. Vantagens Permite o estudo de situações e pessoas às quais não há acesso físico por questões de espaço ou tempo. Fontes não reativas e imutáveis. Apropriada a estudos de longos períodos de tempo. Desvantagens Documentos não foram produzidos para a pesquisa, portanto podem conter vieses diversos. Não capturam informações sobre comportamentos não verbais. Nem sempre são amostras representativas. Somente contemplam o ponto de vista de indivíduos que sabem ler e escrever. Seleção de documentos ou coleta de dados A escolha dos documentos é aleatória, mas vinculada aos propósitos e hipóteses. Não há padronização e a codificação é complexa, gerando dificuldades metodológicas. Acesso aos documentos. Documentos podem ser pessoais ou impessoais. O acesso a documentos oficiais em geral é mais fácil . No trabalho com documentos pessoais em geral a amostra é pequena e o estudo deve ser o mais profundo possível. No trabalho com documentos não pessoais em geral é possível obter amostras maiores. Codificação e Análise Na análise, em geral são utilizadas técnicas de análise de conteúdo, aplicáveis a discurso e outras formas de comunicação. São técnicas aplicáveis a qualquer comunicação que veicule um conjunto de significados de um emissor para um receptor. Exemplo análise de discurso. Análise de conteúdo designa um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando a obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. Pré-análise: fase de organização; primeiro contato com os documentos; definição do esquema de trabalho; formulação de hipóteses, elaboração de indicadores. Exploração do material: execução das decisões tomadas na pré-análise. Tratamento de resultados: utilização de técnicas qualitativas ou quantitativas na identificação de padrões, tendências e relações, na busca do sentido carregado pela informação imediata; descrição e explicação das causas do fenômeno. A pesquisa documental está identificada com um dos grandes tipos de pesquisa, mas também pode ser vista como uma técnica, usada como técnica complementar a técnicas de entrevista, questionários e observação.
5 Tipos de Pesquisa QualitativaEstudo de Caso IDENTIFICAÇÃO DE UM ESTUDO DE CASO Fenômeno corrente, somente observável em situação real. Impossibilidade de manipular comportamentos relevantes. Situação tecnicamente única. Várias fontes de evidência e necessidade de triangulação Documentação Registros em arquivos Entrevistas Observações diretas Observação participante Artefatos físicos Existência de uma teoria que conduz a coleta e análise de dados. Como o estudo de caso é um tipo de pesquisa com aplicação em diversas áreas e com grande aplicação em administração, talvez a estratégia mais utilizada, decidimos aprofundar um pouco mais a análise desse tipo de pesquisa. Recuperando a definição dada na conceituação, estudo de caso é uma pesquisa sobre evento contemporâneo, observada na vida real, sem limites claros entre fenômeno e contexto. Essa definição já carrega características que auxiliam a identificação de um problema ao qual é aplicável um estudo de caso. Além dessas, podemos agregar outras. O estudo de caso para fins de ensino não constitui uma pesquisa completa, pois tem por objetivo estabelecer uma estrutura de discussão e debate. Por essa razão não precisa conter uma interpretação completa ou precisa de eventos reais. A teoria é um conjunto de hipóteses, sistema de relações e proposições, elaborada em um processo hipotético-dedutivo. O estudo de caso pode descrever ou testar a teoria.
6 Tipos de Pesquisa Qualitativa Projeto de um Estudo de CasoCASO ÚNICO CASOS MÚLTIPLOS CASO CASO CONTEXTO HOLÍSTICO Unidade de análise única CASO CONTEXTO CASO CONTEXTO CASO Assim como toda pesquisa, o estudo de caso requer um projeto. Uma das definições do projeto é o formato do estudo de caso. Um estudo de caso pode ser composto de um único caso ou de múltiplos casos. Caso único Caso decisivo ao testar uma teoria bem formulada: caso que satisfaz todas as condições necessárias para testar uma teoria (confirmar, estender ou refutar), que especificou um conjunto de proposições e as condições em que são válidas. Caso raro ou extremo: análise dos fatores de diferenciação. Caso representativo ou típico: de difícil observação e permite generalizar conclusões por ser representativo. Caso revelador: permite observar e analisar um fenômeno previamente não submetido a investigação científica. Caso longitudinal: estudar o mesmo caso em dois ou mais pontos diferentes no tempo. Caso múltiplo Estudo comparativo para produzir resultados contrastantes por razões previsíveis (replicação teórica) ou para prever resultados semelhantes em condições semelhantes (replicação literal). Holístico Busca resultados relacionados a somente uma unidade de análise. O pesquisador pode deixar de analisar detalhes operacionais importantes. Podem não haver medidas claras dado o alto grau de abstração. A natureza do estudo pode mudar sem a percepção do pesquisador. Incorporado A unidade de análise é dividida em subunidades (uma organização com resultados referentes a serviços e pessoal) O estudo pode se concentrar somente nas subunidades sem se remeter ao problema maior. O problema original torna-se contexto de múltiplos casos diferentes e não o objeto de estudo. Casos múltiplos apresentam evidências mais convincentes, mas são mais difíceis de realizar. Casos múltiplos podem ser tratados como experimentos, em que se tem uma replicação literal (dois casos nas mesmas condições apresentam os mesmos resultados) ou uma replicação teórica (a alteração de algumas condições leva a resultados contrastantes por razões previsíveis). Unidade incorporada de análise CASO Unidade incorporada de análise CASO Unidade incorporada de análise CASO CONTEXTO INCORPORADO Múltiplas unidades de análise CONTEXTO Unidade incorporada de análise CASO CONTEXTO Unidade incorporada de análise CASO
7 Tipos de Pesquisa Qualitativa: Estudo de CasoÉ uma investigação empírica que pesquisa fenômenos dentro de seu contexto real, onde o pesquisador não tem controle sobre eventos e variáveis, buscando apreender a totalidade de uma situação e, criativamente, descrever, compreender e interpretar a complexidade de um objeto delimitado (MARTINS, 2006). Permite a avaliação profunda, exaustiva e comparativa de um ou poucos objetos (GIL, 2002). RIGOR CIENTÍFICO Dificuldade de estabelecimento de procedimentos específicos de pesquisa. NECESSIDADE DE PROTOCOLO DO ESTUDO BASE FRÁGIL PARA GENERALIZAÇÃO Generalizável a proposições teóricas (generalização analítica) e não a um universo (generalização estatística). Generalização por caso raro ou por caso típico.
8 Pesquisa Ação Definição“Tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo” (CUNHA, 2004 apud Thiollent, 1986, p. 14). Participação consciente Papel importante no equacionamento dos problemas, acompanhamento e avaliação das ações Definição dos agentes, objetivos e obstáculos Experimentação em situação real
9 Pesquisa Ação Passos Fase Exploratória O Tema da PesquisaA colocação dos problemas O lugar da teoria Hipóteses Seminário Campo de Observação, Amostragem e representatividade qualitativa Coleta de Dados Aprendizagem Saber Formal e Saber Informal Plano de Ação Divulgação Externa
10 Grounded Theory - Teoria Fundamentada A Grounded Theory é uma teoria indutiva baseada na análise sistemática dos dados. O pesquisador, dentro da Teoria Fundamentada nos Dados aproxima-se do assunto a ser investigado SEM UMA TEORIA A SER TESTADA mas, com o desejo de ENTENDER UMA DETERMINADA SITUAÇÃO; COMO E PORQUE SEUS PARTICIPANTES AGEM DE DETERMINADA MANEIRA; COMO E PORQUE DETERMINADO FENÔMENO OU SITUAÇÃO SE DESDOBRA DESTE OU DAQUELE MODO. Através de métodos variados de coleta de dados, reúne-se um volume de informações sobre o fenômeno observado. Comparando-as, codificando-as, extraindo as regularidades, enfim, seguindo detalhados métodos de extração de significado destas informações, o pesquisador chega às suas CONCLUSÕES, com algumas TEORIAS que EMERGIRAM desta análise rigorosa e sistemática, razão pela qual esse tipo de pesquisa se Intitula Teoria Fundamentada nos Dados ("grounded" = apoiada, fundamentada, sustentada (pelos dados). Em outras palavras, a(s) Teoria(s) é aquilo com que o pesquisador encerra seu trabalho e não com o que principia.
11 Técnicas de Coleta de Dados na Pesquisa Qualitativa
12 Técnicas Qualitativas – Características (Passari, 2003)Também chamadas de técnicas subjetivas ou de juízo. Utilizam primordialmente a capacidade humana de estabelecer generalizações e extrapolações. Oferecem baixa acurácia e, não raro, geram grandes erros. Não distinguem as pequenas diferenças tão bem quanto a pesquisa quantitativa de larga escala. Necessidade de enorme carga de treinamento para a condução da pesquisa. Não existe maneira melhor do que a pesquisa qualitativa para compreender a fundo as motivações e os sentimentos dos participantes.
13 Técnicas de Coleta de Dados na Pesquisa QualitativaA escolha de técnica de coleta de dados, em qualquer tipo de pesquisa, decorre das características do dado e da abordagem definida e não das características do método!! (procurar a chave onde a perdeu, e não onde está mais claro!) Pesquisa documental Exame de materiais de natureza diversa, que ainda não receberam um tratamento analítico, ou que podem ser reexaminados, buscando-se interpretações novas e complementares. Documentos são quaisquer materiais escritos e iconográficos primários e secundários. Pesquisa bibliográfica Pesquisa de fontes secundárias, com a finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi registrado sobre determinado assunto. Observação Coleta de dados através da utilização dos sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Observação não participante O pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se a ela. Observação participante Consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Incorpora-se e confunde-se com ele. Observação assistemática: recolher e registrar os fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais ou precise fazer perguntas. Observação sistemática: utiliza instrumentos para a coleta dos dados ou fenômenos observados e realiza-se em condições controladas para responder a propósitos prestabelecidos. Observação em equipe ou individual. Observação em laboratório ou na vida real. Entrevista Encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. Questionário Instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas pro escrito e sem a presença do entrevistador. Formulário Lista formal, catálogo ou inventário destinado à coleta de dados resultantes quer da observação, quer de interrogatório, cujo preenchimento é feito pelo próprio investigador, à medida que faz as observações ou recebe as respostas, ou pelo pesquisado, sob sua orientação.
14 PRINCIPAIS Técnicas QualitativasGRUPO DE FOCO PAINEL DE ESPECIALISTA ANÁLISE DE CONTEÚDO/ANÁLISE DE DISCURSO ENTREVISTA EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS MÉTODO DELPHI OBSERVAÇÃO LEVANTAMENTO DE EXPERIÊNCIAS PESQUISA BIBLIOGRÁFICA/DOCUMENTAL
15 Análise de Conteúdo Para Krippendorf (1980), “ a análise de conteúdo é uma técnica de investigação que permite fazer inferências, válidas e replicáveis, dos dados para seu contexto”. Descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo da comunicação (Malhotra, 2001). Ela inclui a observação do fenômeno e sua análise. A unidade de análise pode consistir de: - Palavras diferentes ou tipos de palavras - Caracteres (indivíduos ou objetos) - Temas - Medidas de espaço e de tempo (tamanho ou duração de uma mensagem). Aplicações: Mensagem de jornais corporativos Artigos de Jornal; Programas de rádio e de tv, e assim por diante.
16 Levantamento de ExperiênciasGrande parte dos conhecimentos e experiências não está escrita. As pessoas acumulam conhecimentos ao longo tempo e de acordo com sua posição privilegiada. O levantamento de experiências tem o objetivo “de obter e sintetizar todas as experiências relevantes sobre o tema em estudo e, dessa forma, torna o pesquisador cada vez mais consciente da problemática sob investigação”. (Mattar, 1996).
17 Levantamento de ExperiênciasFormas de levantamento de experiências - Entrevistas Individuais: reduzido número de especialistas e com experiências variadas - Entrevistas em Grupo: grande número de especialistas e experiências semelhantes. Não existe preocupação com a representatividade Não existe número definido de entrevistas (quantas forem necessárias). Deve haver uma escolha cuidadosa das pessoas a serem pesquisadas (identificar as pessoas certas). (Mattar, 1996)
18 Levantamento de ExperiênciasCaracterísticas É interessante que se faça entrevistas com pessoas de diferentes experiências para que se tenha uma visão ampla e com diferentes pontos de vista do problema. Informais e de pouca estruturação; As perguntas podem ser abrangentes; O próprio pesquisador deve realizar a entrevista (ganha mais conhecimento); O pesquisador deve ir à entrevista com algum conhecimento prévio do assunto ( ex. através de pesquisa documental e bibliográfica); (Mattar, 1996).
19 Método de Observação SelltizServe a um objetivo formulado de pesquisa É sistematicamente planejada É sistematicamente registrada e ligada a proposições mais gerais Pode ser usada de maneira exploratória Obtenção de dados suplementares ou que possam auxiliar na interpretação de dados obtidos por outros métodos de coleta
20 Método Delphi O Método Delphi foi desenvolvido na Rand Corporation, em 1950, visando resolver problemas complexos baseados na opinião ou julgamentos de um grupo de especialistas. (Zapata, 1997) “Delphi é uma ferramenta de pesquisa qualitativa que busca um consenso de opiniões de um grupo de especialistas a respeito de eventos futuros” (Giovinazzo, 2001)
21 Técnica Delphi Para Helmer (1972), “Delphi é um método sistemático de agregação de opiniões de um grupo de especialistas através de uma série de questionários, no qual o feedback da distribuição de opiniões do grupo é proporcionado entre rounds de perguntas enquanto se preserva o anonimato das respostas’ (apud Zapata, 1997).
22 Métodos – Coleta de DadosGrupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas Projetivas Classificação quanto a abordagem: Processos de Pesquisa Qualitativa DIRETO (não simulado) INDIRETO (simulado) GRUPOS DE FOCO ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TÉCNICAS EXPRESSIVAS TÉCNICAS DE ASSOCIAÇÃO TÉCNICAS DE COMPLETAMENTO Fonte: Malhotra, 2001
23 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasClassificação quanto a abordagem: Processos de Pesquisa Qualitativa Abordagem Direta: os objetivos são revelados ao respondente, ou são óbvios. DIRETO (não simulado) INDIRETO (simulado) GRUPOS DE FOCO ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TÉCNICAS EXPRESSIVAS TÉCNICAS DE ASSOCIAÇÃO TÉCNICAS DE COMPLETAMENTO
24 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasClassificação quanto a abordagem: Processos de Pesquisa Qualitativa Abordagem Indireta: os objetivos são disfarçados dos respondentes. DIRETO (não simulado) INDIRETO (simulado) GRUPOS DE FOCO ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TÉCNICAS EXPRESSIVAS TÉCNICAS DE ASSOCIAÇÃO TÉCNICAS DE COMPLETAMENTO
25 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasClassificação quanto a abordagem: Tipos de Grupo de Foco: Duas Vias (médico-paciente) Dois Moderadores (divisão de papéis) Duelador-Moderador (2 moder. tomam decisões opostas) Respondente-Moderador (participantes escolhidos fazem papel de moderador) Minigrupos (4/5 part. – para invest. mais profunda) Telesessão (teleconferência telefônica) Processos de Pesquisa Qualitativa DIRETO (não simulado) INDIRETO (simulado) Grupo de Foco: é uma entrevista realizada de maneira não-estruturada e natural, por um moderador treinado, junto a um pequeno grupo de respondentes. GRUPOS DE FOCO ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TÉCNICAS EXPRESSIVAS TÉCNICAS DE ASSOCIAÇÃO TÉCNICAS DE COMPLETAMENTO
26 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasClassificação quanto a abordagem: Processos de Pesquisa Qualitativa Entrevistas em Profundidade: tipos Progressão: a seqüência das perguntas emana das questões-problema para depois chegar nas pessoais Perguntas sobre problemas ocultos: foco em visões pessoais (mais íntimas e pessoais do que sociais) Análise Simbólica: significado de objetos é analisado em comparação com seus opostos DIRETO (não simulado) INDIRETO (simulado) Entrevistas em Profundidade: é uma entrevista não-estruturada, direta, pessoal, em que um único respondente é testado por um entrevistador altamente treinado, para descobrir motivações, crenças, atitudes e sensações subjacentes sobre algo. GRUPOS DE FOCO ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TÉCNICAS EXPRESSIVAS TÉCNICAS DE ASSOCIAÇÃO TÉCNICAS DE COMPLETAMENTO
27 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasClassificação quanto a abordagem: TÉCNICAS PROJETIVAS: tipos Associação: estímulo: responda o que vier a mente (cronometradas/ quantificadas seg. freqüência e tempo – qual: favor., desfav. e neutras) Completamento: complete uma situação incompleta. (sentenças, história ou relato) Construção: construa uma resposta em forma de história, diálogo, descrição, imagem, cartum Expressivas: estímulo visual ou verbal: relato de sensações e atitudes de outros frente a ele (role-playing/téc. da 3ª. Pessoa) Processos de Pesquisa Qualitativa TÉCNICAS PROJETIVAS Forma não-estruturada e indireta de questionário que incentiva os entrevistados a projetarem suas motivações, crenças, atitudes ou sensações subjacentes sobre os problemas em estudo. (objetivo: disfarçar o propósito da pesquisa) Cenários ambíguos Falar dos outros (revelar a si) DIRETO (não simulado) INDIRETO (simulado) GRUPOS DE FOCO ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TÉCNICAS EXPRESSIVAS TÉCNICAS DE ASSOCIAÇÃO TÉCNICAS DE COMPLETAMENTO
28 Técnicas FundamentaisPesquisa Histórica Pesquisa documental. Pesquisa bibliográfica. Entrevista. Estudo de Caso Observação participante ou não participante. Entrevista, questionário. Pesquisa Etnográfica Observação participante. Entrevista. Grounded Theory Pesquisa Bibliográfica. Questionário.
29 Considerações sobre Pesquisa QualitativaComumente há ambigüidade de resultados; Possibilidade maior de influência pessoal do pesquisador na análise dos resultados; Custos podem ser mais elevados, já que em sua maioria exigem maior know-how do pesquisador; Muitas vezes, há dificuldade por parte do entrevistado em externalizar questões subconscientes. A Pesquisa Qualitativa por si só, não oferece uma conclusão para o problema de pesquisa, já que o seu resultado é não-representativo; não-conclusivo. (Aaker, 1998)
30 Conclusões Paradigma qualitativo x quantitativo.Metodologias são determinadas pelo problema de pesquisa. Técnicas quantitativas e qualitativas são complementares. O valor da pesquisa qualitativa é oriundo do rigor metodológico (a criatividade está implícita). O valor da pesquisa quantitativa é oriundo da criatividade (o rigor está implícito). Há na literatura uma contraposição entre pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. Fala-se inclusive sobre o período em que a pesquisa qualitativa passou a ter aceitação, argumenta-se sobre sua validade e aparece em textos argumentação em sua defesa. Uma caracterização de qualitativo x quantitativo é que seja determinada pelo tipo de evidência tratado. Tipo de dado. Outra caracterização é o que não é quantitativo é qualitativo. Métodos de coleta e análise de dados. Na realidade não existe contraposição entre pesquisa qualitativa e quantitativa. Existe uma superposição. A omissão desse fato faz com que, mesmo textos que argumentam em defesa da pesquisa qualitativa acabem de certa forma desvalorizando-a. A literatura não formaliza a classificação quantitativa e qualitativa. Não há consenso quanto ao significado. Alguns abordam como técnicas, outros como tipos, outros como abordagem. De fato é irrelevante. A argumentação de que existe liberdade na pesquisa qualitativa e que ela depende essencialmente do pesquisador é depreciativa. Os métodos e técnicas a serem utilizados em uma pesquisa dependem e são determinados essencialmente pelo problema e pelos objetivos, muito mais do que pelas preferências do pesquisador. O que existe é uma exigência de pesquisas de que, dadas suas características, seja flexível, definições tenham que ser feitas ao longo do seu desenvolvimento. De forma semelhante, a argumentação teórica, embora influenciada pelos valores do pesquisador, deve ser sempre fundamentada em fatos e conceitos consensuados no meio científico. Não são simplesmente opiniões do pesquisador. Muitas pesquisas misturam técnicas qualitativas e quantitativas. A pesquisa qualitativa adota técnicas quantitativas e vice-versa. Estudos exploratórios e descritivos buscam o entendimento do fenômeno como um todo, na sua complexidade. Exploratório: formulação de questões para desenvolvimento de hipóteses e aumento da familiaridade com o fenômeno. Descritivo: descrever o fenômeno. Exemplos de problemas que determinam métodos. Relação entre bolsa e cambio. Análise da comunicação dos bancos com seus clientes. Observação: Rodrigues Pereira cita que a exceção de fenômenos sobre os quais não há informação alguma, algo raro atualmente, não cabem análise de dados essencialmente qualitativas. A alavanca da pesquisa quantitativa é a criatividade e não o rigor metodológico. A alavanca da pesquisa qualitativa é o rigor metodológico e não a criatividade. Exemplo pesquisa matemática e pesquisa etnográfica. Ciências biológicas tratam problemas qualitativos apoiados em conclusões quantitativas. Economia trata teorias qualitativas expressas através de modelos quantitativos. A teoria é tão melhor quanto melhor for sua capacidade de refletir a realidade.
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32 Método de Observação VantagensRegistro do comportamento tal como ocorre Situações típicas de comportamento Afastamento e deformações na recordação Situações de dificuldade de descrição Crianças ou animais Independente da capacidade de descrição do sujeito e independente da disposição para fazê-lo.
33 Método de Observação Desvantagens (Selltiz)Dificuldade em predizer a ocorrência espontânea de um acontecimento Espera pelo acontecimento que será estudado Fatores imprevisíveis podem alterar a rotina Método não econômico Certos comportamentos são inacessíveis à observação direta.
34 Método de Observação TIPOS Aaker:Observação Casual X Observação Sistemática Observação Direta X Observação Simulada Selltiz Observação Assistemática X Observação Sistemática Lakatos e Markoni Observação participante X Observação não participante Observação em equipe X Observação Individual Observação na vida real X Observação em Laboratório
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36 Técnica Delphi A técnica baseia-se no pressuposto que o julgamento coletivo, quando organizado adequadamente, é melhor do que a opinião de um só indivíduo, ou mesmo de alguns indivíduos desprovidos de conhecimentos especializados. Quando usar: Ele é recomendável quando não se dispõe de dados quantitativos, históricos ou estes não podem ser projetados para o futuro com segurança devido às mudanças estruturais no ambiente. (Giovinazzo, 2001
37 Técnica Delphi Técnica:Questionário interativo que circula repetidas vezes por um grupo de peritos, preservando-se o anonimato das respostas. 1° rodada: especialistas respondem a um questionário, elaborado pelos coordenadores da pesquisa, individualmente (usualmente respostas quantitativas apoiadas por informações qualitativas). Outras rodadas: as perguntas são repetidas, e os participantes devem reavaliar suas respostas à luz das respostas dadas pelos outros participantes na rodada anterior. Esse processo é repetido continuamente até que a divergência de opiniões entre especialistas tenha se reduzido a um nível satisfatório, e a resposta da última rodada é considerada como a previsão do grupo. (Giovinazzo, 2001)
38 Técnica Delphi Segundo Jolson &Rossow (1988), três pontos basilares têm caracterizado a técina Delphi: Anonimato: impede-se a comunicação direta entre os participantes como forma de reduzir o efeito negativo de pessoas dominantes, ou seja, assegura-se que as opiniões individuais não sofrerão influências ou interferências de outros. Feedback Controlado: resumos dos resultados prévios no início de cada rodada. Resposta Estatística de grupo: a importância reside em sua capacidade para garantir que a opinião de cada membro do grupo seja levada em consideração ao final da resposta. (apud Zapata, 1997).
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40 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasCARACTERÍSTICAS APLICAÇÕES VANTAGENS DESVANTAGENS Tamanho: 8-12 Homogêneo atmosfera relaxada Informal Dur: 1-3 hs. Gravação: áudio/ vídeo moderador: habil. observacionais, Inter-pessoais e de comunicação Entender percepções, Preferências, impressões Perfil psicográfico atitudes/ valores/ Expectativas/ Sentimentos Idéias Elaborar alternativas de Soluções Obter reações Traz resultados inesperados (efeito do grupo) “bola-de-neve” (um puxa o outro) Estímulo Segurança Espontaneidade Rapidez coleta Checagem dos Dados Flexibilidade na condução Uso incorreto Julgamento Incorreto Papel do Moderador (complexo) Difícil codificação e análise de resul- tados Representação enganosa
41 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasClassificação quanto a abordagem: Processos de Pesquisa Qualitativa GRUPOS DE FOCO: Aplicação Metodológica: definir melhor o problema; gerar rumos alternativos; obter informações para estruturar questionário de coleta; gerar hipóteses para pesq. quantitativas; interpretar resultados quantitativos obtidos previamente DIRETO (não simulado) INDIRETO (simulado) GRUPOS DE FOCO ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE TÉCNICAS PROJETIVAS TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO TÉCNICAS EXPRESSIVAS TÉCNICAS DE ASSOCIAÇÃO TÉCNICAS DE COMPLETAMENTO
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43 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasCARACTERÍSTICAS APLICAÇÕES VANTAGENS DESVANTAGENS Um a um Dur: horas Aprofundamento Gravação: áudio/ vídeo entrevistador: papel Decisivo/ habil. observacionais, Inter-pessoais e de comunicação Revelar crenças, motivações, atitudes Perfil psicográfico atitudes/ valores/ Expectativas/ Sentimentos Idéias Discussão de Tópicos delicados É preciso elimi- nar o efeito do Grupo Experiências sensoriais Revela análises Pessoais mais apro Fundadas do que os grupos de foco Livre-expressão Papel do Entrevistador (complexo) Resultados suscetíveis a influência do entre vistador Difícil codificação e análise de resul- Tados ( psicólogo) Custo
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45 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasCARACTERÍSTICAS APLICAÇÕES VANTAGENS DESVANTAGENS Sondagem Indireta Interpretador: papel decisivo Temas delicados pessoais ou sujeitos a severas normas sociais Motivações, crenças e atitudes estão agindo em nível subconsciente Quando a inform. não pode ser obtida com precisão diretamente Podem provocar respostas que não seriam obtidas se soubessem o objetivo do estudo Papel do Interpretador (complexo) Resultados suscetíveis a influência do interpretador Difícil codificação e análise de resul- tados ( psicólogo) custo
46 Grupos de Foco, Entrevistas em Profundidade e Técnicas ProjetivasCOMPARAÇÃO: GRUPOS DE FOCO, ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE E TÉCNICAS PROJETIVAS Fonte: Malhotra, 2001