1 planejamento da capacidade produtiva Parte 18º período de Engenharia de Produção UDC – Centro Universitário Dinâmica das Cataratas Professor Dr. Ricardo Menon
2 Introdução Os recursos de uma empresa não são ilimitados.Máquinas, operários e espaço físico determinam o que uma empresa será capaz de produzir e em qual quantidade. Estabelecendo uma comparação, existe uma modalidade esportiva chamada levantamento de peso. Como em outros esportes, apesar da vontade do atleta de superar seu limite, este acaba impondo algumas restrições.
3 Introdução Algumas pessoas possuem mais musculatura e conseguem levantar mais peso. Assim, a capacidade do ser humano de erguer objetos pesados do chão, com as próprias mãos, não é ilimitada.
4 Introdução Observando o que acontece nas empresas, algumas podem ter maior flexibilidade de volume do que outras. É comum os ônibus informarem a capacidade de passageiros sentados e em pé dentro de cada veículo. No entanto, constantemente eles acabam transportando um número maior de pessoas, principalmente em horários de pico. No serviço oferecido pelo taxista, o limite de capacidade é mais rígido. A mesma comparação pode ser feita entre um show na praia e um show em local fechado.
5 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoMas, afinal, o que significa, por exemplo, capacidade produtiva? Imagine que um hotel localizado numa região de veraneio possui 100 quartos com capacidade para duas pessoas. Contudo, no inverno essa região atrai menos turistas e a taxa média de ocupação do hotel não passa de 50%. A capacidade instalada do hotel é de hospedar 200 pessoas em 100 quartos. A capacidade utilizada no inverno corresponde, em média, a 100 pessoas em 50 quartos; outros 50 quartos permanecem vazios.
6 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoResumindo, no caso desse hotel, a capacidade instalada é igual à capacidade utilizada durante o verão. Já no inverno, o hotel utiliza apenas metade da sua capacidade instalada.
7 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoA capacidade ociosa, por sua vez, seria é à diferença entre capacidade instalada e capacidade utilizada. Normalmente, dizemos que um computador está ocioso quando não há ninguém trabalhando nele. Aproveitando o exemplo do hotel, você pode comparar o nível de capacidade ociosa nas duas temporadas. O quarto do hotel fica ocioso quando não há ninguém hospedado nele. Essa ociosidade chega a 50% no inverno.
8 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoO grau de utilização da capacidade produtiva influencia os custos de produção da empresa. Para fazer essa análise, é importante distinguir custos fixos e custos variáveis. Os custos fixos não dependem da quantidade de produto produzida na fábrica ou da quantidade de hóspedes no hotel. Mesmo que nada seja produzido ou que nenhum hóspede apareça, alguns custos ocorrerão, os chamados custos fixos. Entre eles, aluguel das instalações físicas, tarifa mínima de energia, água e telefone, salários, etc.
9 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoAo contrário, os custos variáveis estão diretamente vinculados a quantidades de produto ou número de clientes. Quanto mais volumes uma fábrica produzir, maiores serão os gastos com matérias-primas, movimentação de materiais e energia para funcionamento das máquinas. Enquanto isso, maior número de hóspedes no hotel aumentará os gastos com água e café da manhã, por exemplo.
10 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoO custo total de produção de uma empresa será dado pela soma dos custos fixos e variáveis: Custo total = custos fixos + custos variáveis Uma vez percebido o significado de custos fixos e custos variáveis, é possível verificar de que forma eles se relacionam com os conceitos de capacidade instalada e capacidade utilizada.
11 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoUma empresa que possui uma determinada capacidade instalada, ao decidir aumentar a quantidade produzida na mesma fábrica, estará aumentando a capacidade utilizada. Quanto maior a quantidade produzida, maior a capacidade utilizada e menor a capacidade ociosa. Concorda? Veja a influência da variação da quantidade produzida sobre os custos de produção no gráfico a seguir.
12 Utilização de Capacidade e Custos de Produção
13 Utilização de Capacidade e Custos de ProduçãoUma outra denominação de custo é o custo médio unitário de produção. Veja um novo exemplo: Quanto custa produzir cada unidade numa fábrica de detergentes? Essa pergunta é importante até mesmo para estipular o preço de venda com base numa margem aceitável. Ou, com base no preço que o mercado está disposto a pagar, avaliar a viabilidade da produção e comercialização do produto. Para calcular o custo médio unitário de produção, você deverá dividir o custo total pela quantidade produzida.
14 Exemplo Cálculo Custo Médio
15 Atividade 1 Um fabricante de sabonetes funciona 25 dias por mês. Os custos fixos são iguais a R$ 2.900,00 por mês e o custo variável por unidade equivale a R$ 0,60. Calcule o custo médio unitário para os seguintes volumes de produção: a) unidades por mês b) unidades por mês c) unidades por mês d) unidades por mês
16 Nível Ótimo de CapacidadeObviamente que as instalações produtivas possuem um limite de quantidades que podem ser produzidas por mês. Esse limite é determinado pela capacidade instalada. Se a fábrica de sabonetes funciona 25 dias por mês e consegue produzir até 800 unidades por dia, a sua capacidade produtiva mensal corresponde a unidades. Então, seria impossível produzir acima desse volume, tornando-se inútil o cálculo do custo médio unitário para ou de unidades mensais.
17 Nível Ótimo de CapacidadeImagine-se gerente de produção de uma fábrica de sabonetes com capacidade de unidades. Quantos sabonetes você produziria mensalmente? Se você se apressou em responder alguma quantidade, tenha cautela. Antes de mais nada, é preciso saber se há mercado para o volume de sabonetes que você pensa em produzir. Muitas empresas operam com baixa utilização de capacidade devido ao baixo volume de vendas dos seus produtos.
18 Nível Ótimo de CapacidadeCom base na resposta da Atividade 1, você já pode perceber o que acontece quando uma instalação produtiva opera abaixo da sua capacidade. Os custos médios unitários de produção ficam mais elevados porque, segundo Slack et al. (2002, p. 88), os custos fixos da fábrica estarão sendo cobertos por menor número de unidades produtivas.
19 Nível Ótimo de Capacidade
20 Nível Ótimo de CapacidadeOs decréscimos nos custos médios não são lineares. O gráfico do custo médio unitário em função da quantidade produzida pode ser ilustrado, de forma simplificada, por uma curva de custos decrescentes até atingir o nível ótimo de produção.
21 Atividade 2 Utilizando os dados da Atividade 1, traçar a curva representativa da evolução do custo médio unitário em função do volume produzido pela fábrica de sabonetes. De que forma a empresa conseguirá produzir um sabonete com menores custos?
22 Nível Ótimo de CapacidadeCabe ressaltar que estamos trabalhando com um modelo teórico simplificado. Na prática da gestão da produção, é comum as empresas depararem-se com dois tipos de problemas quando suas taxas de utilização da capacidade aproximam-se de 100%: Os custos de produção podem começar a aumentar repentinamente se as máquinas forem sobrecarregadas e não pararem para as manutenções preventivas necessárias. A empresa que utiliza quase 100% de sua capacidade perde flexibilidade de volume, tendo dificuldades em atender um possível aumento da demanda.
23 Nível Ótimo de CapacidadeEsses dois fatores explicam o fato de a curva do custo médio unitário de produção iniciar um crescimento após o nível ótimo. Esse crescimento é limitado porque a empresa não conseguirá produzir muito acima de sua capacidade instalada utilizando os mesmos recursos de transformação.
24 Economia e Deseconomia de EscalaUm pequeno fabricante, cuja fábrica tem capacidade produtiva igual a unidades, está tentando concorrer com o fabricante de capacidade instalada igual a unidades. Quais seriam as suas dificuldades? Por que as pequenas operações produtivas são frequentemente engolidas pelas grandes?
25 Economia e Deseconomia de EscalaImagine que, ao experimentar calçados em uma loja, você resolva comprar três pares na mesma ocasião. Haverá a oportunidade de pedir um desconto especial porque você está comprando uma quantidade maior. Pelo mesmo motivo, pequenos comerciantes têm formado associações para efetuarem compras conjuntas junto a indústrias e atacadistas.
26 Economia e Deseconomia de EscalaVárias redes se formaram pelo Brasil, como nos segmentos de farmácias, supermercados e lojas de material de construção. Alguns exemplos são a Rede Farma e a Rede Construir. Juntas, diversas empresas de pequeno porte conseguem comprar quantidades maiores e obter descontos melhores.
27 Economia e Deseconomia de EscalaAlgo semelhante acontece com operações de manufatura. Um fabricante com capacidade de unidades obtém matérias-primas mais baratas que o fabricante com capacidade produtiva dez vezes menor. Além disso, outros dois fatores devem ser observados: Os custos fixos de uma operação não aumentam proporcionalmente à sua capacidade. Os custos de capital para construir-se uma fábrica não aumentam proporcionalmente à sua capacidade.
28 Economia e Deseconomia de EscalaOs custos fixos de uma fábrica de unidades são maiores que um décimo dos custos fixos de uma fábrica de unidades. Da mesma forma, construir uma fábrica de unidades tem um custo mais elevado do que um décimo do custo de construção da fábrica de unidades. O fato de os custos fixos e os custos de capital não aumentarem proporcionalmente à capacidade produtiva das instalações garante às empresas maiores uma vantagem competitiva em custos, desde que não operem com alta ociosidade.
29 Economia e Deseconomia de EscalaDenomina-se economia de escala uma vantagem competitiva em custos advinda das vantagens obtidas por uma operação de maior capacidade produtiva.
30 Economia e Deseconomia de EscalaNa figura, mostram-se quatro fábricas de diferentes capacidades. Em todas elas os custos repetem o mesmo movimento (a curva tem o mesmo formato). Porém, fábricas com diferentes capacidades possuem custos fixos e custo de implantação diferentes. Isso faz com que o nível ótimo de capacidade das maiores operações seja encontrado em patamares de custos médios unitários inferiores.
31 Economia e Deseconomia de EscalaEntretanto, nem sempre a fábrica maior será tão vantajosa. Você já ouviu falar em deseconomia de escala? Pode-se chegar a um ponto em que o tamanho excessivo atrapalhe o desempenho. Isso se dá, principalmente, no que se refere à complexidade de gerenciamento e aos custos de transporte.
32 Economia e Deseconomia de EscalaUma fábrica gigantesca pode dificultar o controle das atividades e aumentar os custos de movimentação interna dos materiais. Além disso, a centralização da produção obriga a empresa a implementar um esforço extra para que o produto acabado chegue a diferentes mercados. Isso é o que chamamos de deseconomia de escala: a operação produtiva é tão grande que isso impacta de forma negativa nos custos.
33 Economia e Deseconomia de EscalaUm exemplo é a Volkswagen Caminhões e Ônibus, cuja fábrica, em Resende, fornece para toda a América do Sul. A Iveco, outra fabricante de caminhões, adotando estratégia bastante diferente, instalou fábricas no Brasil, na Argentina e na Venezuela. Enquanto a Volkswagen alcança custos médios unitários de produção inferiores advindos da centralização de suas operações, a Iveco reduz custos de distribuição atendendo a Argentina e a Venezuela a partir de fabricação local.
34 Atividade 3 Uma cidade possui dois fabricantes de palito de sorvete, a Click Ltda. e a Muller Ltda. A Click tem uma pequena fábrica com capacidade de produção igual a unidades, enquanto a Muller possui instalação com capacidade de unidades diárias. Os custos fixos da Click e da Muller são, respectivamente, R$ 2.000,00 e R$12.300,00. Ambas possuem custo variável de produção igual a R$ 0,56 por unidade. Considerando que o nível ótimo de capacidade é alcançado, em cada fábrica, quando o nível de ociosidade é zero, determine o menor custo médio de produção que poderá ser alcançado pela Click e pela Muller.