Plantas produtoras de celulose

1 Plantas produtoras de celulosePor Gabriela Leite e Thaí...
Author: Lídia de Carvalho di Azevedo
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1 Plantas produtoras de celulosePor Gabriela Leite e Thaís Araújo

2 ORIGEM DO PAPEL A palavra papel vem do latim papyrus e faz referência ao papiro, uma planta que cresce nas margens do rio Nilo no Egito, da qual se extraia fibras para a fabricação de cordas, barcos e as folhas feitas de papiro para a escrita. Quando a escrita surgiu, há mais de 6 mil anos atrás, as palavras eram inscritas em tabuletas de pedras ou argila. A forma mais primitiva de escrita era acuneiforme. Por volta de 3000 a.C., os egípcios inventaram o papiro.

3 Depois vieram os pergaminhos feitos de couro curtido de bovinos, bem mais resistentes.  Finalmente, o papel seria inventado na China 105 anos depois de Cristo (d.C.), por T’sai Lun. Ele fez uma mistura umedecida de casca de amoreira, cânhamo, restos de roupas, e outros produtos que contivesse fonte de fibras vegetais. Bateu a massa até formar uma pasta, peneirou-a e obteve uma fina camada que foi deixada para secar ao sol. Depois de seca, a folha de papel estava pronta! A técnica, no entanto, foi guardada a sete chaves, pois o comércio de papel era bastante lucrativo. Somente 500 anos depois de o papel ter sido inventado, os japoneses conheceram o papel graças aos monges budistas coreanos que lá estiveram.   

4 Em 751 d.C, os chineses tentaram conquistar uma cidade sob o domínio árabe e foram derrotados. Nessa ocasião, alguns artesãos foram capturados e a tecnologia da fabricação de papel deixou de ser um monopólio chinês. Mais tarde, os mouros invadiram a Europa, mais precisamente a Espanha e lá deixaram uma forte influência cultural e tecnológica. Foi assim, que os espanhóis conheceram também a técnica de dobrar papeis que ficou conhecida como papiroflexia.  O processo básico de fabricação de papel criado por T’sai Lun foi sendo sofisticado e que possibilitou uma imensa diversidade de papeis quanto à texturas, cores, maleabilidade, resistência, etc.

5 A fibra vegetal que nos referimos antes é à celulose, um dos principais constituintes da plantas e um polímero formado de pequenas moléculas de carboidratos, a glicose. A celulose pode também ser usada para a fabricação de tecidos quando extraída do algodão, cânhamo, chita ou do linho. Potencialmente, qualquer planta produtora de celulose é fonte de matéria-prima para a produção de papel.

6 CELULOSE O que é   A celulose é uma substância (polissacarídeo) existente na maioria dos vegetais. De característica fibrosa, localiza-se dentro das células das plantas. Função nas plantas  A celulose é responsável por dar a rigidez e firmeza às plantas. Ela não é digerida pelos seres humanos, porém são importantes enquanto alimentos para muitas espécies animais, entre elas os ruminantes (bois, cavalos, cabras, carneiros). O sistema digestório destes animais, ao contrário do nosso, possui capacidade para digerir a celulose. Esta substância também serve de alimentação para cupis e traças. Uso industrial  A celulose é a base para a fabricação de papel. Extraída das árvores, as indústrias também a utilizam para a fabricação de certos tipos de plásticos, vernizes, filmes, seda artificial e diversos produtos químicos.

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8 No Brasil, as duas principais fontes de madeira utilizadas para a produção de celulose são as árvores plantadas de pinus e de eucalipto, responsáveis por mais de 98% do volume produzido. A celulose também pode ser obtida de outros tipos de plantas, não-madeiras, como bambu, babaçu, sisal e resíduos agrícolas (bagaço de cana-de-açúcar). O País ocupa o quarto lugar no ranking dos países produtores de celulose de todos os tipos e como primeiro produtor mundial de celulose de eucalipto. Após o cultivo, crescimento e colheita das árvores plantadas, a madeira é descascada e picada em pequenos pedaços, chamados cavacos. Em seguida, os cavacos são selecionados para remoção de lascas e serragens e, depois, submetidos a processos mecânicos e químicos para a produção da celulose.

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10 BABAÇU BAMBU CANA-DE-AÇUCAR BAGAÇO SISAL

11 Na primeira etapa desse processo, os cavacos são submetidos a um cozimento, em um equipamento chamado digestor, com a utilização de água, produtos químicos, pressão e temperaturas da ordem de 150ºC. O objetivo é separar as fibras de celulose da lignina – substância que une essas fibras, aumentando a rigidez da parede celular vegetal, e que constitui, juntamente com a celulose, a maior parte da madeira das árvores e arbustos. Depois da separação, as fibras celulósicas formam uma pasta marrom que, na próxima etapa, passa por uma série de processos e reações químicas, responsáveis por depurar, lavar e branquear essa polpa até a alvura desejada.

12 Após essas etapas, a celulose seguirá, basicamente, dois caminhos distintos:1 - Será bombeada para uma máquina de papel – no caso de fábricas integradas (que têm base florestal e produzem celulose e papel); 2 - Passará por um processo de secagem e será estocada em fardos, para posterior comercialização para fábricas de papel, como celulose de mercado. A lignina, após a separação das fibras, não é descartada. Ela passa por outro processo que gera energia e, ao mesmo tempo, recupera os reagentes químicos usados no cozimento.

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14 Tipos de Fibras A fibra curta tem maior capacidade absorvente, destina-se à produtos menos rígidos como papel para impressão e para escrever, papéis tissue (higiênicos); A fibra longa é mais resistente e utilizada na fabricação de embalagens; As pastas de alto rendimento (par) são utilizadas na produção de papel jornal e podem ser misturadas com fibra longa ou curta para dar maior resistência; Celulose solúvel – celulose que não tem as mesmas utilizações da celulose comum – fibras têxteis (viscose), celofane, filtros de cigarro e para salsicha.

15 O Brasil é o maior produtor mundial de celulose de fibra curta, pois o clima brasileiro favorece o plantio de eucalipto, ao passo que nos demais países produtores a produção de celulose de fibra longa é maior, pois o clima favorece mais as florestas de pinus.

16 O Brasil é auto-suficiente na fabricação de papel, porém ainda é dependente da importação de papel imprensa. O brasil importa 70% do que utiliza de papel imprensa; 80% das importações de papel imprensa são supridas pelo canadá; O Brasil não tem escala de produção desse tipo de papel e não tem matéria prima suficiente (fibra longa); Ademais, o papel imprensa importado entra no país com isenção de imposto de importação.

17 As pastas destinadas à fabricação de papel são resultantes do processamento industrial de fibras vegetais. No Brasil, cerca de 96% das fibras utilizadas são de origem arbórea, os 4% restantes são de bagaço de cana, sisal e bambu. Existem 2 tipos de processos para industrialização das fibras: Processo químico, que dá origem à celulose e representa cerca de 95% do total produzido no Brasil; Processo mecânico, que resulta em pastas de alto rendimento (PAR), cuja produção chega a apenas 5% do total, em razão de ser intensivo em energia elétrica. A celulose de fibra curta é originária do eucalipto (representa 85% da produção brasileira) e a de fibra longa é proveniente do pinus (responde por 15% da produção nacional) No Brasil não é mais utilizada a moto-serra, hoje o processo de extração da madeira é totalmente mecanizado; o equipamento corta, descasca e empilha a madeira A cor original da celulose é marrom e para chegar à produção de papel para imprimir a celulose passa por um processo químico de branqueamento (celulose branqueada) que utilizada soda cáustica, cloro e enxofre

18 CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO SETORCelulose demanda global Voltado à exportação Concentração em grandes empresas Elevada escala de produção – mínimo de 1,5 milhão de tonelada/ano Ciclicidade de preços Papel demanda regional – maior na região sudeste do país Fragmentação – há atuação de médias empresas Preços são spread da celulose

19 Artigo escolhido A CONSTITUIÇÃO DO COMPLEXO AGROINDUSTRIAL DE CELULOSE NO RIO GRANDE DO SUL: UMA AVALIAÇÃO DA DINÂMICA GLOBAL E DA INSERÇÃO BRASILEIRA NO SETOR Jefferson Rodrigues dos Santos1 Universidade Federal de Santa Catarina