1 Por Ana Clésia SantiagoComparação da Epidemia do (Ebola) hoje e a (Peste negra) no final da Idade Média Quando falamos de analogia na história, entramos em um terreno perigoso, no qual precisamos tomar cuidado para não generalizarmos situações e coisas especificas de seu tempo. Porém a peste negra e o Ebola possuem algumas característica importantes e comum, o fato de serem epidemias de fácil propagação, doenças contagiosas, além do fato de serem doenças fatais quando não há tratamento. Neste trabalho abordaremos alguns pontos importantes sobre as duas doenças e como a história pode trabalhar com esses aspectos da atualidade, trazendo a memória coisas anteriores como meio de comparação e contextualização. Uma questão que me chama atenção é: Por que os governantes no mundo inteiro estão preocupados com o Ebola agora, se a medicina já sabia de sua existência na África desde 1976?
2 Epidemia Significa - SURTO DE DOENÇA CONTAGIOSA QUE ATACA NUMEROSAS PESSOAS AO MESMO TEMPO. Partindo desta definição que o dicionário da língua portuguesa Silveira Bueno nos dá podemos dizer que as duas doenças que estamos abordando são epidemias. Uma na Baixa Idade Média e a outra que está ocorrendo atualmente no continente africano e causando instabilidade , medo e preocupação por parte das autoridades e civis em todo o mundo.
3 Questões importantes:Últimos destaques sobre o Ebola na mídia. O que sabemos sobre o Ebola? O que sabemos sobre a peste negra e como essa doenças quase dizimou a Europa na baixa Idade Média? Existe cura ou tratamento para peste bubônica e o Ebola? Por que somente agora o Ebola se tornou uma preocupação para as autoridade no mundo todo, sendo que já era uma doença conhecida pela medicina? Porque sempre que temos um surto de doenças é automático jogar a culpa no continente africano? Podemos citar um exemplo AIDS.
4 Hospital simula chegada de paciente com suspeita de ebola em São Paulo.União Europeia e Estados Unidos se mobilizam para combater ebola. União Europeia pretende ajudar com um pacote de 150 milhões de euros. Barack Obama pedirá ao Congresso americano 88 milhões de dólares. Número de mortes por ebola sobe para 2.793, diz OMS Operação contra ebola em Serra Leoa encontra 70 corpos e 150 casos Missionário católico contaminado pelo ebola retorna para a Espanha. FONTE
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8 Ebola A febre hemorrágica Ebola é uma doença muito grave e fatal para humanos e primatas. A doença tem se manifestado esporadicamente desde de seu reconhecimento pela medicina em 1976 na África. Esta doença é causada pela infecção com o vírus Ebola, um dos componentes da família de vírus RNA, chamado Filoviridae - Três das quatro espécies de vírus Ebola causam doenças em humanos. Ebola-Zaire/ Ebola Sudan / Ebola-Ivory Coast. A quarta espécie do vírus, o Ebola-Reston tem causado doenças em primatas, mas não tem casos relatados em humanos. Não se tem ainda uma certeza com relação ao hospedeiro do vírus, porém acredita-se entre os pesquisadores da área que este vírus tenha como hospedeiro algum animal nativo do continente Africano.
9 O vírus é transmitido durante o contato direto pessoa a pessoa, com cadáveres e, indiretamente por materiais contaminados como fluidos corporais infectados como sangue, urina, fezes, saliva, secreções e esperma. A porta de entrada do vírus são as mucosas e pele com lesões de continuidades. Um problema com relação aos sintomas da febre hemorrágica Ebola é que eles não são os mesmo para todos os pacientes. Porém como toda doença tem alguns sintomas mais freqüentes como: Febre alta, dor de cabeça, mialgia, dor no estômago, fadiga e diarréia. Alguns pacientes apresentaram ainda dor de garganta, erupção cutânea, petéquias, olhos vermelhos e edemaciados, hematêmese,melenas e epistaxes. Após uma semana infectado, o paciente pode apresentar dor no peito, cegueira, severas hemorragias, anúria, hipotensão e choque seguido de morte. Seu estágio inicial pode ser confundido com febre tifóide e malária.
10 Peste Negra A GRANDE PESTE (1348)“No ano do Senhor, 1348, aconteceu sobre quase toda a superfície do globo uma tal mortandade que raramente se tinha conhecido semelhante. Os vivos, de fato, quase não conseguiam enterrar os mortos, ou os evitavam com horror. Um terror tão grande tinha-se apoderado de quase todo o mundo, de tal maneira que no momento que aparecia em alguém uma úlcera ou um inchaço, geralmente em baixo da virilha ou da axila, a vítima ficava privada de toda assistência, e mesmo abandonada por seus parentes. O pai deixava o filho em seu leito, e o filho fazia o mesmo com o pai. Não é surpreendente, pois, que quando numa casa alguém tinha sido tocado por este mal e tinha morrido, acontecesse muito freqüentemente, todos os outros moradores terem sido contaminados e mortos da mesma maneira súbita; e ainda mais, coisa horrorosa de ouvir, os cachorros, os gatos, as galinhas e todos os outros animais domésticos tiveram o mesmo destino. Aqueles que estavam sãos fugiram apavorados de medo. E assim, muitos morreram por descuido, os quais talvez teriam escapado de outro modo. Muitos ainda, que pegaram esta doença e dos quais se acreditava que morreriam com certeza imediatamente sobre o chão, foram transportados, sem a mínima discriminação até a fossa de inumação. E assim, um grande número foi enterrado vivo. E a este mal acrescentou-se outro: corria o boato de que certos criminosos, particularmente os judeus, jogavam venenos nos rios e nas fontes, o que fazia aumentar tanto a peste acima mencionada. É a razão pela qual tanto cristãos como judeus inocentes e pessoas irrepreensíveis foram queimadas e assassinadas e outras vezes maltratadas em suas pessoas, mesmo que tudo isso procedesse da constelação ou da vingança divina. E esta peste se prolongou além do ano anteriormente dito, durante dois anos seguidos, espalhando-se pelas regiões onde, primeiramente, não tinha acontecido.” Vitae Paparum Avenionensium Clementis VI. Primavita. Mollat. M. (Ed.). Paris, , p Apud Calmette, Op.Cit, p História Da Idade Média textos e testemunhas p – Maria G. Pedrero-Sánchez.
11 A Idade Média Central iniciou-se segundo alguns historiadores no século XI, momento que passou por uma expansão econômica e populacional. Com o desenvolvimento do comercio, agricultura e artesanato fazendo com que a economia se tornasse forte e diversificada. Porém a sociedade baseada no feudalismo com características descentralizada politicamente, fechada e agrária, foi atingida. Outros valores surgem como a sociedade feudo-buguês. Entre o século XIV e XV o esgotamento feudal se torna visível nas crises presentes neste momento. Alguns fatores contribuíram para que isso ocorresse. No século XIII nas regiões da Europa do norte , as terras de boa qualidade haviam se tornado raras e o solo estava inférteis gerando uma queda na produtividade. As perdas de colheitas provocada por fatores climáticos (frio intenso no inverno e excesso de chuvas no verão), guerras, técnicas inadequadas de cultivo entre outros fatores contribuíram para uma escassez de alimentos. Esta falta de alimentação faz com que diversas pessoas passem a sobreviver em estado de subnutrição, deixando elas em estado de vulnerabilidade diante de doenças. A população enfraquecida pela fome torna-se vitima da peste negra, cerca de 23% a 33% da população foi vitima da doença.
12 Peste pulmonar- Yersinia pestis – PESTE NEGRAPeste negra- Doença provocada pelo bacilo Pasteurella pestis, com duas formas principais de transmissão. Bubônica= Contágio se dá pela picada de pulgas vindas dos ratos portadores do bacilo. Pulmonar= Contaminação de pessoa para pessoa, o bacilo transmitido pela tosse ou simplesmente pelo hálito. É uma doença infecciosa que acomete animais e seres humanos, causada pela bactéria Yersínia pestis,um bastonete aeróbio, gram negativo, que tem como hospedeiros naturais algumas espécies de roedores encontrada em muitas regiões do mundo (Canadá, Europa, EUA, África, Ásia e América do Sul), é transmitida ao homem por pulgas infectadas (vetores da doença), resultando em infecções linfáticas e sangüíneas (peste bubônica e séptica).
13 Essa doença tem tido profundo impacto na história da humanidade, desde o ano de 541 a.C., quando a primeira pandemia de praga foi iniciada no Egito.Os principais sintomas desta doença são: Febre, dor de cabeça, fraqueza, muco pulmonar purulento, ou com sangue. A broncopneumonia se agrava em apenas dois ou quatro dias, podendo causar choque séptico e, não havendo tratamento adequado e rápido a pessoa entra em óbito. A transmissão da doença ocorre de pessoa a pessoa através de gotículas de saliva e secreções nasais. O diagnóstico pode ser feito através de dados clínicos,epidemiológicos e laboratoriais como testes sorológicos(prova de aglutinação e imunofluorescência). No caso da peste pulmonar é realizada a cultura de secreções orofaríngeas.
14 TRATAMENTOS EBOLA versus PESTE NEGRAEbola- segundo as pesquisas que realizei não existe vacina e nem tratamento específico para a febre hemorrágica ebola ainda, apesar de já ter surgido recentemente uma vacina de teste que ainda não tem confirmação de eficácia. No momento o paciente recebe suporte hídrico com reposição de eletrólitos, oxigeno terapia,antibióticos para infecções secundárias, transfusões, etc.O diagnóstico pode ser feito pelo teste ELISA, IgG ELISA,PCR e isolamento do vírus, no início dos sintomas. Peste negra – os antibióticos recomendados para o tratamento são as estreptomicinas, tetraciclinas e o cloranfenicol. Aantibioticoprofilaxia, por sete dias, é recomendada aos contatos. A vacina contra a peste bubônica existe, mas não tem sido comprovada sua eficácia para a forma pulmonar da doença. A mortalidade dos casos não tratados da praga pulmonar é de 100%. Para concluir deixamos algo pra se refletir, porque a industria farmacêutica ou os próprios governantes não se preocupavam com o Ebola antes? Quando milhares de pessoas estavam morrendo na África? Atualmente entendemos o motivo do pânico afinal de contas a zona de conforto foi afetada, outros continentes podem ter a doença, né?
15 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICASAQUINO SILVA, Priscila. O príncipe perfeito e a saúde do reino (Portugal século XV). p. 106 BASCHET, Jérôme. A civilização feudal do ano mil à colonização da América. p FRANCO, Hilário. Idade Média-Nascimento do Ocidente. São Paulo; Brasiliense, p-14. ERCOLE, Flávia Falci. COSTA , Roberta dos Santos. Protocolos de cuidados frente a doença decorrente do bioterrorismo. Revista.Latino-am Enfermagem 2003 julho-agosto; 11(4): Acesso em 2014 PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da Idade Média- textos e testemunhas. São Paulo. Editora: UNESP, p Rev Latino-am Enfermagem 2003 julho-agosto; 11(4): Paparum Avenionensium Clementis VI. Primavita. Mollat. M. (Ed.). Paris, , p Apud Calmette, Op.Cit, p RODRIGUES, Jaime. Reflexões sobre tráfico de Africanos, doenças e relações raciais. História e Perspectivas, Uberlândia (47): 15-34, jul./dez Acesso em 2014. Artigo complementar– Felipe de la Balze – Argentina ante las pandemias del siglo XXI-La difusión de nuevas enfermedades es uno de los aspectos menos estudiados de la globalización en nuestro país. Acesso em 2014.