Porto Alegre, 30 de junho de 2017

1 Porto Alegre, 30 de junho de 2017 ...
Author: Raphael Danilo Arruda Gil
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1 Porto Alegre, 30 de junho de 2017

2 A palavra como elo entre Literatura e Psicoterapia- ambas acontecem nela, com ela e consideram sua ausência Dra. em Teoria Literária e Literatura Comparada (USP) Maria Helena Martins Diretora de Cultura, Humanidades e Literatura do CELPCYRO

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4 Para quem se ocupa com a alma humana, como escritores e psicoterapeutas, a palavra é a pedra de toque para conhecer, avaliar, penetrar os meandros anímicos. A palavra pode conferir, respectivamente, verossimilhança e credibilidade às aspirações estéticas da literatura e às intenções terapêuticas da psicoterapia.

5 “Exatamente por serem obras de arte, é claro que não se espera delas um retrato absolutamente fidedigno da psicopatologia, uma descrição clínica precisa. Mas, ecoando Freud, essa abordagem – ainda que imprecisa –é inescapável ao profissional da saúde mental pela ampliação da visão que nos possibilita.” Táki Athanássius Cordás e Daniel Martins de Barros. Personagens ou Pacientes?- Clássicos da literatura mundial para refletir sobre a natureza humana. Porto Alegre, ARTMED, 2014.

6 Risco de “eternos achados”“Os que ainda hoje combatem (....) a aplicação da psicanálise como instrumento de pesquisa do sentido profundo de obras literárias (....), pretextando que invariavelmente os analistas ressaltam no núcleo da obra em estudo a presença do Complexo de Édipo, quando não o fazem por racionalização, nos estão alertando, a nós analistas, contra o perigo das interpretações estereotipadas, empobrecedoras do trabalho intelectual, científico ou crítico, na acepção literária do termo(....). Assim, os estudos psicanalíticos de obras de ficção e de arte em geral, que se restringem à busca dos conteúdos pulsionais, numa perigosa simplificação, correm o risco grave de se monotonizarem, pela repetição dos eternos achados.“ Cyro Martins. A criação artística e a psicanálise. P. Alegre, Sulina, 1970.

7 Palavra salvação ou perdição ?Quase sempre se tem uma palavra na boca e na mente, mesmo sem pronunciá-la. Por isso mesmo, seu uso pode ser tão espontâneo quanto comprometedor; esclarecedor como problemático.

8 Na literatura como na psicoterapiaDizer “sem querer”, cometer “atos falhos” faz parte da comunicação verbal, assim como o discurso intencionalmente elaborado e explícito , tanto quanto a linguagem do silêncio , que se abre a inúmeras interpretações. A palavra e sua ausência desvendam e/ou encobrem escritor e terapeuta, personagem e paciente. Na literatura como na psicoterapia q

9 Bem-aventurados os pintores escorrendo luz Que se expressam em verde Azul Ocre Cinza Zarcão! Bem-aventurados os músicos... E os bailarinos E os mímicos E os matemáticos... Cada qual na sua expressão Só o poeta é que tem de lidar com a ingrata [linguagem alheia... A impura linguagem dos homens! Mário Quintana. “Bem-Aventurados”. Antologia Poética. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1966 (org. Rubem Braga).]

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11 quando ousa o descaminhoA palavra além do óbvio, quando ousa o descaminho A auto-ironia de Quintana salva o poeta de lidar com a palavra prosaicamente. Esse poema reforça minha suposição de que a palavra só se efetiva como elo entre a arte literária e a psicoterapia, quando ousa o descaminho e quando não é tratada com excesso de zelo ou com gratuidade. Além disso, porque tem livre trânsito entre o prosaico e o poético, entre as ciências e as artes, entre “homens”, como diz Quintana, e poetas, a palavra tende a ser desfrutável. Mas, todos sabemos, jamais é inocente. Daí o desafio. Para quem lida com ela como forma de expressão e meio de interpretação. A palavra além do óbvio, do sentido dicionarizado

12 “De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava“De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei nesse gosto de especular ideia. O diabo existe e não existe. Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso... ” J. Guimarães Rosa. Grande Sertão:Veredas. Nova Fronteira, Ed.Comemorativa de 60 anos da 1ª. Edição.

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15 CELPCYRO 20 ANOS Duas Décadas de TransformaçõesDo final do século passado a nossos dias evidencia-se ruptura com parâmetros nas atividades humanas em geral. Ampliam-se fantasticamente os horizontes dos conhecimentos em todas as áreas, multiplicam-se suas abordagens, a possibilidade de informação parece infinita. Saberes e fazeres se entrecruzam, sinalizando quão pouco ficou do que era antes. A perda de um senso de permanência excita as mentes ousadas e desestabiliza as acomodadas. Não à toa a capacidade de resiliência passa a ser tão valorizada. As mutações aceleram, desafiando o já sabido; afrontam mesmo mentalidades mais abertas. Estará o mundo em que vivemos passando por transformações inevitáveis e radicais?

16 Antes de analisar e avaliar esse quadro,parece mais acertado guiarmo-nos por indicações de Cyro Martins que, às vésperas do séc XXI, com mais de 80 anos, não hesitava em dizer que a vida segue e “é nosso o nosso destino”; temos que conduzi-lo em face das vicissitudes e das benesses que a vida apresenta, sendo “realistas esperançosos”, sem perder perspectivas.

17 Comemoração de 20 anos de trabalho ininterrupto com e a partir da obra de Cyro Martins ( ) Comemoração de 20 anos de trabalho ininterrupto com e a partir da obra de Cyro Martins ( )

18 No decorrer de 2017, estamos realizando atividades/eventos, a partir de quatro eixos temáticos que, necessariamente, se tangenciam ou se entrecruzam, enquanto contemplam as principais linhas de interesse e atuação do CELPCYRO, atualizando cada tema e situando a obra de Cyro Martins em face dele:  DESAFIOS À CRIAÇÃO LITERÁRIA - Linguagem, temática, estrutura narrativa em transformação.  PRINCIPAIS AVANÇOS NA ÁREA PSI - Contribuições da Neurociência para a Psiquiatrisa e a Psicanálise  HUMANISMO NA CIÊNCIA E NA SOCIEDADE - Vicissitudes da humanidade X risco de nos tornarmos insensíveis X realismo esperançoso  INTERAÇÃO DAS ARTES - Linguagens se iluminam mutuamente sem perder suas características intrínsecas;criadores e apreciadores das artes  em crise ?    Programação:Facebook CELPCYRO e site celpcyro.org.br

19 Do final do século passado a nossos dias evidencia-se a ruptura com parâmetros nas atividades humanas em geral. Ampliam-se fantasticamente os horizontes dos conhecimentos em todas as áreas, multiplicam-se suas abordagens, a possibilidade de informação parece infinita. Saberes e fazeres se entrecruzam, sinalizando quão pouco ficou do que era antes. A perda de um senso de permanência excita as mentes ousadas e desestabiliza as acomodadas. Não à toa a capacidade de resiliência passa a ser tão valorizada. As mutações aceleram, desafiando o já sabido; afrontam mesmo mentalidades mais abertas. Estará o mundo em que vivemos passando por transformações inevitáveis e radicais? Antes de analisar e avaliar esse quadro, parece mais acertado guiarmo-nos por indicações de Cyro Martins que, às vésperas do séc XXI, com mais de 80 anos, não hesitava em dizer que a vida segue e “é nosso o nosso destino”; temos que conduzi-lo em face das vicissitudes e das benesses que a vida apresenta, sendo “realistas esperançosos”, sem perder perspectivas.

20 - PUCRS - Campus de Porto Alegre – 15 de agosto de 2017Próximos eventos Desafios à criação literária em nossos dias Colóquio com a participação dos escritores José Francisco Botelho,Rafael Bán Jacobsen e Gustavo Melo Czekster – Santander Cultural – 04 de agosto – Porto Alegre - das 17h30 às 19h30 Cyro Martins e sua obra Encontro com a participação de Léa Masina, Luiz Antônio de Assis Brasil, Carlos Appel, Abrão Slavutzky , Fábio Varela com a coordenação da Profa. Dra. Maria Eunice Moreira - PUCRS - Campus de Porto Alegre – 15 de agosto de 2017 Encontro sobre Cyro Martins e sua obra – com a participação de Luiz Antônio de Assis Brasil, Carlos Appel, Abrão Slavutzky , Fábio Varela com a coordenação da Porfa. Dra. Maria Eunice Moreira PUCRS- Campus de Porto Alegre – 15 de agosto de 2017