1 Psicologia aplicada a FisioterapiaMe Monica Mombelli
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3 Usamos o termo “Psicologia” no nosso cotidiano, com vários sentidos.Por exemplo: Quando o vendedor usa o seu poder de persuasão, dizemos que tem “psicologia” para vender o seu produto; Quando à jovem usa o seu poder de sedução para a trair o rapaz, falamos que ela usa de “psicologia”; E quando procuramos um amigo para nos ouvir, dizemos que ele tem “psicologia” para nos entender.
4 Essa psicologia usada no cotidiano pelas pessoas em geral, é denominada de Psicologia do senso comum. O que estamos dizendo é que as pessoas, têm um domínio, mesmo que pequeno e superficial, do conhecimento acumulado pela Psicologia científica. Permitindo-lhes explicar problemas cotidianos de um ponto de vista psicológico.
5 “O objeto de estudo da Psicologia é o comportamento humano”.Um psicanalista dirá: “O objeto de estudo da Psicologia é o inconsciente”. Outros dirão que é a consciência humana, e outros, ainda, a personalidade.
6 Referência: BOCK, Ana M. Bahia; FURTADO, Odair & TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologia-Uma Introdução ao Estudo de Psicologia.13. ed. Reform. ampl. São Paulo: Saraiva, 2002.
7 PSICOLOGIA APLICADA A SAÚDE
8 A inserção do psicólogo em instituições de saúde Fatores contribuintesOcorre ao final da década de 1970, com a finalidade de construir modelos alternativos ao hospital psiquiátrico, com vistas à redução de custos e maior eficácia dos atendimentos, por meio da formação de grupos multiprofissionais (Carvalho e Yamamoto, 2002). Fatores contribuintes a redução do mercado de atendimento psicológico privado, em decorrência da crise econômica pela qual o país era afetado. a crítica à Psicologia Clínica tradicional, por não apresentar significado social, a qual motivava o surgimento de práticas alternativas socialmente mais relevantes.
9 A inserção do psicólogo em instituições de saúdeO grande desenvolvimento aconteceu nos anos de 1980, com a realização de diversos concursos públicos em instituições municipais, estaduais e federais de saúde (Sebastiani, 2003). Em São Paulo, a inserção se deu em 1982, em virtude da desospitalização e extensão dos serviços de saúde mental na rede básica (Spink,1992). Principais fatores de atração A reforma no sistema de saúde; A valorização do trabalho em equipe. Base da inserção Demanda de origem psiquiátrica, com proposta de mudança da cultura de hospitalização do doente psiquiátrico (forte vínculo ao modelo médico e psiquiátrico).
10 Mudança de Paradigma na concepção de saúdeA saúde deve ser desenvolvida e não apenas conservada. A ênfase na promoção da saúde e prevenção de doenças abre uma nova dimensão na compreensão dos fenômenos da saúde e da doença, desta forma as novas inserções criam tensões, devido às ferramentas da psicologia continuarem as mesmas (Pires e Braga, 2009).
11 As Conceituações e Aplicações da Psicologia da SaúdeEvans e Willig (2000) – campo interdisciplinar preocupado com a aplicação dos conhecimentos e técnicas psicológicas à saúde-doença e os cuidados de saúde. Matarazzo (1980) - um conjunto de contribuições educacionais, científicas e profissionais da disciplina da Psicologia para promoção e manutenção da saúde, a prevenção e tratamento de doenças, a identificação da etiologia e diagnóstico dos correlatos de saúde, doença e funções relacionadas, e a análise e aprimoramento do sistema e regulamentação da saúde.
12 As Conceituações e Aplicações da Psicologia da SaúdeTaylor (1999) – A Psicologia da Saúde constitui um campo da Psicologia destinado a entender as influências psicológicas sobre como as pessoas permanecem saudáveis, por que ficam doentes e como agem quando adoecem. Focaliza ainda a promoção e manutenção da saúde, a prevenção e o tratamento da doença, as relações entre saúde-doença e o comportamento e as melhorias na sistemática de cuidado e formulação de políticas de saúde.
13 As Conceituações e Aplicações da Psicologia da SaúdeAs definições incluem a análise e a tendência do sistema de atenção à saúde para os âmbitos de recuperação, prevenção e promoção, bem como para a elaboração de políticas da saúde. Dessa maneira, é explícita a sua relevância para quaisquer atividades, seja no nível primário, secundário ou terciário, seja nos processos e/ou políticas, dado o seu potencial para o bem-estar individual ou da comunidade.
14 O sistema de saúde no BrasilNas últimas décadas tem sido marcado pelo modelo curativo Baixo desenvolvimento quanto aos componentes de promoção (praticamente inexistente) e o de prevenção (restrito, na maioria das vezes, aos programas tradicionais da Saúde Pública, inclusive as ações de vigilância epidemiológica e sanitária).
15 Fatos marcantes que impulsionaram mudanças de conceitos e ações significativasNovo conceito de saúde O conceito de saúde atual é baseado na Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, a qual valoriza uma visão ampliada de saúde, com vistas à amplitude do bem-estar do ser humano, descaracterizando o conceito voltado somente para a cura de doenças e passando ao enfoque de promoção de saúde, configurando uma nova modalidade de assistência, baseada no modelo de vigilância à saúde.
16 Processo de construção do SUS: avanços, aperfeiçoamento e mudanças de atenção e de gestão. Política Nacional de Humanização da atenção a gestão no Sistema Único de Saúde – (PNH) Orientação Básica: valorização da dimensão subjetiva e coletiva em todas as práticas de atenção e gestão no SUS, fortalecendo o compromisso com os direitos de cidadania e controle social com o caráter participativo. Princípios: transversalidade, indissociabilidade entre atenção e gestão e protagonismo, co-responsabilidade e autonomia dos sujeitos e coletivos.
17 Processo de construção do SUS: avanços, aperfeiçoamento e mudanças de atenção e de gestão. Política Nacional de Humanização da atenção a gestão no Sistema Único de Saúde – (PNH) Objetivos: criar um sistema de saúde em rede que supere o isolamento dos serviços em níveis de atenção; alterar o entendimento de saúde como ausência de doença; ampliar e fortalecer a concepção de saúde como produção social, econômica e cultural bem como a fragmentação do processo de trabalho e das relações entre os diferentes profissionais e; implantar diretrizes do acolhimento e da clínica ampliada, buscando oferecer um eixo articulador das práticas em saúde destacando o aspecto subjetivo nelas presentes.
18 As atividades de psicólogos na rede Básica de Atenção à SaúdeNão contemplam as necessidades desse setor (Pires, 2006). Principal razão: transposição do modelo clínico e individual, com discretas ações coletivas e que, embora tenham um enfoque educativo, não ocorrem com frequência e de forma sistematizada, de sorte que não constituem, assim, estratégias de atenção primária. Ações imprecindíveis para a realização do trabalho do Psicólogo na saúde: Planejamento e gestão do trabalho; O conhecimento das demandas do território, dos recursos públicos e comunitários; Ações intersetoriais e com a comunidade; O envolvimento no trabalho de geração de renda e redes sociais de apoio.
19 Referência: PIRES, Ana Cláudia Tolentino e BRAGA, Tânia Moron Saes. O psicólogo na saúde pública: formação e inserção profissional. Temas em Psicologia. V.17 nº1. Número especial: História da Psicologia. 2009
20 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...Na área de saúde, os profissionais poderão deparar-se com as seguintes situações: 1. Pacientes com queixas de dores em músculos e articulações sem motivo aparente, criando complexos desafios para médicos e fisioterapeutas.
21 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...2. Tratamentos que se eternizam e produzem insatisfação no paciente e sensação de ineficiência para o profissional. 3. Atividades que não deveriam ocasionar qualquer espécie de transtorno físico ocasionam danos, podendo permanecer variadas sequelas.
22 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...4. Alguns pacientes que desenvolvem outras patologias, colocando em dúvida a adequação das ações empregadas. 5. Tratamentos dados por encerrados que não conseguem manter seus efeitos, fazendo com que o paciente retome o tratamento por diversas vezes.
23 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...6. Pacientes que deixam de cumprir as recomendações do profissional, comprometendo todo o tratamento e, muitas vezes, tornando-o de mais longa duração. 7. Profissionais que entram em conflito entre si, por motivos menores, reduzindo a disposição para o trabalho e prejudicando o atendimento ao cliente.
24 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...8. Procura da fisioterapia, não só para restaurar movimentos perdidos, mas também para ter alguém com quem conversar, livrando-se assim da carga emocional do cotidiano. 9. Uso da fisioterapia para escapar de problemas que não sabe como solucionar.
25 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...AO COMPREENDER ESTES FENÔMENOS O FISIOTERAPEUTA, AO ALIAR-SE À PSICOLOGIA, GANHA CONDIÇÕES PARA: 1. Trabalhar em equipe multidisciplinar, para que seus resultados sejam mais duradouros e adequados.
26 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...2. Orienta com segurança o paciente, seus familiares, acompanhantes e cuidadores, encaminhando-os à outros profissionais, quando há dificuldades que fogem à sua formação. 3. Evita que dificuldades transitórias e insucessos aparentes transformem-se em angustia para si e para o paciente. 4. Auxilia o paciente a identificar seus objetivos de tratamento e de recuperação.
27 PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE...5. Usa a empatia como instrumento de compreensão da dor do outro, de suas perdas, de sua frustração, levando este paciente à construção da esperança, sem perder de foco as reais possibilidades.