1 TÁTICA INDIVIDUAL POLÍCIA MILITAR DO PARÁ COMANDO DE MISSÕES ESPECIAIS BATALHÃO DE POLÍCIA TÁTICA INSTRUTOR: CAP PM VICENTE
2 SEM PALAVRAS
3 TÁTICA INDIVIDUAL Objetivo da instrução: trazer propostas de algumas técnicas que possibilitarão uma maior chance de defesa em caso de uma eventual reação por parte das pessoas suspeitas contra o policial. “Toda ação deve ser precedida de um prévio planejamento, mesmo quando ela é inesperada, não pode a guarnição arriscar- se sem ter condições de garantir sequer sua segurança”. PERIGO IMEDIATO: é o ponto, local ou situação em um ambiente onde existe a maior probabilidade de surgir uma ameaça física contra o policial. A identificação do perigo imediato é fundamental para o policial decidir aonde ir e o que fazer. Seu deslocamento, ação de busca ou reação deve ser prioritariamente no perigo imediato identificado.
4 POSTURA TÁTICA: è a postura corporal do policial em situações de risco, estando em condições de oferecer resposta imediata a uma agressão física. Esta posição baseia-se no princípio de uma posição natural de expectativa e deslocamento corporal. A arma deve estar constantemente empunhada em uma das seguintes posições: a) Perigo: arma empunhada na altura dos olhos, usada em deslocamentos, varreduras e abordagens; b) Pronto Emprego: arma empunhada junto ao corpo, paralela ao solo, usada em paradas, varreduras e abordagens; c) Posição Sul: arma empunhada junto ao corpo, cano para baixo, coberta pela mão fraca do policial, usada em situações de composição de filas e na presença de pessoas não suspeitas.
5 A postura tática do policial exige ainda um comportamento disciplinado de controle de armas, baseado em três princípios: Terceiro olho: a arma sempre acompanha a direção do olhar do policial. Visão de túnel: olhar por cima da arma, mesmo quando empunhada na altura dos olhos. Controle da arma: sempre desviar o cano da arma da direção de pessoas não suspeitas ou de outros policiais.
6 PROTEÇÕES: são locais, objetos, equipamentos e ambientes que ofereçam garantias físicas contra agressões físicas ou dissimulem a presença do policial. Podem ser de dois tipos: a)Coberturas: são proteções que escondem visualmente o policial, mas não garantem proteção balística. Ex.: divisórias de madeira, móveis, arbustos, portas de veículos, etc. b)Abrigos: são proteções que oferecem proteção balística. Ex.: paredes de alvenaria, troncos de árvores, placas de ferro ou aço, escudos balísticos, etc. O policial deve adquirir o reflexo de identificar imediatamente em um ambiente, pontos de proteção, assim como utiliza-los imediatamente ao iniciar uma ação de risco ou ser vítima de agressão a tiros.
7 CONTROLE DE ÁREA: durante deslocamentos, entradas, varreduras e outras ações de risco, o policial deve estar em condições de dominar completamente a área ou ambiente em que se encontre presente. É uma responsabilidade individual e coletiva que poderá colocar em risco a sua vida e a de seus companheiros. O CONTROLE DE ÁREA COMPREENDE O DOMÍNIO TOTAL DO AMBIENTE ATRAVÉS DE: a)Proteção 360°: todos os lados devem estar dominados; b) Pontos distantes: os locais mais profundos, elevados e/ou distantes devem ser observados; c) Disciplina de ruídos: deve manter o silêncio como forma de aumentar a percepção do ambiente.
8 FUNIL FATAL: o nome funil fatal ou cone da morte é decorrente da silhueta e da faixa de luz projetada pela abertura de uma porta ou janela. Funil fatal é o ponto de um ambiente que possua a maior probabilidade de policiais serem atacados por eventuais agressores que estejam naquele local. Em uma sala, por exemplo, as portas e janelas são os locais em que os agressores irão ficar atentos para reagir contra a entrada de policiais, fazendo a visada e tiros naquela direção. VERBALIZAÇÃO: a comunicação entre policiais durante uma ação deve ser constante. Isso pode ocorrer através da comunicação por RÁDIOS, quando houver o equipamento; GESTOS, quando a ação exigir silêncio absoluto; e pela VERBALIZAÇÃO, falando alto e claro a ordem ou aviso. A verbalização não pode ser confundida com gritaria, repetições e uso de gírias, que ao contrário do efeito previsto, pode confundir os suspeitos e os outros policiais.
9 DESLOCAMENTOS: o deslocamento é a progressão em uma área e situação de risco. Ele deve ser feito usando o conceito do controle de área e do uso constante de proteções. Os deslocamentos podem ser feitos por lances ou diretos, em velocidades variadas: a)Velocidade de cobertura: deslocamento lento, progressivo, usado em situações de terrenos desconhecidos; b) Velocidade de Busca: deslocamento moderado, usado para domínio rápido de um ambiente ou para atingir um ponto pré-determinado; c) Velocidade de Assalto: deslocamento rápido e direcionado, usado quando a situação exige uma ação dinâmica. OBS: O POLICIAL NUNCA DEVE SE DESLOCAR SOZINHO
10 Durante os deslocamentos, os policiais podem usar formações variadas: a)Em Linha: um atrás do outro, apontando as armas para direções opostas; b) Em “L”: um direcionado para frente e outro lateralmente; c) Costas a Costas: um direcionado a frente e outro de costas. VARREDURA: é uma busca que visa identificar e dominar visualmente um determinado ambiente ou local, a fim de manter seu controle, quando a observação direta não é suficiente ou é uma situação considerada de alto risco. TRÊS TÉCNICAS BÁSICAS DE VARREDURA SÃO: a) Tomada de Ângulo: consiste em abrir seu campo visual, distanciando- se das paredes.
11 b) Olhada Rápida: técnica utilizada quando não for possível fazer a tomada de ângulo. Consiste em dar uma rápida joga de cabeça para o interior do local a ser varrido, retornando imediatamente para o local de proteção. c) Espelhos: consiste em usar um pequeno espelho fixado em uma haste. ENTRADAS: são penetrações em ambientes fechados. Existem dois tipos de entradas: a)Entradas Cobertas: também chamadas de entradas furtivas ou silenciosas, lentas e programadas, são penetrações em ambientes sem visualização, quando as técnicas de varredura tornam-se insuficientes para o controle da área, ou quando há necessidade de continuação do deslocamento. - Aplicação: ação não emergencial, presença de suspeitos e localização são desconhecidos, ação sigilosa e pensada.
12 b) Entradas Dinâmicas: também chamadas de invasões táticas, são usadas quando há necessidade de uma ação rápida de surpresa e de choque dentro de um ambiente, como um resgate de refém, por exemplo. As entradas dinâmicas devem ser realizadas somente por grupos táticos especiais. Aplicação: quando requer rapidez, surpresa e ação de choque, necessita de informações e oportunidade, equipes de 2, 3 ou 4 homens, múltiplas equipes com múltiplas entradas. Três técnicas de entrada: a) Entrada Cruzada(CRISS-CROSS) b) Entrada em Gancho(BUTTON-HOOK) c) Entrada Limitada(LIMITED PENETRATION) CONTAMEDIDAS: são técnicas de defesa pessoal e lutas corporais aplicadas em situações onde taticamente e legalmente não se pode usar arma de fogo contra o agressor
13 a)Afastamentos: técnicas usadas para retirar pessoas de uma linha de tiro e evitar que a pessoa agarre a arma do policial; b) Contra-retenções: técnicas usadas para soltar o armamento quando agarrado por um agressor que tática e legalmente não possa ser efetuado um tiro. Combate em Ambientes Fechados Os internacionalmente conhecidos "Close Quarter Battle" (CQB ou Confrontos em Ambientes Fechados) são responsáveis por um grande número de policiais mortos em serviço, sendo certo que quase sempre essas baixas têm como causa o descaso do próprio policial, que não dá a devida importância para esse tipo de situação, uma vez que tem o conhecimento de que grande parte de seus colegas chegou à aposentadoria sem maiores problemas. Esses acabam surpreendidos quando menos esperam. Para evitar que isso ocorra é extremamente importante atentarmos para algumas táticas que freqüentemente são utilizadas com êxito na vida real.
14 Operação de busca É com grande freqüência que policiais acabam tendo que realizar buscas e localizações de marginais em áreas internas, sendo que em quase todas essas oportunidades os delinqüentes têm em seu favor inúmeros fatores que os favorecem. Nas operações de buscas devem ser sempre observadas as seguintes variáveis: a)Postura; b)Movimentação; c)Entrada; d)Corredores e escadas.
15 Postura O primeiro ponto a ser abordado é o que diz respeito à postura do policial quando em meio a uma busca interna. Comumente toma se uma postura defensiva, p.ex. deixando a arma dentro do coldre ou, quando fora deste, mantendo a apontada para baixo aguardando o momento certo de reagir. Adotando uma postura como esta, dificilmente o policial terá tempo para reagir a uma agressão armada. Assim sendo, o correto é adotar uma postura ofensiva que permita uma reação imediata. O policial deve manter a arma fora do coldre, na altura dos ombros e direcionada à frente, na posição Weaver ou Isósceles, de acordo com a melhor adaptação. Utilizando esta postura, o policial poderá aplicar a tática chamada "Terceiro Olho", que lhe permite olhar para todos os lados com a certeza de que sua reação será imediata, uma vez que a arma acompanha o foco de visão do policial, mantendo ainda uma postura de plataforma de tiro.
16 Movimentação Quando no interior de um prédio, o policial deve movimentar-se com extrema cautela e silêncio, pois um ruído qualquer poderá denunciá-lo a seu oponente. Ao atravessar corredores e salões poderão ser encontradas inúmeras portas. Abri-las sem se certificar do que existe por trás é extremamente perigoso. Se possível, o policial deve manter-se constantemente protegido por qualquer tipo de escudo ou barricada, não se movimentando de forma que cruze as pernas, pois isso poderá fazê-lo perder o equilíbrio. Um dos momentos mais críticos em uma varredura interna é aquele que antecede a entrada em algum aposento, sem que se saiba o que há lá dentro. Não é aconselhável que se façam as conhecidas "entradas dinâmicas", usualmente empregadas por forças policiais especializadas.
17 Existem técnicas que melhor se adequam ao serviço policial de rotina, como a "Quick Peek" (Rápida Espiada) e a "Israeli Sweep" (Varredura Israelense). A primeira é uma técnica onde o policial deve se posicionar atrás de uma parede que ladeie a entrada; olhar rapidamente para dentro do aposento jogando parte da cabeça para fora da proteção (parede) e retornar o mais depressa possível. Trata-se de uma técnica que possibilita a obtenção de uma visão completa da área a ser adentrada, sem dar tempo de reação ao oponente. É bom salientar que o policial deve aplicar essa técnica agachado, pois em caso de um eventual disparo por parte do delinqüente, o tiro passará por cima da cabeça do policial. Se for necessário repetir a operação, deve-se mudar de posição (se em um primeiro momento o policial esteve agachado, num próximo deverá ficar de pé).
18 A tática "Israeli Sweep", também conhecido como "Slicing the Pie" (Fatiando a Torta), também é muito eficaz para se obter uma visualização do local a ser penetrado. De acordo com ela, o policial deve se utilizar do "Terceiro Olho", aproximando-se lentamente, rente à parede, até cerca de um metro do local a ser vistoriado. Em seguida, o policial deve afastar-se da parede e procurar visualizar, passo a passo, a área interna do aposento, aumentando seu ângulo de visão até obter a completa varredura do local. É um processo mais lento, que permite ao policial retornar à sua posição de origem em caso de um sinal de perigo. Entrada Após obter a completa visualização do local, o próximo passo é entrar no aposento. Existem dois métodos comumente utilizados pelas polícias internacionais: o "Israeli Limited Entry" (Entrada Limitada Israelense) e o "Crisscross" (Entrada Cruzada).
19 Pela primeira tática, a entrada se assemelha à "Quick Peek", uma vez que expõe muito pouco o corpo do policial. No entanto, depois que se projeta o corpo para dentro, não deve haver a mudança de posicionamento, como na técnica de "Rápida Espiada". Já a técnica "Crisscross", mais utilizada e eficaz, deve ser realizada em dupla, de modo que cada um dos integrantes se aproxime até a abertura, por lados diferentes e execute uma busca visual por qualquer dos métodos antes descritos. Após a varredura visual, ambos entram no recinto rapidamente, cruzando se entre si e assumindo uma postura ofensiva com as costas junto à parede do aposento invadido. É necessário frisar que esta não é uma técnica adequada para quem deseja entrar em corredores ou outros locais que não possuam paredes internas, ladeando a abertura.
20 Corredores e Escadas Corredores e escadas certamente são os locais que representam maior perigo aos policiais em um combate em ambiente fechado, pela falta de uma rota segura de fuga. É possível apenas movimentar-se para frente e para trás, criando o chamado "funil fatal", que propicia um excelente palco para uma emboscada. Quando se faz necessário entrar por um corredor, deve-se fazê-lo o mais silenciosamente possível e com toda rapidez até alcançar o seu final. Em escadas, é sempre mais fácil combater de cima para baixo, pois se perde muito menos tempo descendo uma escada do que ao subi-la. Subindo, o policial irá encurralar o oponente, forçando-o a enfrentá-lo. Assim sendo, em havendo opção, o policial deve realizar a busca descendo a escadaria. É importante salientar que muitas escadas possuem cortes de ângulos retos, o que dificulta a visualização do que está por trás. Desta forma, faz-se mister utilizar as técnicas já descritas para se operar com maior segurança, devendo-se sempre manter a arma como o seu "Terceiro Olho".
21 CONCLUSÃO “ Gotas de suor no treinamento, pouparão litros de sangue no combate”. Policial Militar